ESG

Uma questão de escolha: omissão ou mudança?

Apesar desse processo inovador, inclusivo e seus vários senões, ainda hoje, 91 anos depois, as mulheres são algumas das menores representatividades em cargos decisórios e de gestão.

O mundo corporativo nunca foi tão high tech: o uso da Inteligência Artificial (IA) e da Web 3.0 está nas pautas, criando profissões e tornando profissionais e métodos obsoletos, em uma velocidade nunca vista. E como isso impacta as pessoas? Na perspectiva de ESG, tudo se conecta a uma questão de escolha: omissão ou mudança? 

Vou embasar essa reflexão com o tema “Mulheres”, afinal acabamos de sair do mês de março. As águas de março dão o tom de homenagens em cores pastel, perfumes e presentes são oferecidos para dizer que as mulheres são importantes. Mas como você percebe esse movimento? Afinal, durante todo o mês houve homenagens e discussões das quais geralmente só mulheres participam.   

O dia 8 ainda é um marco global para falar sobre autonomia e direitos femininos. Em alguns grupos, fala-se sobre as mulheres que não têm os recursos básicos, intensificam-se as ações para olhar aqueles direitos negados a muitas, como as escolhas sobre o próprio corpo; sobre as suas decisões de vida; sobre não seguirem o que é socialmente “correto”. Apesar de tudo isso, os dados acerca do feminicídio sobem todos os meses, mostrando que pouco tem mudado devido às várias omissões. 

No contexto histórico, precisamos lembrar da baixa representatividade feminina nos cargos que decidem as leis, as políticas e as normas. Você sabia que, no Brasil, o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher? Através do Código Eleitoral de 19324, conquistou-se o direito ao voto feminino e o direito de mulheres serem eleitas para cargos no executivo e no legislativo. 

Apesar desse processo inovador, inclusivo e seus vários senões, ainda hoje, 91 anos depois, as mulheres são algumas das menores representatividades em cargos decisórios e de gestão em todos os âmbitos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. E, se migramos para os extratos da interseccionalidade e da transversalidade, a representatividade é ainda menor. Isso se reflete nas ações que deveriam ser mais efetivas para promover redução nos extremos sociais nos quais vivemos, e que sofrem com a omissão das pessoas envolvidas em cargos que definem metas e investimentos.  

E é muito importante que as pessoas decisoras queiram sair da omissão!  

Várias empresas entre as maiores do mundo só passaram a incluir mulheres em seus conselhos devido à pressão do mercado por políticas ESG mais efetivas. Foram anos de pesquisas publicadas mostrando quanto a diversidade incrementa a produtividade e a inovação, mas, mesmo assim, era mais fácil gerir com elas na linha de comando abaixo e não no mesmo nível. Ainda nesse tema, assisti a uma palestra de uma conselheira sobre sucessão familiar, que comentou que um dos mercados que mais sofrem com esse processo é o do agronegócio. Hoje há filhas e netas assumindo negócios multimilionários sem estarem casadas, ou seja, contrariando toda uma estrutura secular de poder masculino, e a etapa mais difícil é a de entregar esse poder a elas.  

Recentemente, cocriei uma trilha para um evento, e o foco foi pensar em ações antirracistas, facilitar a inclusão e as mudanças. Na organização, havia pessoas do segmento de viagens e turismo para o ambiente corporativo. Foram propostas várias temáticas para criar momentos de reflexão e conexão, facilitar a busca de novos caminhos que poderiam reduzir a omissão e seus impactos, inclusive trazendo ações sob a perspectiva das melhores práticas em ESG.   

O segmento tem boa representatividade feminina nos cargos até média gestão. No entanto, a baixa representatividade nos cargos de alta hierarquia impactou diretamente na presença de CEOs e pessoas de nível executivo nas discussões, pois tem-se a premissa do “se não sei, não me cabe”. Ou seja, dificilmente haverá mudanças que serão levadas adiante, por mais que as pessoas tenham saído repletas de ideias, porque a omissão permite que não haja mudanças.   

Imagino você esteja pensando: “Ok, ‘dados’… Mas e agora? O que eu faço?”. Tem muita coisa a ser feita, quer ver?  

Conecte-se!

A tecnologia é uma grande aliada para fomentar dados, trazer realidades fora de nosso cotidiano e criar ambientes mais acessíveis e que permitam atuar em equipes plurais de qualquer lugar do mundo.  

Humanize-se

Precisamos cuidar das relações humanas, da comunicação fluida e não violenta, além de garantir o senso de pertencimento das pessoas, pois, sem isso, equipes inteiras adoecem, perdem produtividade e não inovam. Elas entram no modo de sobrevivência e isso é insalubre.   

Não é apenas ter a ferramenta. É preciso fazer o melhor uso, porque nenhuma IA dará conta disso. Há urgência em fazer diferente! Precisamos mobilizar energias para promover mudanças reais. Sendo assim, não cabe mais ficar dizendo o que “o outro” tem de fazer. Mudar dói e precisa começar de dentro para fora. E como construir algo totalmente diferente se fizermos tudo igual? A solução dos grandes dilemas vem das ações coletivas. No entanto, a escolha entre omissão e mudança é individual. Se ainda não sabe como, #borasomar!