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Patrocínio do Carrefour afasta participantes de prêmio da Cufa

Por: Redação. 10 de Janeiro de 2021 06:55

A participação do Carrefour na iniciativa da Central Única das Favelas (Cufa) Pretos Empreendedores que vai premiar empreendedores negros recebeu críticas no início desta semana.

A indignação tomou conta das redes sociais quando diversas personalidades que tiveram seus nomes envolvidos no prêmio ficaram sabendo que o patrocinador master era o Carrefour, cujas lojas foram palco de cenas terríveis em 2020, desde mal tratos a animais até a covarde agressão que resultou na morte de João Alberto Silveira.

Por se tratar da morte brutal de um homem negro, justamente na véspera do Dia da Consciência Negra, protestos antirracistas foram realizados em vários pontos do país nos dias seguintes.

Na tentativa de subverter a imagem de empresa racista, o Carrefour montou um comitê antirracista para planejar ações, contando com um fundo de R$ 25 milhões. O Prêmio Pretos Empreendedores era uma dessas iniciativas que contava também com promoção da Globo.

Esta associação desagradou personalidades e entidades que seriam premiadas. Lázaro Ramos, Nath Finanças, bem como instituições como AfroSaúde, Era Uma Vez no Mundo e Negritar – Filmes e Produções usaram suas redes para manifestações sobre a premiação.

Protesto em uma das unidades da rede (Foto: Arica Martins/Estadão).

“Não sabia desse prêmio e muito menos que sou finalista. Pedi para a Cufa Brasil retirar o meu nome. Eu não compactuo com marcas como o Carrefour, que não se importa com as vidas pretas que são assassinadas na própria instituição.” – escreveu Nath Finanças, no Twitter.

 

“Oi, amores. Fui jurado, sim, mas não fui informado de que o Carrefour era o patrocinador do prêmio.”, postou Lázaro Ramos.

Bruno Gagliasso apressou-se em esclarecer sua participação quando viu seu nome envolvido. “Cara, eu não fui jurado de nenhum prêmio, a não ser do ID_BR e continuo à disposição para cobrar as marcas (Carrefour e qualquer outra) às suas responsabilidades. Não tenho nada além disso para falar desse caso porque realmente não estou envolvido”, escreveu Gagliasso.

Por sua vez a AfroSaúde postou que "...vem a público esclarecer que não compactua com marcas e culturas organizacionais racistas, que ceifam vidas negras de forma brutal e com precedentes. Cientes da nossa responsabilidade como uma empresa antirracista, criada e feita para a comunidade negra, informamos à Cufa Brasil sobre a desistência do Prêmio Pretos Empreendedores, pelo qual fomos vencedores na etapa estadual da Bahia.”, diz um trecho da nota da AfroSaúde.

Material da premiação destaca a participação do Carrefour

Por meio de um comunicado oficial, a Cufa alega que o cancelamento de suas ações previstas – inclusive, o prêmio – são decorrentes da pandemia do novo Coronavírus. 

Na nota, a Cufa alega que “Decidiu suspender seus eventos previstos para os meses de janeiro e fevereiro, por conta do avanço da segunda onda da Covid-19” e informa ainda que “as aberturas das Taças das Favelas Rio e São Paulo estão adiadas por tempo indeterminado, bem como o Prêmio Pretos Empreendedores (prêmio que só foi viabilizado com parcerias, na última sexta-feira, dia 8/1, no Estado de São Paulo.”

Celso Athayde se retrata nas redes sociais

O empresário Celso Athayde, fundador da Central Única das Favelas, usou suas redes sociais nesta segunda-feira (11) para se desculpar e explicar o fato de ter o Carrefour como patrocinador Master da Premiação do Prêmio Pretos Empreendedores.

“Um erro gravíssimo não pode justificar a falta de cuidado com os parceiros. Errei feio”, assume Celso Athayde após críticas sobre patrocínio do Carrefour ao prêmio da Cufa.

Em seu Facebook, Athayde se desculpou por ter errado e disse não ter agido por ‘má fé’:

O erro só seria ainda pior se fosse algo escondido, se as pessoas descobrissem que determinados apoiadores estavam presentes sem suas marcas expostas para enganar. Mas não, no próprio domingo, dois dias depois desse pedido de apoio, nós estávamos montando as artes para subir para as redes, e site etc. E assim foi feito, enviamos com as logomarcas. Mas reconheço que o ponto não é esse. Eu afirmo que deveria mandar muito antes e se não havia tempo, então cancelasse, mas nunca seguir como foi feito. O fato é que isso não diminui em nada a gravidade do erro. Mas, ao menos mostra que não foi má fé, mas pura incompetência. No mesmo domingo à tarde, ao ser questionado por membros da equipe, percebi o erro e sua gravidade“, escreveu.

Os internautas apoiaram positivamente a postura de fundador da Cufa: “Ninguém é perfeito. Profissionalismo é isso, reconhecer os erros e buscar os acertos, reconhecendo que uma obra dessa monta nao se faz sozinho e assim reconhecer os parceiros“, publicou um seguidor. 

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