Trabalhar com comunicação para marcas não é uma tarefa simples. Os desafios são cada dia maiores, indo desde a tecnologia que dia a dia acelera as próprias transformações e exigem que os profissionais do setor se atualizem constantemente.

O grande desafio do profissional moderno

13/09/2017

Trabalhar com comunicação para marcas não é uma tarefa simples. Os desafios são cada dia maiores, indo desde a tecnologia que dia a dia acelera as próprias transformações e exigem que os profissionais do setor se atualizem constantemente, passando pela urgência das marcas em conquistar resultados em vendas para ontem, chegando então a um mercado que pode ser ainda mais organizado, com processos que facilitem o cotidiano de todos os seus players. Desafios não faltam.

Mas acho que o maior desafio que temos hoje é relacionado a nós mesmos. A conseguir quebrar, mesmo que por alguns minutos, a bolha onde estamos contidos.

Se antes esta bolha era experiencial, cultural, de valores e gostos pessoais, os algoritmos das mídias sociais a potencializaram ao cubo (tema que já trarei aqui). Assim, conseguir sair um pouco da nossa própria bolha no momento de criar, planejar ou executar um projeto é fundamental. É isso ou é isso.

Se conseguir sair de dentro de nossa própria bolha já e complicado e quase (eu acredito no quase) impossível, talvez já seja de grande valia perceber, entender e aceitar que vivemos numa bolha.

Não a perceber é ainda pior que não conseguir sair de dentro dela. Trata-se de um exercício de reconhecimento próprio, humildade, mas principalmente de sobrevivência nestes tempos modernos.

Nasci, cresci, vivo e trabalho na capital paulista convivendo com gente de classe média. Ou seja, numa bolha extremamente pequena, que nunca poderá representar o que é o país, ou até mesmo a própria cidade que vivo. Dentro desta minha bolha há tantas formas de recepção de informações, vivências e experiências distintas, que outras bolhas se formam dentro dela própria.

E eu, por minha vez, preciso tentar sair de todas estas bolhas para encontrar algo cada vez mais em falta: empatia. A arte de se colocar e enxergar o mundo através do olhar do outro.

Empatia não esta em falta por conta da ausência de vontade, não. É por conta da velocidade das transformações, distribuição não democrática das informações (cada um tem acesso a algo diferente – voltamos aos algoritmos da internet), e necessidade das respostas rápidas. Não há tempo para pensar. Imagine então se colocar no lugar do outro...? Alias, outros tão diferentes...

Na própria capital paulista apenas 50km podem separar famílias que vivem na era dos Jetsons e dos Flintstones. Pessoas que entendem a luta pelas causas mais populares da atualidade como urgentes ou repletas de mimimi. Gente que almoça coxinha ou pão com mortadela – e claro, os que não almoçam.

Para criar, planejar ou executar um projeto para os outros, precisamos entender a vida dos outros. Se fosse possível, viver a vida dos outros. Precisamos conseguir ir além da nossa bolha para, neste momento, ser menos eu e mais nós. Isso fará não somente sobrevivermos profissionalmente, mas como de bônus nos propiciará falar menos bobeira.
 


Fonte:: Redação