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A vastidão dos mapas - Arte contemporânea em diálogo com mapas

Por: Assessoria 23 de Maio de 2017

O coração desta mostra é composto por antigos mapas do Brasil, do continente americano, das suas linhas de tangência, que mostram as bordas visíveis de vastas extensões de terra em cujo interior vêm assinaladas as assim chamadas terras não descobertas, terras de sonhos, de toda sorte de projeções e fantasias por parte dos que se propunham a descobri-las. 

Partindo desse núcleo, a exposição espraia-se por uma surpreendente gama de especulações dos artistas sobre o tema, um leque irisado tanto do que se pode mapear quanto de como mapear. Trata-se, pois, de uma significativa amostragem de pensamentos sobre o espaço; sobre produções, modos de enunciar e fabricar o espaço, sobre como o homem está inevitavelmente implicado naquilo que faz. Como modo de reiterar essa ideia, vale recorrer a dois enunciados sobre o parceiro contumaz do espaço, o tempo. 

O primeiro, de W. G. Sebald, dispõe sobre a arbitrariedade das nossas construções mentais e sua correspondente aplicação; o segundo, mais uma vez de Jorge Luis Borges, sobre a indissociabilidade entre o ser e aquilo que ele faz. São eles:

“Tempo... de longe a mais artificial das nossas invenções, e vinculá-lo ao movimento do planeta em torno de seu próprio eixo não será menos arbitrário do que seria, por assim dizer, um cálculo baseado no crescimento das árvores ou na duração requerida para a desintegração de uma pedra...”

Tags: Sul (Brasil)