E tem como se desligar?

03/07/2019


Disseram pra mim, e pra todo mundo, que a tecnologia chegaria para ajudar. Falaram, inclusive, que por conta dela, a gente teria mais tempo pra curtir a vida, já que ela facilitaria e apressaria nosso trabalho. Eu, ingenuozão, acreditei.

Mas já é manjado saber que quanto mais a tecnologia nos ajuda a economizar tempo, mais usaremos este tempo para produzir mais. A ideia de usar este tempo que sobraria passeando no parque, sumiu.

Quando comecei a estagiar em agência, lá por 2003, ja cheguei com o e-mail ali ao lado. Pessoal comentava que anos antes, sem o e-mail, havia menos concorrências e cada processo de desenvolvimento de ativações era muito maior. Que com e-mail, ficou tudo mais ágil.

Não sei, já que não posso comparar o antes com o depois do e-mail. Mas posso comparar o antes e depois do WhatsApp.

Caramba! A melhor e a pior coisa do mundo é justamente o WhatsApp. A melhor coisa, porque mantém todos acessíveis. A pior coisa pelo mesmo motivo. Estar sempre acessível é complicado!

Aí você diz: desliga o WhatsApp, oras! E pode? E conseguimos? Sei não, mas a instantaneidade que a ferramenta nos deu trouxe junto a pressa do interlocutor na resposta. Quando em grupo, então? Antes mesmo de ler que code foi citado, alguém te chama pra avisar “leu o grupo?”.

É um caminho sem volta, e é também necessário para que nossos projetos aconteçam, já que o mundo de hoje é assim. Não fosse o WhatsApp, seria outro. Mas por conta disso, devemos aprender a desligar um pouco. Não só o aplicativo, mas nós mesmos.

Estamos parando pouco. Respirando fundo, pouco. Pensando, pouco. Esta instantaneidade que virou regra nos ajuda a viver menos, e, consequentemente, a ser menos humanos quanto aos nossos pensamentos.

Respondemos de imediato, sem pensar. Agimos rápido, sem checar se é a melhor alternativa.

Se o livre acesso à informação nos obrigou a aprender a filtrar, os chats instantâneos nos farão aprender a respirar fundo, parar a bola e pensar.

Tomara!

 

Por João Riva.

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