O que pode estar por trás do 'Desafio dos 10 anos'?

21/01/2019


Fotos podem contribuir para aperfeiçoar algoritmos de identificação facial ao comparar mudanças de fisionomia ao longo do tempo.

O desafio dos 10 anos tem movimentando a internet nas últimas semanas. Pessoas anônimas e famosos postaram fotos comparando a aparência atual com a de 10 anos atrás.

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O grande alcance da brincadeira levantou dúvidas sobre a privacidade na rede e a coleta de dados sem autorização.

A jornalista da Wired, Kate O’Neill, publicou no dia 14 de janeiro, um artigo falando sobre a suspeita de que o desafio poderia estar sendo usado para contribuir no aperfeiçoamento de algoritmos de reconhecimento facial.

Segundo o professor da FGV Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, não é possível afirmar que as fotos estão sendo usadas para essa finalidade, mas ressalta que é viável e esperado que esses dados sejam coletados.

O aprimoramento da inteligência artificial depende de um volume grande de amostragens para identificar padrões. Por isso, as fotos postadas pelos usuários podem ser úteis nessa área.

"O desafio mobilizou milhões de pessoas que fizeram posts voluntários com uma grande precisão temporal. Essa amostragem é muito valiosa para empresas de tecnologia.", afirma o professor da FGV.

O reconhecimento facial avançou bastante e uma pessoa pode ser identificada mesmo com o uso de óculos ou barba. Segundo Igreja, um dos obstáculos dessa área é prever a aparência de alguém quando envelhece.

Uma das aplicações do reconhecimento fácil é ajudar na identificação de pessoas desaparecidas, principalmente crianças. Por outro lado, também pode ser usado para identificar hábitos para direcionar publicidades.

O que fazer?

Quem postou uma montagem com uma foto de 2009 e outra de 2019 não precisa ficar preocupado. Segundo o professor, a exposição diária nas redes sociais entrega dados todos os dias para empresas e a publicação de uma única foto não teria uma influência tão grande.

"Quando surgem questionamentos sobre a coleta das informações disponibilizadas nos perfis, as pessoas devem refletir sobre a maneira como estão utilizando a internet. Participar da brincadeiras e testes que viralizaram pode oferecer riscos.", alerta Igreja.

 

Fonte: Redação.