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Por: Redação 10 de Março de 2020

Adiamento. Esta é a palavra mais ouvida nas últimas semanas por empresários, produtores e atendimentos de agências e fornecedores especializados nas ações de brand experience e ativações de marca onde o fator fundamental para que aconteçam é o contato humano.

Mas o clima de urgência que assola o governo e a economia não é motivo de grande preocupação para os gestores do nosso mercado. O grande impacto fica mesmo por conta da situação inédita. 

Nunca houve uma série global de cancelamentos como a que ocorre neste momento.  Isso se deve, principalmente, à importância que os eventos assumiram nas estratégias das empresas.

"A notícia  ganha relevância porque os eventos têm hoje uma importância muito grande no mundo corporativo.", lembra um empresário da área de tecnologia aplicada às ações do setor.

No epicentro da pandemia, gestores e empresários do segmento de brand experience compartilham o momento e o impacto em seus negócios.  Promoview foi ouvi-los e registrou a impressão de profissionais  das principais áreas do multifacetado universo que existe para realização de eventos corporativos e ativações de marcas.  Para o leitor ter uma ideia, em alguns casos uma única produção pode reunir mais de 50 fornecedores distintos no que diz respeito as suas funções.

As opiniões em sua maioria são otimistas. Apesar de estimarem quedas de faturamento na ordem de 40% nos próximos meses, os empresário afirmam que toda esta demanda será transferida para o segundo semestre e realinham o planejamento de suas estruturas. 

Compensação de banco de horas, férias e corte das despesas estão entre as medidas a serem tomadas. 

Mas a preocupação fundamental, consenso geral entre os entrevistados, é com as pessoas.

Para Ricardo Franken, CCO da Integer, o problema não é só o cancelamento dos eventos imediatos. “Essa não é a nossa receita mais importante, o grande problema são os cancelamentos como Libertadores, Olimpíadas. Champions. Tem promoções ligadas a isso, ativações ligadas a isso, então é um ponto que preocupa a gente."

Ricardo Franken.

A Integer trabalha também com a movimentação on-line que será gerada pelo aumento de pessoas nas suas casas. “Como uma das nossas principais atividades é o e-commerce, as pessoas vão ficar muito sem sair de casa, muitos às vezes em isolamento, em confinamento, às vezes saindo menos até por precaução, então é uma boa oportunidade pro e-commerce e estamos desenvolvendo algumas coisas.

Com relação às providências, Franken afirma que tudo está preparado. “Quanto a medidas que nós estamos tomando, qualquer pessoa que trabalhe e que sinta qualquer desconforto faça home office ou que solicite fazer home office também vai fazer, alguns já estão fazendo, os que são mais fáceis. A gente já deixou todos os computadores prontos para acessar a rede remotamente, então se for necessário toda equipe consegue trabalhar home office, e a gente tá se preparando também com orientações com o RH, orientação com as pessoas, comunicados sempre com os cuidados, sintomas tudo isso. Então é difícil qualquer outra coisa falar que o negócio tá fervilhando e só está começando, tá chegando aqui, chegando nos EUA e... a gente não sabe aonde isso vai parar, só sabe que não vai ser bom."

O CEO da GTM, o principal grupo do setor de cenografia, explica que as atenções concentram-se no cancelamento dos pagamentos, mesmo nas decisões que envolvem adiamento. 

Rodrigo de Barros.

Para Rodrigo de Barros, a situação requer atenção “Porque boa parte dos investimento já foram realizados. 

Se não investimos nos insumos, as estruturas não são entregues nos prazos. Seguimos em reuniões periódicas para achar alternativas que causem menor impacto para nós e os nossos clientes nos projetos já em produção.", informa.

Os investimentos em cenografia e a locação de móveis, acessórios e equipamentos representam uma parcela significativa na execução dos projetos corporativos, culturais e esportivos. 

Colocando sua experiência a serviço dos clientes, estas empresas realizam, sempre ao lado das agências, a criação, detalhamento e construção de projetos novos ou pré-concebidos.

Outro player deste setor de montagens e exposições também percebeu a redução. 

José Nogueira.

“Entre cancelados e adiados, gira em torno de 15 a 20% mais ou menos do que a gente estava previsto, então é um número bem razoável né, mas a gente tá trabalhando aí para de outras maneiras tentar recuperar esse percentual perdido.” explica José Nogueira, diretor da BMarketing que aponta as ações que estão sendo feitas agora.  

"Estamos trabalhando forte no planejamento para a partir de junho, pois acreditamos que até lá tudo estará resolvido e certamente tudo isso que está se acumulando vai acontecer.”, completa Nogueira.

Para o setor de A&B o impacto do desencaixe é menor, mas a redução no faturamento leva a mudança nos planos. 

