Marqueteiros, “O Marketing deu ruim”!

10/08/2019


As Universidades, ainda hoje, têm formado profissionais de Comunicação e Marketing dentro do escopo do que preconizam as ementas e o currículo de Comunicação Social e Marketing, defasados em relação ao que preconiza o mercado.

Muito da bibliografia e dos ditames da relação emissor x receptor da mensagem e dos quatros “P” se perderam no tempo.

Na época em que não mais se discute se o mundo é on ou off-line, por já sabermos que ele é all-line, as discussões acadêmicas, que formam os profissionais que vão buscar vagas no mercado de trabalho em agências de publicidade e propaganda e nas áreas de Marketing, são menores e nada práticas.

Ah, e não existem mais agências de publicidade e propaganda, elas atendem por singelos nomes de agências de comunicação, com sobrenomes como Full, 360, Total, Integrada... e por aí vai.

Mudaram de nome porque ninguém mais cai na esparrela de que só publicidade e propaganda resolvem os problemas de comunicação dos clientes.

Pior são os “4 Ps”. Até o querido Kotler já sabe que a coisa mudou, mas ainda existem professores apegados aos livros e fichas que usam em salas de aula, falando de coisas que o aluno, numa simples pesquisa no Google, vai desmascarar.

Preço, hoje é percepção de valor. O que tem valor não tem preço, na verdade é disputado não por consumidores mas por fãs, gente capaz de guardar dinheiro para ter algo que, no fundo, custaria mais barato se, ao invés de uma maçã mordida, tivesse um outro ícone. Diria mais que as coisas hoje não têm preço.

Imagine, por exemplo uma sandália Havaianas nos anos 80. Era uma sandália para se colocar nos pés somente e andar por aí, livre, leve e solto, baratinhas, mas quanto ela custa hoje, quando é moda, fashion? Mesmo produto. Mesma percepção de preço?

Produto. Produto, quando colocado como base do marketing, não considerava a China. Hoje, na nossa natureza nada se cria, tudo se copia. Novamente o valor das coisas vem à tona. Commodities. Era, no passado, resultado de um processo longo, que envolvia design, algo sempre físico que ia para o mercado ser comprado.

Mas... hoje nos confundimos. O que é produto e o que é serviço? E o que é problema, já que tudo o que criamos hoje visa resolver desejos e aspirações de quem define o que quer. O tal consumidor.

Rodofo Garcia no seu texto “Universo do Marketing e a morte dos 4 Ps” coloca o seguinte: A China mostrou ao mundo que não precisa de criadores e sim copiadores, e o mundo lhe devolveu dinheiro, mostrando a todos que nomes e marcas são irrelevantes para a maioria da população mundial, mas no detalhe maior desse composto analise, o produto em si é a própria necessidade do mundo. O sexo, por exemplo, é um produto? É um serviço? Não. É uma necessidade. De quem? Da sociedade, que busca através disso se libertar da vida real.  Produtos não existem mais, existem necessidades a serem descobertas conforme a demanda da sociedade.

Ou seja, o que se precisa saber hoje não é que produto a sociedade, o homem, precisa, mas quais suas necessidades, aspirações e... colocá-las à venda.

Praça nem é mais física, exclusivamente. A web acabou come ela. A praça não é mais nossa (me desculpe o Carlos Alberto de Nóbrega). A praça é o site, o smartphone, o quiosque, o truck, a minha casa, a rua... caraca. Multicanal, nas nuvens, inclusive.

E a Promoção? Isso é live marketing. E falamos outro dia, mas as promoções nem são mais as mesmas, ainda valem, mas...

E nessa pequena “falação” já percebemos que estão formando marqueteiros menores. Vejam, falei menores porque a palavra marqueteiro já foi de uso corriqueiro. Ninguém temia ser chamado assim tempos atrás.

Mas o tempo, o despropósito, a enganação e gente que se autointitulou assim, porque esse título, aos poucos, foi perdendo valor, acabou dando aos profissionais formados em Marketing um desprestígio indevido.

Bom dizer que muita gente, nas Universidades descaracterizadas de seu propósito formacional, foi buscar diploma de Marketing e não formação na disciplina. Aí, novatos despreparados para o que o mercado necessitava, fizeram MBAs “nas coxas” e foram trabalhar nas empresas.

As empresas já não acreditavam nas fórmulas mirabolantes dos homens dos “Pes”, porque suas estratégias e planos costumavam dar água, pois não consideravam os mercados de verdade, mas as teorias fracassadas ou fora de tempo que aprenderam em livros ou com professores que não trabalhavam no... mercado.

Os salários do Marketing foram diminuindo. Os caras bons, tanto os profissionais de Marketing de verdade que existiam, quanto aqueles que não estavam na Faculdade para comer merenda, ouvir professor apenas, mas para ler livros, artigos, textos relevantes, inclusive na web, pesquisar, ler muito mais que a bibliografia dada, escrever monografias de verdade, sem comprar pronta, aqueles que acreditavam em si e em construir algo novo e escrever um novo livro foram ficando escassos, mudando de ramo, abrindo consultorias, ou sendo contratados pelas grandes empresas no nome e na prática.

Já os outros, os profissionais de Marketing fakes, viraram massa de manobra, enfeites em empresas medíocres, algumas que até se diziam grandes. Aceitaram salários medíocres também, perderam espaço, voz e influência nas decisões de marca, perdendo mais, o seu espaço para os caras de Compras e Suprimentos. Aqueles que só querem baixar o valor do job e da marca.

Para manter seus empregos, aceitaram tudo, tudo mesmo, inclusive o ridículo de serem os últimos a falar sobre brand, eventos, comunicação, pois, assim como essas atividades, eram medidos por serem os mais “baratos”. O nome marqueteiro então virou sua sombra negra.

Os que resistiram é que podem mudar isso.

Porque, amigos, “o Marketing deu ruim” pra todo mundo.

 

Por Tony Coelho.

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