Africa e Rolling Stone Brasil criam o Algoritmo da Vida

22/02/2019


Kurt Cobain, Ian Curtis, Nick Drake, Torquato Neto, Chris Cornell, Keith Flint, Champignon. Esses músicos têm em comum a depressão e o suicídio.

No ano passado, 1 milhão de indivíduos no globo tiraram a própria vida. Ou seja, uma morte a cada 40 segundos. 

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Esses dados alarmantes mostram que suicídio causa mais vítimas do que as guerras, homicídios e conflitos civis – todos eles somados.

Mais preocupante é o fato de que para cada suicídio, 20 pessoas já tentaram fazer o mesmo, segundo dados do estudo Preventing Suicide: A Global Imperative da Organização Mundial da Saúde.

O cenário nacional não é diferente. Todos os dias, 32 brasileiros tiram a própria vida. Em 2018, foram 11 mil vidas. Segundo o Ministério da Saúde, os números também revelam que o suicídio aumentou 20% nos últimos cinco anos entre jovens de 15 a 19 anos. Essa já é a quarta causa mais frequente de morte entre jovens no País. 

Estudos de especialistas em saúde mental* indicam que pessoas em depressão usam recorrentemente um determinado grupo de palavras, como uma espécie de ‘linguagem da depressão’ para indicar, mesmo em estágios iniciais, a ocorrência da doença. Naturalmente, esses sinais também se fazem presentes no comportamento das pessoas nas redes sociais. 

Baseado nesses dados a agência Africa criou o Algoritmo da Vida, projeto assinado pela Rolling Stone Brasil.

O sistema funciona da seguinte maneira: foi desenvolvido um algoritmo capaz de identificar uma enorme variedade de palavras, expressões e frases que podem indicar sintomas de depressão nas postagens públicas dos usuários no Twitter.

Após essa primeira fase de identificação da sequência de palavras e expressões, é realizada uma checagem cuidadosa por uma equipe treinada, para considerar contexto, ironias e recorrência de termos e periodicidade.

Assista abaixo o vídeo com mais detalhes sobre o projeto: https://www.youtube.com/watch?v=tmkESsucvHY

Caso não consiga visualizar o vídeo clique aqui.

Após isso, quando a ferramenta confirmar o potencial de usuário filtrado pelo algoritmo, um perfil criado especificamente para a ação - e administrado por um time capacitado – entra em contato por meio de mensagem privada e indica o telefone do Centro de Valorização da Vida (CVV), referência nacional no atendimento a pessoas com depressão.

"O desejo de tirar a própria vida é sempre ambíguo. A pessoa não sente que a vida vale a pena, mas gostaria de encontrar pelo menos um fio de esperança que a ajudasse a seguir em frente. Iniciativas como o Algoritmo da Vida são extremamente importantes por causa disso - saber que foi ouvido e que pode haver outra saída é transformador para um suicida potencial. Não tenho dúvidas que vidas serão salvas e sofrimento será poupado com a ajuda dessa ferramenta." conta o psiquiatra Daniel Barros, professor da Faculdade de Medicina da USP e consultor do projeto.

"A Rolling Stone, como um veículo voltado à cultura pop, e, principalmente, música, lida todos os dias com a depressão ou seus sintomas. E isso é alarmante.", diz Pedro Antunes, editor-chefe da Rolling Stone Brasil.

"Muitos músicos pediram ajuda nas suas músicas. Veja o caso de Kurt Cobain ou de Chester Bennington, do Linkin Park, por exemplo. Vidas chegaram ao fim de forma precoce por conta da depressão, basta lembrar de Chris Cornell. Tudo o que pudermos fazer para diminuir esse número precisa ser nossa prioridade. É uma responsabilidade social que devemos ter. Cada vida salva é uma vitória.", completa. 

De acordo com Rodrigo Cassino, COO da Bizsys – produtora de tecnologia responsável por desenvolver o sistema que identifica os tweets relacionados com depressão -, a maioria das postagens identificadas têm um padrão comum.

“Com tantos recursos tecnológicos à nossa disposição e com tantas pessoas clamando por socorro nas entrelinhas das redes sociais o desenvolvimento do Algoritmo da Vida humaniza a tecnologia e nos passa um sentimento de dever cumprido, de ajuda ao próximo.”, completou Cassino.

O Algoritmo da Vida está em operação desde fevereiro e detectou quase 300 mil menções que potencialmente utilizam a linguagem da depressão.

O perfil já entrou em contato com esses usuários e indicou a melhor maneira de ajudá-los a encontrarem apoio profissional. Um deles, referência sobre o tema, é o CVV (ligue 188). 

Fonte: Redação.

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