Marcos Paschoal, diretor da Ferrara do setor de A&B não conseguiu estimar a redução de receita após 90% dos eventos contratados terem sido suspensos.

Marcos Paschoal.

"Fizemos uma pausa completa nos investimentos, demos férias para uma parte dos funcionários, mas acredito que essa crise é passageira.", opina Marcos.

Com mais de dez anos de experiência na área de eventos e participando dos mais renomados eventos de São Paulo, a Ferrara Gastronomia & Eventos não havia enfrentado uma paralisação como essa.

Paschoal apoia totalmente as decisões governamentais principalmente pela questão da segurança alimentar.

O segmente de projeção mapeada por sua vez sofre com as centenas de horas de produção já realizadas sem a expectativa de receita.

Bruno Junqueira, da Maze FX, a principal empresa do país neste novo segmento eletrônico, faz um balanço do período." 

"A Maze tinha, até o dia 22 de março, nove eventos no total, eventos gigantescos em espaço de futebol enfim.. todos eles não serão realizados agora, menos um. Só que esse mudou sua configuração e não vai ter público, só vai ser filmado. Lá fora tivemos um cancelamento no meio de uma grande exposição no espaço que estávamos fazendo para o governo de Dubai e também fomos prejudicados no lançamento da nossa operação europeia em Lisboa na semana passada já em meio a um ambiente tenso."

Bruno Junqueira.

Para o especialista, o problema maior é a frustração pelo adiamento dos projetos. “Estávamos num ritmo excelente e muito motivados. Trouxemos projetores e lasers de última geração para o Brasil,  equipamentos que somente a Maze FX possui atualmente  e já com vários projetos agendados. Agora é segurar os custos e manter  negociações com o cliente sobre as possibilidades de remanejamento.

Agências já trabalham dentro do novo cenário

As principais agências especializadas sentem menos o impacto pois além de caixas robustos, uma necessidade pela natureza de suas operações, atuam hoje em várias frentes, especialmente no planejamento de estratégias, papel que não tinham, por exemplo, na época do H1N1 quando muitas atividades também foram suspensas.

Bernardo Dinardi da TM1 entende que a situação do momento não é muito diferente da rotina dele. 

Bernardo Bernardi.

"Como profissionais de brand experience, lidamos diariamente com os riscos diversos, já que nosso negócio é baseado no que existe de mais precioso, que é a aproximação de pessoas e marcas – e isto é algo que não deixará de acontecer, indo além de somente realizar eventos. Tivemos alguns eventos postergados, o que gerou impacto, mas continuamos com os demais projetos, trabalhando com nossos clientes, e, portanto, é muito cedo para falarmos sobre qualquer percentual de queda." afirma.  

Sobre as ações para este momento, ele informa que sua equipe está analisando os movimentos para encontrar as novas soluções buscando a meta anual mas que não houve grande queda no ritmo da TM1 porque a agência atua em várias frentes dentro do cenário da nova comunicação.  

"Continuamos trabalhando a todo vapor, desenvolvendo campanhas eficazes usando dados, neurociência, storytelling e experiências de imersão de marca, já de olho no novo cenário, garantindo assim que brand experience – fonte essencial de conexão emocional com as marcas - continue sendo grande triunfo em qualquer cenário.", conclui Dinardi.

Fernando Guntovictch.

Já a agência The Group reconhece o movimento dos clientes, mas Fernando Guntovitch afirma que a maioria dos eventos foram postergados pra daqui 3 meses e envolvem eventos internos em auditórios e locais fechados, mas as feiras, a princípio não estão sendo afetadas.. 

“Isso vai ter com certeza um impacto no faturamento, mas ainda não dá pra ter uma previsão de quanto, pois não sabemos se eventos adiados serão cancelados ou o contrário. Sobre as ações de momento na TG,  Guntovich não vê muitas mudanças em relação à rotina pouco convencional a que estão acostumados. “Não há paralisação, mas uma diminuição na velocidade. Por isso estamos seguindo com cautela e vamos aproveitar para atualizar banco de horas e férias, até porque  não da prá tomar decisão assim em cima, de supetão, só na emoção, tem que ir com cuidado e ver bem.", conclui Guntovich.

A mudança radical no dia a dia é descrita por João Mattos, empresário que tem alcançado projetos e expressão nos últimos anos. “Uma empresa farmacêutica não quer mais que a gente faça apresentações presenciais pelo menos uns 60 dias, então é tudo por call. Ali nós perdemos dois projetos além de outro que era pro cinema, que era pra fazer toda nossa projeção e que com certeza não vai fechar também."

João Mattos.

O presidente da DMattos prevê uma queda acentuada. ‘Sentimos um pouco mais porque nossos projetos preveem um grande número de pessoas juntas, característica por exemplo das convenções de vendas. Então acredito que haverá uma redução de 20 no faturamento. A DMattos, assim como as grandes agências, atua em outras frentes e os projetos de ativações no trade vão somar para a recuperação. 

