Você se lembra dos comerciais dos anos 2000 e 2010? Em um lugar profundo da sua memória, você vai se recordar do Use e Abuse, da C&A; o famoso jingle Pônei Maldito, da Nissan, o Pergunta lá, do Posto Ipiranga ou de Lavar a Cabelereira com Johnson’s Baby. Quem for mais “old school”, talvez vá se lembrar do “Não é assim uma Brastemp”, de 1991. E o que essas marcas nos ensinam, Thai? É simples: o básico (bem-feito) entrega.
Muitas propagandas que temos recordação e que ficaram no imaginário popular,partem de campanhas ou roteiros simples e bem-estruturados, que posicionam a marca, e, o melhor de tudo, deixam elas na boca do povo. Não é preciso ser espalhafatoso (ou monótono) se você for estratégico. Em outras palavras, chamar atenção não é o mesmo que ter às atenções voltadas para si.
Sabe o “feijão com arroz”, que sustenta? É isso que vamos aprender hoje. Segundo um ‘webinar’ da VTEX, essa atenção ao “básico” pode gerar resultados expressivos para os e-commerces. E me arrisco à extender esse panorama às marcas, no geral. As experiências promovidas pela marca nem sempre precisam custar caro, mas espera-se que sejam, minimamente, bem-feitas.
E aí está o primeiro erro da jornada das marcas. Aspiram diferentes públicos sem fidelizar a base (ou nicho) e propõe roteiros internacionais, sem o apoio nacional. Como eu já vi acontecer em diversos festivais e eventos, são marcas que investem cifras e mais cifras (R$), mas o engajamento e à conversão são praticamente nulas.
Isso acontece porquê o público quer também o básico bem-feito, e é isso que torna a experiência da marca inesquecível. Não precisa custar caro. É preciso ser assertivo. Mas antes disso, é necessário todo um diálogo, entendimento e estudos por trás do nicho que queremos comunicar. Furando a bolha, amém. Lembre que a Nissan quis dialogar com os motoristas, enquanto a Johnson’s Baby quis conversar com mães e crianças. E mesmo que sejam públicos diferentes, o resultado é tão forte que se tocar ‘pônei maldito’ ou ‘lavar a cabeleira com Johnson’s baby’, você canta!
Brincadeiras à parte, isso mostra o quão impactante são campanhas simples. Temos um repertório de marcas que conseguiram traduzir experiências assertivas ao público: Bombril, Coca-Cola, Ifood, Heineken… a lista é longa. O segredo é sempre a base. Eu sei que a visão do futuro é encantadora, mas o alcance chega olhando para dentro do projeto. Se sua marca responde esta pergunta: eu dialogo com meu público? Já é meio caminho andado.
O restante da jornada, eu te asseguro que é um processo contínuo de acolhimento e escuta, que se convertidos à um básico bem-feito, transformam a ‘jornada de experiência’ do consumidor com a sua marca.
Estratégia de marca
Thainá Pitta é uma mulher preta e baiana, com vasta experiência na produção de grandes eventos corporativos e voltados para o entretenimento, foi coordenadora de eventos nacionais e internacionais do Pacto Global da ONU. Nesse papel, liderou projetos de impacto, incluindo O Futuro é Ancestral, iniciativa que levou indígenas brasileiros para discursar na sede da ONU, em Nova Iorque, durante a semana da Assembleia Geral das Nações Unidas. Especialista em eventos e ESG, já integrou a equipe da Coca-Cola no The Town, Schwepps no Rock in Rio e atuou como executiva de atendimento da Sprite no Festival Afropunk Brasil. Também trabalhou na produção artística do Prêmio da Música Brasileira e do prêmio Sim à igualdade racial.
Thainá Pitta é uma mulher preta e baiana, com vasta experiência na produção de grandes eventos corporativos e voltados para o entretenimento, foi coordenadora de eventos nacionais e internacionais do Pacto Global da ONU. Nesse papel, liderou projetos de impacto, incluindo O Futuro é Ancestral, iniciativa que levou indígenas brasileiros para discursar na sede da ONU, em Nova Iorque, durante a semana da Assembleia Geral das Nações Unidas. Especialista em eventos e ESG, já integrou a equipe da Coca-Cola no The Town, Schwepps no Rock in Rio e atuou como executiva de atendimento da Sprite no Festival Afropunk Brasil. Também trabalhou na produção artística do Prêmio da Música Brasileira e do prêmio Sim à igualdade racial.