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Vale mais que mil palavras!

Por: Fernando Teixeira 8 de Setembro de 2020

Ser invisível na mídia é um sentimento amargo experimentado por diversos grupos sociais minorizados. 

As consequências dessa anulação são o negacionismo, o preconceito e o ódio gerados pelo desconhecimento. Mas, recentemente, atitudes pontuais de grandes empresas brasileiras têm contribuído para reabrir debates, gerar conteúdos, informação e atenuar esta nuvem densa que teima em assombrar as áreas de comunicação das empresas e a sociedade.

Recentemente, a Natura surpreendeu ao escalar para seu comercial de Dia dos Pais um pai trans: Thammy, filho da cantora Gretchen. E, ao contrário do movimento transfóbico nas redes sociais pedindo boicote à marca, as ações da empresa acumularam crescimento de 10% em dois dias.

Especialistas atribuem o aumento ao fato de a Natura atender ao compromisso com três áreas que vêm ganhando espaço entre investidores: Ambiental, social e governança, ou ESG, na sigla em inglês.

O posicionamento das empresas na mídia reflete a diversidade de seus corredores internos, ambiente indispensável para o desenvolvimento de novos negócios e, principalmente, de novos olhares.

Bancos de imagens estão se adaptando para retratar a realidade brasileira, anos-luz distante da família heterossexual caucasiana, de cabelos loiros e olhos azuis. 

Atualmente, mesmo com certa limitação, é possível encontrar imagens de boa qualidade, por exemplo, de mulheres fora do padrão criado pela racionalidade branconormativa, de pessoas trans (casadas ou solteiras), de PCDs (pessoas com deficiência), de negros (ricos ou pobres, do bairro nobre ou da comunidade). 

Se você está surpreso por ainda engatinharmos com relação à inclusão de imagens representativas, imagine o que pensa quem nunca se identificou com as imagens vistas em diversos veículos de comunicação!

Você deve se lembrar do vídeo em que uma menina negra, de 3 anos, identifica-se ao ver a Maju apresentando o Jornal Hoje. Ela comenta: “É o meu cabelo! É o meu cabelo!”, e aponta para a TV. Isto é representatividade. 

É quando uma menina negra de 3 anos do Piauí percebe que podem existir mulheres como ela em lugares de destaque. Quando um menino do Interior se inspira no sucesso da Pablo Vittar, a primeira drag queen do mundo a alcançar a marca de 1 bilhão de reproduções no Spotify. 

Quando uma mulher gorda se enxerga em uma das milhares de campanhas de roupas íntimas. É quando um menino que sofre bullying na escola por ser gay vê a imagem do marido do primeiro ministro de Luxemburgo em meio às “primeiras-damas” da Otan.

Você pode pensar que imagens como estas são o retrato da exceção. Sim, são! Milhares de imagens ainda precisam ser criadas, disponibilizadas e pessoas representadas. Mas garanto: Ainda que raras, elas acendem uma pequena luz de esperança em grande parcela da sociedade tão acostumada à escuridão.

 

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