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Eventos carnavalescos são cancelados em mais de 90 cidades

Por: G1/RS. 1 de Fevereiro de 2016

Ao menos 94 cidades do Rio Grande do Sul terão suas festas de Carnaval comprometidas neste ano.

O levantamento é da Federação das Associações de Municípios (Famurs), ainda com resultado parcial. Já foram consultadas 118 prefeituras. O Estado tem 497 cidades.

Foto: Divulgação.
Carnaval em Cruz Alta, considerado o terceiro maior do Estado, foi cancelado em 2016.

A mudança nos planos, de acordo com a Famurs, é consequência da crise dos municípios. A pesquisa apontou que as prefeituras gaúchas tiveram perda de R$ 956 milhões em 2015, relativo à redução nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do ICMS.

"A crise financeira que afeta os municípios atinge agora a cultura. Não investir no carnaval é uma decisão dura, mas necessária em um momento de poucos recursos.", lamenta o presidente da Famurs, Luiz Carlos Folador.

Dos 118 municípios consultados pela Famurs, pelo menos 20 confirmaram que vão destinar as verbas do Carnaval para áreas essenciais.

Giruá, na Região das Missões, vai repassar R$ 40 mil para a educação e saúde. Cerrito, no Sul do Estado, cancelou a festa popular para poupar R$ 25 mil. Segundo a prefeitura, o recurso será investido em saúde e nas estradas.

Júlio de Castilhos, na Região Central, aplicará na recuperação das estradas municipais os R$ 24 mil que seriam originalmente destinados ao carnaval. Outro município que não irá realizar a festividade para poupar dinheiro é Putinga, no Vale do Taquari, que prevê economia de R$ 10 mil. Santo Ângelo e Catuípe também não terão comemorações de carnaval devido à crise financeira.

Formigueiro, no Centro do Estado, manterá o Carnaval, mas investirá menos recursos que em 2015. Com a economia, o município vai repassar R$ 35 mil para as áreas de obras e saúde. As prefeituras de Tupandi e Triunfo vão realizar a festa com uma verba menor do que no ano passado.

Em Cruz Alta, na Região Noroeste do Estado, a decisão de cancelar o Carnaval, conhecido como o terceiro maior do Rio Grande do Sul, ocorreu em conjunto com as escolas de samba. A verba que seria aplicada será destinada à reforma de um abrigo para crianças e adolescentes.

Em Santo Ângelo, na Região das Missões, a prefeitura havia oferecido R$ 20 mil para ajudar nas despesas, o que foi considerado insuficiente pelos organizadores. "Seria incoerente investir mais recursos no Carnaval quando está faltando verbas para outras áreas mais urgentes para a comunidade.", explicou o secretário de Turismo, Esportes, Juventude e Lazer, Marcos Mattos.

Em Campinas do Sul, na Região Norte, também não terá Carnaval. Os R$ 40 mil que seriam gastos com shows e decoração serão usados na reforma do Hospital Municipal. Dos 42 leitos, 36 estão sendo totalmente reformados. A obra começou há uma semana e tem prazo de 90 dias para terminar. Ao todo, serão gastos R$ 600 mil.

Com a redução na verba do Carnaval para 2016, ficou definido que Pelotas não terá Carnaval. Os cerca de R$ 300 mil que seriam aplicados no evento serão destinados a projetos das entidades carnavalescas, projetando o evento de 2017.

Os festejos de Carnaval foram cancelados também em Passo Fundo, no Norte do Estado. A principal justificativa foi a dificuldade na captação dos recursos de patrocínio. Como o desfile não recebe recursos públicos há dois anos, toda a verba precisa ser captada com empresas.

Santa Maria, na Região Central, também anunciou que não terá a festa do Momo. A assessoria de imprensa da administração municipal informou que a cidade tem recursos para a realização da festa, mas optou por destinar o dinheiro para outras áreas.

O município de Taquari, no Vale do Taquari, decidiu pelo cancelamento do evento no dia 7 de janeiro. O dinheiro que seria usado para as festas será repassado para área da Saúde e para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). O custo do Carnaval taquariense seria de R$ 190 mil.

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