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Seis passos para criar cultura de inovação nas empresas pós-crise

Por: Redação. 9 de Outubro de 2020

Há várias definições de cultura empresarial, embora o termo seja etéreo, intangível. É aquela coisa que se explica bem no papel, mas, quando se quer exemplificar na prática, ninguém sabe muito bem o que responder. 

Segundo a obra "What You Do is Who You Are" ("O que você faz é quem você é", em tradução livre), de Ben Horowitz, fundador do VC Andreseen Horowitz, "Cultura é o que seu time faz quando você não está. Se trata do leque de crenças e pressupostos que seus times usam para resolver os problemas de todos os dias." 

A cultura de inovação é moldada pelo comportamento e o exemplo do líder, além de seus fatores facilitadores para que a cultura empresarial seja inovadora e reativa a crises. 

A cultura de inovação é diretamente proporcional aos fatores facilitadores, também chamados de key enablers, que o líder desenha na empresa, e inversamente proporcional às barreiras - cujo líder também pode colocar em prática à medida em que a empresa deseja manter o status quo.

Veja abaixo seis passos de como ter uma cultura de inovação na empresa: 

1. Recursos: É fundamental, como ponto de partida, alocar os recursos financeiros e de pessoas da forma certa para inovação, financiando de maneira correta as ideias que têm maior potencial dentro da companhia. É indispensável dedicar uma linha clara de orçamento para inovação, sem esperar dela um retorno imediato, mas acreditando em seu sucesso a longo prazo. Olhar apenas para o ROI de forma imediata é o atalho para que a companhia não financie nenhum experimento, já que toda mudança leva tempo para dar resultado. 

2. Tempo: O tempo é um aliado da inovação, e, em empresas onde o dia a dia frenético faz com que as pessoas entrem em "piloto automático", e não tenham tempo para "pensar fora da caixa", não existe inovação. Pessoas muito ocupadas não encontram tempo para ser criativas. 

Uma das empresas mais inovadoras do mundo, a 3M, tem um programa chamado 15%, que permite aos funcionários a liberdade de dedicar 15% de sua jornada de trabalho para se dedicar a tarefas que não estejam, necessariamente, relacionadas ao cargo. É preciso sempre considerar que tempo é dinheiro. Por isso, alocar tempo para inovação é um investimento por parte das companhias. 

3. Sistema de incentivos e recompensas: Um dos estudos mais famosos sobre cultura de inovação, o Organizational Culture and Innovation: A Meta-Analytic Review do Thorsten Büschgens, Andreas Bausch, e David B. Balkin, diz que a melhor forma para construir uma cultura de inovação é criar um sistema de incentivos e recompensas como em um "clã", ou seja, criando um mecanismo de incentivos e recompensas. 

Tais incentivos e recompensas podem ocorrer de duas formas: por um lado, materiais, como financeiros (tipo bônus, aumentos de salário, PLR ou até royalties vindo da inovação), ou não-materiais, que frequentemente são mais importantes ainda e incluem, por exemplo, promoções, transferências ou até oportunidades de desenvolvimento pessoal. 

4. Conhecimento e habilidades profissionais: Profissionais não nascem inovadores, mas podem se tornar. Por um lado, isso é possível através do desenvolvimento de novas capacidades e competências em trilhas de desenvolvimento que o RH costuma organizar. Por outro, há todo o conhecimento acumulado dentro da empresa, que permite aos profissionais inovadores adquirir, além dos que eles já dominam e os capacitam a construir soluções inovadoras. 

Um engenheiro da 3M, Spencer Silver, inventou, em 1968 uma cola que só tinha um problema: não colava! Ela foi deixada de lado por quase uma década, quando foi resgatada por um colega, Arthur Fry, e se tornou a base para o Post-It, cujo sucesso todo mundo conhece. Isso nunca teria dado certo se não houvesse um repositório de conhecimento coletivo de empresa. É esse tipo de aprendizagem paciente, com tentativa, erro e investimento, que cria a cultura da inovação. 

5. Colaboração e fluxo de comunicação versus hierarquia: Inovação não é um processo individual, mas um processo coletivo de brainstorming de ideias, sob pontos de vistas diferentes, e de execução coletiva para tirar essa ideia do papel e escalar a inovação. 

Para a fluidez da colaboração é preciso primar pela transparência e por um bom fluxo de comunicação. A Lego, por exemplo, entendeu que as melhores ideias vinham de seus clientes. Por isso, lançou a plataforma Lego Ideas, onde os clientes podem compartilhar suas ideias e votar nas melhores, inovando verdadeiramente na produção com foco no consumidor. 

6. Empoderamento e autonomia: Inovar não é difícil, mas pode ser impraticável se o ato de criar não estiver intrínseco à cultura empresarial. Não adianta só querer que os colaboradores criem: é de responsabilidade do líder dar a eles tempo, recursos, insumos e o que mais for preciso para que novas ideias floresçam. 

A física tem um preceito que diz o seguinte: nem sempre o que passaremos todos os anos estudando e aprimorando será descoberto ou viável em nosso tempo de vida, mas, se não começarmos agora, estaremos arrastando o desenvolvimento com a barriga. Você e sua empresa não podem ser dar ao luxo de achar que a falta de uma cultura de inovação não cobrará seu preço, porque ele vai vir. Quer pagar para ver ou prefere se adaptar e colher os louros da vitória no futuro? 

Tags: artigo | mercado organizacional | Andrea Iorio