Duas companhias brasileiras, Natura e BRF, estão entre as 100 mais sustentáveis do mundo segundo a Corporate Knights, empresa canadense de informações financeiras.
O levantamento foi divulgado dia 22/01 no Fórum Econômico Mundial, em Davos. O Brasil perdeu posições no ranking. Natura, que tinha aparecido da lista do ano anterior em segundo lugar, hoje ocupa a 23ª posição. BRF estreia no 95º lugar, enquanto Cemig, Vale e Banco do Brasil deixaram o grupo.
A Corporate Knights busca reunir as companhias de melhor desempenho na área de sustentabilidade em seus respectivos setores em um índice, o Global 100. Entram no páreo empresas listadas em bolsas de todo o mundo com capitalização de mercado superior a US$ 2 bilhões.
Desde sua criação, em fevereiro de 2005, até o ano passado, o Global 100 entregou retorno total de 91,01%, ou seja, 3,94% acima dos 87,06% do que é considerado seu referencial, o MSCI All Country World Index (ACWI), que abarca empresas de 23 mercados desenvolvidos e de 21 países emergentes.
O Global 100 também superou dois outros índices de sustentabilidade. O indicador da Corporate Knights bateu o Dow Jones Sustainability Index em 28,46% e o FTSE 4 Good Index em 37,94% desde fevereiro de 2005.
No método usado, a intenção é desmembrar a sustentabilidade em vários componentes e se ater aos números. Para fazer parte do índice, as empresas são avaliadas a partir de 12 indicadores quantitativos, como a receita gerada por unidade de consumo de energia, a relação entre o salário do presidente da companhia e o de um trabalhador médio e o percentual de mulheres na gestão.
No topo do ranking deste ano aparece a australiana Westpac Banking Corporation, provedora de serviços financeiros com receita anual de US$ 38 bilhões e 36 mil empregados. Em seguida estão a Biogen Idec, empresa de tecnologia com sede nos Estados Unidos, e a Outotec Oyj, companhia finlandesa de bens de capital e tecnologia para mineração.
As empresas americanas são as mais presentes no índice, com 18 das 100 posições. O Canadá tem 13 companhias, seguido por Reino Unido e França, cada um com oito. Os mercados emergentes têm somente três representantes na lista. Além das duas companhias brasileiras, uma chinesa integra o Global 100.
Em termos de setores, o financeiro é o mais presente, com 22 posições. Os segmentos de consumo discricionário, ou seja, de itens considerados não essenciais, e de tecnologia da informação têm, cada um, 12 empresas.
Não há uma resposta precisa para a relação entre sustentabilidade e desempenho das companhias, diz Michael Yow, analista da Corporate Knights. “Isso exigiria uma pesquisa detalhada sobre as relações causais, com o isolamento de outros fatores potenciais de contribuição”, afirma. Ele lembra que, na própria seleção para o índice, companhias que não desempenham bem tendem a não se classificar.
Seja como for, Yow considera que uma boa performance em questões sustentáveis é um indicativo da boa qualidade da gestão da companhia e da capacidade de dar o destino correto a problemas que as empresas enfrentam hoje, como a energia cada vez mais custosa. Entre as questões de sustentabilidade com as quais as empresas vão precisar lidar para ter bom desempenho financeiro, a Corporate Knights apontou ainda, no relatório de divulgação da pesquisa, a escassez de água e a crescente competição por capital humano.