Douglas Faustino

Evento NÃO tem que ser SÓ memorável

Com uma visão crítica e direta, Douglas Faustino propõe um resgate da essência estratégica dos eventos corporativos: gerar valor real para marcas, com foco em performance, mensuração de resultados e impacto nos negócios — e não apenas em experiências vazias de propósito.

Evento

Evento tem que dar ROI. Ponto. E se você trabalha com brand experience como eu, sabe que isso é verdade. Nossos clientes não vêm até nós sonhando com algo memorável — eles vêm com objetivos claros de negócio.

Sabe o que me deixa irritado? Essa mania que todo mundo pegou de falar que evento tem que ser memorável. Eu trabalho nesse mercado há mais de uma década e as pessoas não falavam sobre isso antes, agora está por toda parte, mas não sei se as pessoas racionalizam sobre isso e como esse memorável se encaixa de fato no nosso mercado.

Depois que o ChatGPT explodiu, todo mundo no nosso mercado começou a usar esses termos como experiências memoráveis e momentos inesquecíveis. Isso são termos gerados por LLM que não têm embasamento nenhum na experiência real do nosso mercado. A gente trabalha com brand experience, não com entretenimento.

Entendo de onde vem essa história. Todo mundo quer se destacar, quer parecer inovador, quer vender essa ideia de que faz eventos diferentes, e eu sei que o entretenimento junto com o marketing tem um poder gigante para os nossos clientes. Mas a real é que a gente tá perdendo o foco do que realmente importa pro nosso negócio e pro negócio dos nossos clientes.

Ontem mesmo tava numa reunião com um cliente que queria algo que ninguém nunca viu, e quando perguntei qual era o objetivo de negócio dele, o cara meio que travou. Não sabia explicar direito como ia medir se o evento foi um sucesso ou não.

Isso me preocupa porque tô vendo muita gente boa do mercado embarcando nessa onda e esquecendo do básico. A gente não tá aqui pra impressionar Instagram de ninguém. A gente tá aqui pra entregar performance, pra fazer o negócio do nosso cliente crescer e, consequentemente, o nosso também.

E olha que eu não sou contra inovação ou criatividade, longe disso. Eu cresci dentro do mercado fazendo e participando de eventos incríveis, com cenografias lindas, tecnologia de ponta, ativações super criativas. Mas tudo isso sempre teve um propósito claro: gerar resultado mensurável.

Sabe qual é a diferença entre um evento que funciona e um que não funciona? Não é se as pessoas vão lembrar dele daqui a cinco anos. É se o cliente conseguiu atingir os objetivos de negócio dele. É se o ROI foi positivo. É se ele vai querer fazer de novo. É se as pessoas que estavam lá realmente se conectaram com a marca, com o produto, com a mensagem que ele queria passar.

Evento memorável é show do Paul McCartney. É casamento. É formatura do seu filho. Evento corporativo é ferramenta de trabalho, é investimento, é estratégia. E a gente precisa parar de romantizar isso e voltar a focar no que realmente gera valor pro nosso cliente e pro nosso resultado.

Essa coluna vai ser assim: opiniões diretas de quem vive isso todo dia, sem texto copiado de LLM. Quero que você, depois de ler, sinta que ganhou 15 minutos do seu dia e volte aqui para as próximas atualizações.

Douglas Faustino
Douglas Faustino

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Designer e cenógrafo com 18 anos de experiência em projetos de cenografia voltados para brand experience. Com olhar técnico e sensível, traduz sua vivência prática em análises que revelam tendências, movimentos e transformações do mercado de eventos.

Designer e cenógrafo com 18 anos de experiência em projetos de cenografia voltados para brand experience. Com olhar técnico e sensível, traduz sua vivência prática em análises que revelam tendências, movimentos e transformações do mercado de eventos.