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Eventos digitais e não digitalizados

Por: Andreas Wiemer. 8 de Dezembro de 2020

Sabemos que a interação humana é um fator determinante na hora de se decidir realizar um evento, seja ele de qualquer natureza. 

Ao longo das últimas décadas, inúmeras estruturas e facilidades para que eventos presenciais ocorressem foram construídas, e, de repente, este cenário mudou.

Empresas, entidades, associações, profissionais, escolas, universidades, músicos, artistas... a lista de modalidades de atividades que tiveram que se adaptar é gigantesca. 

Após uma adaptação abrupta aos meios digitais de comunicação, começou-se a perceber novas formas de se engajar com uma audiência, e, aos poucos, percebe-se que podemos estar próximos, mesmo estando distantes.

Quando olhamos os objetivos a serem alcançados com um evento, temos dois pilares muito evidentes: O engajamento e a absorção do conteúdo. Mas é realmente necessário que isto ocorra de forma presencial? 

Há muito tempo já se iniciou o uso de plataformas digitais para compartilhamento de conteúdo. Seja por meio de redes sociais, mídias digitais, aulas virtuais, cursos on-line e tantas outras, o Ser humano já abraçou o mundo digital desde a criação do smartphone. Na verdade, todos nós já estamos há muito tempo em busca de conteúdo por meio de serviços digitais.

Se avaliarmos atentamente a questão do engajamento, também percebemos que ele está se tornando cada vez mais digital, via plataformas de comunicação. 

Programas de TV já buscam um engajamento com sua audiência na chamada “segunda tela”; compras on-line, famílias e amigos se entretêm em conversas em aplicativos de bate papo, jogos on-line com transmissão ao vivo para espectadores que querem ver outras pessoas jogando! Tudo isto, e muito mais, já acontece há bastante tempo. Agora, chegou o momento de todos terem que se adaptar.

Olhando de perto, eventos digitais podem trazer muitas vantagens se comparados a eventos presenciais. Custos de locação de pavilhões e centros de convenção, contratação de serviços de catering, segurança, limpeza, montagem de estandes, custos para os participantes como deslocamento, hospedagem, alimentação, e, claro, o custo do tempo para conseguir chegar num evento e realmente ter acesso ao conteúdo que se deseja obter. 

Como estamos tratando de um novo modelo social, é natural que sejamos tentados a transformar eventos anteriormente presenciais em eventos digitais. 

Isto traz a necessidade de se reavaliar exatamente quais os jobs que os eventos realmente trazem, e buscar atender a este objetivo.

Quando olhamos o que o iFood fez com o negócio do delivery de comida, fica claro que recriar a experiência real na virtual não funciona. 

Precisamos literalmente desmontar o objetivo da ação de pedir um prato de comida a um restaurante, e remontá-la novamente para uma experiência digital.

Imagine que, para pedirmos um lanche no iFood, o aplicativo mostrasse uma imagem 3D do restaurante, em que você teria que clicar na porta para entrar, então entraria numa tela onde tivesse um atendente para realizar o pedido, e, após o pagamento, você acompanharia ao vivo o motoboy entregando seu pedido na sua casa. 

Absurdo, não? É o que acontece com a realização de eventos digitais. Quem organiza um evento digital não pode ter seu foco na construção de um ambiente virtual complexo, com portas de acesso a diferentes lobbies e salas, estandes de patrocinadores ou expositores imitando um estande real (em 3D) e esperar que mil pessoas entrem em uma sala de bate-papo para que todas possam interagir umas com as outras.

A tecnologia deve estar a serviço do job a ser atendido, e não o inverso. Não podemos exigir que participantes de eventos digitais tenham que navegar por inúmeras páginas para chegar ao conteúdo desejado, na hora desejada, e tão pouco obrigá-lo a falar ao mesmo tempo com várias pessoas numa sala de chat.

A estatística mostra que 64% das pessoas assistem eventos digitais por meio de smartphones, em vez de PC ou laptop. E muitas delas estão em trânsito, ouvindo apenas uma palestra enquanto dirigem, ou enquanto aguardam uma consulta médica. 

As pessoas querem poder absorver conteúdo na hora que quiser, puder ou precisar. Para isto, a plataforma precisa oferecer uma experiência simples, direta e principalmente, funcionar.

Voltemos ao exemplo do participante de um evento que está em deslocamento. A qualidade da conexão disponível para ele será alterada constantemente. Ora 3G, ora 4G, ora Wi-Fi. Criar um ambiente pesado e complexo para realizar um evento digital é um erro grave. Fatalmente propiciará ao participante uma experiência ruim, se não desastrosa.

Como especialista no atendimento a eventos digitais, percebebo que organizadores de eventos acabam buscando soluções que retratam um evento presencial para dizer que realizaram o evento. Mas e a experiência do participante? 

Não é raro vermos que eventos digitais previstos para mais de 5 mil pessoas acabam tendo uma audiência de pouco mais de 100. A retratação do ambiente real em virtual pode ter sido maravilhosa, mas pode também colocar em risco o sucesso de um evento inteiro.

É preciso, portanto, pensar de forma simples, e focar nossos esforços na qualidade do conteúdo e comunicação visual. Vamos deixar o design simples e a transmissão serem os grandes protagonistas, e a plataforma ser apenas um veículo condutor. 

Queremos que os passageiros, além de chegarem ao seu destino, tenham uma viagem confortável, uma ótima experiência, ficando satisfeitos em ter obtido seu conhecimento e conseguir manter o engajamento com a audiência após o evento.

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