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Agências já se preparam para a retomada das atividades

Por: Redação. 23 de Maio de 2020

Em busca de alternativas para as atividades em ambiente aberto, iniciativas que fizeram sucesso em algumas décadas do século passado estão de volta.

Seguindo iniciativas europeias, as projeções em drive-ins estão aparecendo como um primeiro passo para a retomada dos eventos no mercado nacional. 

Tudo sobre o mercado de live marketing está aqui.

Leia também: Principais nomes das agências especializadas comentam a crise do setor.

Desta vez, indo além dos cinemas, com shows e apresentações de DJs, essas estruturas que serão montadas no Brasil já são realidade em alguns países como Dinamarca, Noruega e Alemanha. Neste país, até festas eletrônicas, as raves, já entraram na programação, com todo o público dentro de carros (Veja mais aqui).

No Brasil, a Dream Factory também desenvolveu uma iniciativa que inclui o formato drive-in, previsto para começar em julho.

A 'Dream Parks' acontecerá em oito cidades, entre elas, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Fortaleza. A agência busca parceiros regionais para o projeto que, a princípio, terá a duração de três meses.

No Sul, uma agência paranaense  já se associou para desenvolver o Dream Park em Curitiba, enquanto no Nordeste, a parceira será a Carvalheira, e em Belo Horizonte, o Grupo NaSala.

Os drive-ins serão montados em  áreas de 10 mil metros quadrados para respeitar o espaçamento entre os carros e para comportar entre cem e 150 veículos.

“Estimamos três meses de projeto, é algo para ser feito antes da retomada completa. Será como um trampolim.”, diz Claudio Romano, CEO da Dream Factory. 

A agência está negociando com empresas de conteúdo para definir a programação, mas a ideia é que o evento vá além de sessões de cinema. 

Claudio acrescenta que o setor tem ciência de que a retomada irá demorar, mas que, visando este momento, grupos de trabalho já estão atuando em diversos mercados. “Junto com o Poder Público, para ajudar a colocar critérios, seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde.”, ressalva.

Já o projeto LoveCine, da Party Industry, começará a partir do dia 28, ocupando o estacionamento da Jeunesse Arena, no Rio de Janeiro. 

Com uma série de protocolos rígidos, como um distanciamento de 1,5m entre os carros e som disponível apenas dentro dos veículos, a iniciativa marca um novo momento do mercado de eventos.

“Será uma ação de um mês, com o único tipo de encontro que é possível neste momento. Como é o primeiro projeto do tipo aqui, a ideia é que seja um modelo para outros.”, conta André Barros, sócio-diretor da Party Industry.

Ele revela que o LoveCine envolverá eventos de quatro horas de duração, de quinta-feira a domingo, com atrações antes e depois dos filmes, e noites temáticas. 

“Na Tarantino Nights, por exemplo, teremos a banda Move In tocando antes do filme e uma festa de músicas ligadas a obras do diretor depois.”, detalha. 

O projeto é todo pensado para que as pessoas não tenham contato umas com as outras, com pedidos de comida e bebida por aplicativos.

Protocolos auxiliam autoridades

Empresários, entidades e governos já estudam regras para a volta destas atividades ao fim do isolamento social, prevendo novos comportamentos exigidos por conta das medidas de segurança e sanitárias necessárias para evitar a contaminação pelo novo Coronavírus.

Seguindo o exemplo do movimento global Go Live Together, criado nos Estados Unidos, e que já conta com o apoio de mais de 600 associações e 1,5 mil empresas, o Go Live Brasil traduziu o estudo realizado lá fora e que envolve três pilares: segurança, impacto e legislação.

As entidades desenvolveram um protocolo para a Retomada da Indústria de Eventos no Brasil, com base em protocolos da OMS e outras instituições nacionais e internacionais, que está sendo disponibilizado a autoridades governamentais.

A iniciativa, que tem o apoio do Promoview, reúne empresários e profissionais do setor para ajudar a divulgar os preparativos da retomada, auxiliando as empresas organizadoras, promotoras, produtoras e todos seus fornecedores a coordenar esforços comuns para uma retomada sustentável e segura, seguindo os protocolos sugeridos, quando as autoridades entenderem que é oportuno.

O Governo de São Paulo é o primeiro a criar um grupo de trabalho com objetivo de formatar um protocolo para a retomada da economia criativa, setor no qual está inserido o mercado de eventos.

