Vamos incentivar o consumo?

04/08/2019


Claro! Mas de que forma? A mais fácil é injetar dinheiro na economia. E qual a estratégia? Liberar parte dos recursos das contas ativas e inativas do FGTS. Brilhante! Só que não...

Esta estratégia já foi usada anteriormente, inclusive recentemente, no Governo Temer. Mas será que sou só eu quem pensa que isto não resolve e não passa de uma medida paliativa?

Vou explicar: O cidadão não está consumindo por que não tem dinheiro ou por que está inseguro sobre seu futuro próximo?; Não tem dinheiro por que não tem emprego, ou por que está com dívidas no cheque especial ou no cartão de crédito?, para as quais paga juros abusivos de mais de 10% ao mês, em uma tão alardeada economia estável, com inflação controlada perto dos 3% ao ano; está inseguro sobre o futuro por que depositou uma grande expectativa na recuperação econômica do país, e, até agora, já no segundo semestre, continua esperando o ano de 2019 começar.

A liberação esporádica, ainda que repetida anualmente de R$ 500 por indivíduo, na minha leiga opinião, só é justificada enquanto grandes números (ex.: injeção de R$ 30 bilhões na economia). Para o cidadão comum, ajuda a curto prazo, sim, apenas para reduzir temporariamente uma ou outra dívida, mas não para fazê-lo consumir mais.

A tentativa de aumento de consumo fundamentada em bolhas, está mais do que provado, é fadada ao insucesso. Não adianta R$ 500,00 a mais no bolso de um indivíduo enquanto empresas multinacionais tradicionais fecham fábricas e descontinuam linhas de produção.

Pequenos empresários nacionais entram e saem do mercado com uma rapidez fulminante, por falta de condições de competitividade. O desemprego continua alto, no entanto, são muitos os postos de trabalho não preenchidos por falta de capacitação.

A reforma da previdência é fundamental? Claro! Mas acredito que ficou provado que apenas ela não está resultando em recuperação do País. Em artigo publicado no UOL em 19/06/2019, Vinicius Pereira escreve: “Apesar da comemoração de agentes do mercado pelo recorde de mais de 100 mil pontos do Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira, essa é apenas uma marca nominal. O recorde real ainda está longe de ser alcançado. Isso quer dizer que a pontuação considera o valor presente das empresas listadas na Bolsa. Portanto, o atual recorde não considera a inflação acumulada no período. Para exemplificar, R$ 50 hoje valem menos que R$ 50 no passado."

Segundo a estimativa, o recorde só será quebrado ao passarmos de 137.000 postos. Ou seja, em conta de papel de pão, o mercado de ações precisa crescer, pelo menos, mais 37%, para igualar o ano de 2008.

Entendo que, para nós do mercado de live marketing, ainda não há o que comemorar. Àqueles mais incautos otimistas, recomendo parcimônia nas revisões de metas para 2019 e 2020.

Acredito que estes R$ 500,00 a mais no final do ano, não chegarão sequer a mexer em algum resultado. Como ficará o início do ano que vem? Podemos investir nas nossas empresas? Podemos formar equipes? São perguntas, a meu ver, ainda sem resposta segura.

Para mim, esta onda está mais para um jacaré em prancha de isopor que para um tubo em uma Gunzeira*.

 

* Criada no Havaí, a Gun ou a “Gunzeira” como é muito chamada aqui no Brasil, é uma prancha para onda grandes (para não falar gigantes). As guns são feitas a partir de 8” pés. Apesar de se aproximar muito do tamanho de um longboard ela é totalmente diferente. O outline (formato) dela é muito mais pontiagudo e possui menos contato com a água. Esse formato permite que a prancha fique muito mais segura mesmo em alta velocidade das ondas gigantes. Essa prancha é específica para ondas grandes se você está procurando algo desse tipo para surfar, é porque já é um expert no surf.

 

Por Antonio Salgado.

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