Enquanto isso, a agência vai ampliar o sistema home office e trancar investimentos. “Daremos 2, 3 passos pra trás agora, mas serão pelo menos 10  pra frente a partir de agosto porque já temos um segundo semestre cheio que com certeza vai minimizar bem esta situação.”, afirma Mattos. 

Ronaldo Ferreira Jr. respondeu à reportagem por WhatsApp  durante um evento que a um.a, agência que ele dirige, estava realizando em Florianópolis. “Estamos aqui em um resort com Boticário e Ipiranga, hotel lotado, mas a gente sabe que essa não é uma realidade. Infelizmente, se essas duas companhias fossem hoje decidir por fazer o evento, não fariam.” 

Ronaldo Ferreira Jr.

O empresário já vem percebendo a movimentação desde fevereiro. “O início disso tudo veio lá de fora, de diretrizes globais. Então, inicialmente, pensamos que a gente tinha que assumir cancelamentos aqui nos trópicos, países mais quentes, que talvez não precisasse.

Mas daí vieram outros comunicados como “Não pode receber visitas no escritório” e também a dispensa para trabalhos home office, inclusive seus funcionários. E nas últimas semanas a restrição a viagens internacionais  A partir daí os cancelamentos foram se sucedendo. 

“Teremos que fazer alguns ajustes pra esse primeiro semestre, segurar o máximo agora, parar contratações, investimentos e torcer pra recuperar tudo. Afora isso temos muito trabalho interno, estamos em plena renovação e investimento em sistema. Então é aproveitar pra cuidar da casa e não deixar parar. E quem tiver parado, que descanse pois tudo esta se desenhando pra gente trabalhar mais que o normal no final do ano."

Diante da situação, Ronaldo vê um segundo semestre com muita atividade e até problemas de demanda.

"O fato é que o segundo já estava praticamente  lotado e não vamos conseguir colocar muitos novos eventos lá. E então seremos muito exigidos e arrisco dizer que haverá dificuldades na oferta de espaços, de avião, enfim de toda infraestrutura necessária pra fazer os eventos acontecerem”.

Celio Ashcar Jr.

"Nossa prioridade são as pessoas do nosso time. Estamos focados em analisar a melhor forma de manter nosso ritmo, mas a meta é evitar qualquer risco aos colaboradores.", informa Celio Ashcar Jr. CEO da Aktuellmix para quem o lucro ou prejuízo agora é secundário.

“Por enquanto ainda não fomos afetados, um ou outro possível cancelamento, mas como a Aktuellmix é uma empresa que não só faz eventos, é uma empresa de comunicação integrada, promoções, incentivos, digital; ainda não tivemos esse problema, pode ser que no futuro ainda tenha, mas estamos de olho, conversando com os clientes, vendo as possibilidades, saídas, em vez de um cancelamento, um adiamento, mas o momento é de muita atenção. Mas o que eu acho que todos temos que fazer, é se preocupar com as pessoas que trabalham conosco, acho que é a maior preocupação que temos que ter, porque lucro ou prejuízo, a gente corre atrás depois.”

Fabiana Schaeffer.

A preocupação com as pessoas é a principal também nos escritórios da Netza e da Circle Aceleradora, como explica Fabiana Schaeffer

"Somente nesta semana foram cinco eventos cancelados e é claro que vai comprometer o primeiro semestre. Mas isso já está precificado. Agora a missão é cuidar do nosso pessoal e  por isso intensificamos a divulgação das ações básicas, aumento da limpeza das mesas e ambientes com álcool; manter as janelas abertas, promovendo a circulação de ar; incentivado as pessoas a utilizar álcool em gel e lenços descartáveis, disponíveis em diversos espaços do escritório; estimulado a lavagem das mãos com água e sabão além de todas recomendadas pelo governo brasileiro.", declara Fabiana.

Fornecedores refazem planos

O mercado de empresas fornecedoras, que atende tanto as agências especializadas como os clientes finais enfrentam um percentual maior no número de adiamentos dos eventos.

Cada um a seu jeito, os empresários vão se adaptando de acordo com as contingências. 

A conclusão é que o setor de live marketing, brand experience, marketing promocional enfrenta mais uma vez o estigma que o acompanha há décadas. 

Em 2020, o mercado iniciou em um ritmo fortíssimo como não se via há muito tempo. A atividade, em si, passou a ser muito mais valorizada, o que era esperado por todos. Havia chegado a hora do protagonismo? 

A pandemia veio para adiar este sonho por mais um tempo, que todos esperam seja o menor possível, especialmente para preservar a saúde das pessoas.

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