Procura-se um novo coelho para os shopping centers

04/04/2019


Nem bem terminou o Carnaval, e os Ovos de Páscoa já estão disponíveis, indicando uma possibilidade de incrementar as vendas e o consumo.

Para a maioria dos shopping centers, os preparativos para um evento infantil que tenha coelhinho e ovos estão sendo finalizados, buscando oferecer entretenimento e experiência para a criançada nos seus corredores físicos e de forma virtual.

No entanto, é interessante fazer uma reflexão em torno da transformação de comemorar esta data ao longo da história, considerando significados distintos para cada povo.

A palavra Páscoa vem do hebraico Pessach, cujo sentido simbólico é de “passagem”, comum às celebrações pagãs (passagem do inverno para a primavera) e judaicas (da escravatura no Egito para a liberdade na Terra prometida). Entre os cristãos, trata-se de uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo.

Os povos do Mediterrâneo tinham uma festa pagã para comemorar a chegada da primavera, um período em que o Sol nascia e trazia a fertilidade para as novas plantações. Cultuavam a deusa Ostera (Esther) deusa da primavera e da fertilidade.

A figura desta deusa era representada por uma mulher com ovos na mão observando um coelho saltitante, símbolo da chegada de uma nova vida. Chamavam esse período de Páscoa (Easter em inglês). Na comemoração eles pintavam ovos e davam de presente entre si.

No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento, a vida. Era também o símbolo da fertilidade e da abundância da vida

Os ovos de chocolate vieram substituir os ovos pintados. As civilizações dos maias e astecas consideravam o chocolate como algo sagrado, tal qual o ouro.

A tradição do Coelho da Páscoa foi trazida para a América pelos imigrantes alemães em meados do Século XVIII: o coelho “visitava” as crianças e “escondiam” os ovinhos para que elas os procurassem

Para a doutrina espírita, a Pásco deve acontecer todos os dias de nossas vidas. Acordar e se predispor a ser melhor do que ontem. Todos os dias, parar por alguns instantes e perguntar, o que preciso mudar em mim? Onde estou errando? Sem culpa, sem cobranças, mas com o verdadeiro propósito de mudar.

Aprendendo um pouco com a história, sabemos que os significados e a forma de interpretá-los entre diferentes culturas, evoluem e se transformam, assim como o comportamento, padrões de consumo e valores das novas gerações.

Neste contexto, importante que os profissionais que atuam de forma direta ou indireta com shopping centers compreendam que não é só a tecnologia que é inovação, mas que é preciso ter uma mudança de mentalidade.

Entender profundamente quais são as “dores e as alegrias” do seu modelo de negócio. E como dizem os profissionais do Vale do Silício - quando você não tem vergonha de lançar a 1ª versão do seu produto/evento/experiência, é porque você lançou seu produto tarde demais.

Talvez estejamos chegando próximos ao movimento oposto que gerou a popularização do modelo de shopping center.

Os shoppings representam bolhas espalhadas pelas cidades, característica também dos clubes, academias, condomínios fechados residenciais e comerciais, diminuindo a relação com o diferente, abafando a pluralidade, refletindo a ilusória segurança de um ambiente controlado e de uma convivência entre iguais.

Assim como os adeptos ao veganismo vêm crescendo e usuários de patinetes alugados também, mover-se do seu trabalho/escola, para seu shopping/clube, em um carro do ano próprio, já não são anseios desta nova geração. Sem falar nos valores intrínsecos que mudam a cada dia.

Esse movimento acelerado faz com que soluções antes inovadoras se tornem obsoletas numa velocidade assustadora. O que era disrupção ontem, hoje é essencial e, amanhã fará parte da nossa memória.

E assim, com esta linha mestra, este fio condutor que está em todos os significados da Páscoa – a renovação da vida – é que deixo a pergunta: Os shopping centers estão mesmo renovando seu modelo de negócio?

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