Chega de crise

05/04/2019


Neste Brasil maravilhoso, escola e celeiro de tantas crises, confesso, estou igualmente entrando em crise, acho que perdi a validade, a autoimunidade.

Estamos de costas para a realidade, a palavra crise tomou conta da mídia, da sociedade, do mundo.

Nada e ninguém está isento, “não temos a porta dos fundos”, aliás, não adianta fechar os olhos, ouvidos e a boca, a virulência das informações não perdoa nem os otimistas de plantão.

Se omissos, corremos o risco de sermos tachados de alienados ou coisa pior frente ao massacre midiático. Se entrarmos no clima crítico, de quem só vê o lado negativo, aí somos reacionários e pessimistas.

Na falta de grandes notícias, de grandes movimentos culturais e políticos, de grandes iniciativas de projetos sociais, somos alimentados diariamente por informações constantes da mídia, de julgamentos tendenciosos via um universo de eruditos, do frentista ao motorista de táxi, além de todos os outros tipos viróticos sem demérito de informação. Uma enxurrada de informações, na maioria negativas.

Começam no café da manhã, e não têm hora para terminar, inclusive, têm a capacidade de ofuscar todas as outras que naturalmente fazem parte do nosso cotidiano.

Antes de ser considerado reacionário, é bom deixar claro que não sou apologista de esconder ou manipular informações, do distanciamento ideológico da realidade, no mínimo o dever da isenção e da intolerância ideológica.

Gostaria de ver o equilíbrio das informações de um jornalismo isento, sem a massificação do pessimismo que está tomada conta da sociedade.

Uma informação que gerasse incentivo e motivação, planos criativos. Ainda que nem todas as iniciativas dêem certo, a sociedade e a classe empresarial precisam acreditar, investir em inovação, jogar fora modelos mentais ortodoxos.

Precisamos criar mais empregos, manter os atuais, dar tranquilidade aos brasileiros mais do que penalizados pelas permanentes intempéries a que são submetidos.      

Ainda que aparentemente existam várias crises, a nossa, a real, é a da sociedade preocupada com a atividade e a sobrevivência.

A crise que os nossos líderes esnobam e endossam à globalização ao capitalismo dos países ricos.

A crise social, a crise da consciência, é infelizmente uma prerrogativa em desuso.

A crise da elite política preocupada com os seus conchavos geopolíticos.

A crise da receita, preocupada em compensar uma eventual perda das receitas fiscal e tributária, a crise da previdência.

A crise dos grandes pensadores estratégicos do Brasil, preocupados em como justificar a continuidade de impostos, de achaques, de aumentos, todos na contramão das ações do mundo global.

A crise existencial de como continuar pagando a educação e saúde dos nossos filhos.

A crise de sobrevivência dos nossos aposentados.

Crise é endêmica, está viva e tem que ser encarada pela sociedade como uma tempestade temporal para ser combatida de forma construtiva.

Todos sem exceção têm um compromisso, lutar pela sua extinção, sem oportunismos, especulação ou demagogia.

Cabe ao governo reger uma mobilização a todos os níveis, sem populismo, sem espírito de palanque eleitoral, sem oportunismos, compromissado, sem querer levar vantagens, integrado aos meios de comunicação, divulgando ações estratégicas capazes de debelá-la, e, acima de tudo, ressaltar a complexa tarefa de demonstrar para a sociedade o seu real compromisso.

A mesma força midiática usada para divulgá-la deve ser usada para gerar otimismo, motivação, incentivando as organizações, a sociedade no desenvolvimento de modelos de desenvolvimento sustentável, modelos que se sobreponham às crises, não só as econômicas, mas também, as energéticas, de saúde, crises de valores, de violência.

Empresas e sociedade não podem mais ser administradas com improvisos ou ações populistas.

Vamos transformar a crise num ato de cidadania. O momento não poderia ser mais propício para debater um novo modelo de desenvolvimento sustentável, empresas, governos e cidadãos, dispostos a contribuir, a minimizar seu impacto, mudando hábitos e criando novos paradigmas.

A crise econômica mundial, considerada a pior de todos os tempos, faz engrossar o coro generalizado dos descontentes. A sociedade reclama frente aos modelos do sistema econômico social e político, que não podem, não devem mais continuar.

Não são adequados, são modelos egoístas, injustos, modelos com dois pesos e duas medidas, incapazes de enfrentar a maioria dos problemas sociais mais prementes da sociedade.

Torna-se necessário uma mudança, uma mudança que minimize a crescente desigualdade global de riqueza, da distribuição de poder, uma mudança coletiva, não somente de responsabilidade do governo, é hora de saber usar as múltiplas inteligências, e harmonizar os anseios da sociedade brasileira. 

Não temos um salvador, um Barack Obama, mas temos que acreditar que algo melhor pode estar por vir.

Não gostaria de terminar sem antes colocar uma questão a todos os que tiveram paciência para ler o meu artigo, não é futurologia, mas o que cada um de nós pode ou está fazendo?

Mesmo sabendo que a grande maioria não tem poder para mudar os rumos da economia, aliás, nem somos escutados, como podemos participar usar o exercício da cidadania?

Como podemos ter representatividade? No mínimo igual a que temos quando se trata de pagar as pesadas contribuições a que estamos sujeitos.

E nós homens de comunicação? Clientes.

Como podemos contribuir para igualmente minimizar os riscos reais e especulativos, que assombram as nossas atividades?

Entidades de classe, agências, veículos, homens de comunicação, está na hora de sentar, de refletir, de fazer propostas concretas.

Senhores comunicadores vamos usar o prestígio pessoal, vamos sair da mídia elitista, dos grandes programas de auditório, vamos convocar as grandes figuras notórias do mercado e agir, temos que pensar um pouco menos no pessoal e pensar mais no coletivo, o Brasil agradece.

Não importa se vai aparecer a figura a ou b ou c, importa que temos uma causa, por sinal justa.

Temos diante de nós uma nova realidade, uma nova bandeira, um novo desafio, temos também um espaço para novas oportunidades, talvez sem louros provavelmente com grandes resultados.

 

Por Edmundo Monteiro.

TAGs: artigo edmundo-monteiro geral