O protocolo maior será apresentado pelo governo, mas o movimento Go Live Brasil atua para reforçar que o segmento é muito importante para a retomada da economia do País.

Segundo levantamento do Anuário Brasileiro de Live Marketing 2020, publicado pelo Promoview, o setor de eventos brasileiro responde por 13% do PIB brasileiro e gera 25 milhões de empregos.

As alternativas do novo normal

Marcio Esher

Entretanto, o congelamento das ações presenciais, principal atividade do setor, ainda é uma grande preocupação e levou as agências e empresas fornecedores a procurarem alternativas.

Uma delas surgiu por meio da produção de lives e reuniões por meios virtuais. R1, VLab, EAÍ, TM1 e Let's são as principais agências que tomaram a iniciativa logo no início da pandemia e passaram a disputar mercado com empresas como a CrossHost que já vinha desenvolvendo este tipo de projeto.

Para Marcio Esher, diretor-geral do Banco de Eventos, os projetos criativos neste segmento são úteis. “Servem para atender o nosso planejamento de atuação e nos manter conectadas aos clientes. Nosso objetivo é ajudar os comitês de crise das empresas e este é um dos serviços que podemos colocar à disposição delas.”

Segundo levantamento da reportagem, mais de 800 lives corporativas foram produzidas e realizada por empresas do setor nos últimos 60 dias.

Marcos Muniz, diretor da Elementar Filmes, acredita que este número ainda  vai se multiplicar, mas alerta para alguns cuidados básicos e defende a união e profissionalismo neste momento.

“Se hoje eu faço um evento grande e amanhã meu concorrente faz outro, o mercado vai entender que os eventos grandes são necessários nesse momento. Eu acho que esse é o ponto principal que a gente tem que tomar cuidado, a concorrência tem que ser leal, principalmente em relação a valores. Agora não é hora de a gente acatar e pegar qualquer coisa, qualquer preço e a qualquer custo, porque duas coisas vão acontecer: a gente não vai conseguir entregar os melhores resultados, o que vai fazer o mercado cair, e a gente vai entrar naquela roda que já conhecemos tão bem do nosso mercado de receber em 120 dias, ficar brigando por valores de cachê, enfim, aquelas histórias todas que a gente já sabe.” 

Marcos Muniz

“É um período de exceção total que a gente precisa tentar envolver o maior número de profissionais do nosso mercado que conseguirmos para tentarmos, pelo menos, que as pessoas passem por essa pandemia de uma forma bacana e menos dolorosa pra todo mundo.”, completa Muniz.

Outra iniciativa no universo digital está sendo desenvolvida pela Aktuellmix. Ela já tinha iniciado em meados de março o "Ilha da Imaginação", que capacita em audiovisual crianças da comunidade de São Simão, em Goiás. 

Realizado para a SPIC, a ação seguiu por meio da plataforma "Google Sala de Aula", após uma pesquisa da agência junto aos pais que concluiu que todos os alunos tinham celulares e poderiam continuar as atividades desta forma, apesar da perda da experiência presencial.

Em outra frente, as empresas partem para projetos ao ar livre, mesmo com as restrições, que nem de perto lembram aquele “presencial” que todos adoram.

A V3A começou a atuar em um segmento em que nunca havia estado antes, o de construção de hospitais. Após ganhar uma concorrência, a agência construiu dois hospitais de campanha para a Rede D’Or, no Leblon e no Parque dos Atletas, no Rio de Janeiro. A partir daí, já teve uma série de novas solicitações em outros Estados, como São Paulo, Pará e Maranhão.

A Dream Factory também levou o' Preparadão', feito com a Universia com foco no Enem, para o universo on-line. Além disso, a empresa já pensa em planos para quando o isolamento for flexibilizado ou terminar. 

Entre eles, está o desenvolvimento de drive-ins em diversas cidades do País. A agência já iniciou negociações com shopping centers para a utilização dos estacionamentos, onde o projeto será montado e possibilitará que a população, de dentro dos carros, possa assistir a filmes, shows e apresentações culturais.

Já com vistas a colaborar com soluções para o varejo, outra grande frente de atuação das especializadas, agências do mercado buscam alternativas para contornar o problema da contaminação.  É o caso da Mercado Jovem que desenvolveu e já instalou em São Sebastião cabines para diminuir o risco de contaminação.  No Paraná, a mesma iniciativa está sendo tocada pela Mob Estandes, voltada para shopping centers.

Cabine desenvolvida pela Mob Estandes poderá ser usada em Shopping Centers e Eventos

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