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Salvador enfrenta crises no setor hoteleiro

Por: 0 10 de Julho de 2015

Uma crise no setor hoteleiro já levou mais de dez empreendimentos de pequeno porte a fechar as portas em Salvador, desde o final do ano passado, de acordo com levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis na Bahia (Abih-BA). Hotéis menores e, quase sempre, mais antigos são os que mais sentem a crise vivenciada pelo turismo na capital baiana. Mas há um reconhecimento geral de que a situação é grave e atinge investimentos dos mais diversos portes.

Foto: Reprodução.
[caption id="attachment_473933" align="aligncenter" width="562"]hotéis vazios Hotel vazio, que vai ser fechado em Salvador.[/caption]

O cenário é explicado pelo aumento no número de leitos após a Copa do Mundo, pela redução no fluxo de turistas na cidade após o fechamento do Centro de Convenções para reformas, mas também por problemas mais antigos, como a derrubada das barracas de praia da orla e da imagem negativa causada pela insegurança para turistas. A Copa do Mundo, que deu ao setor a esperança de divulgação internacional do país, trouxe a tiracolo novos investimentos no setor hoteleiro que ampliaram a oferta de leitos em Salvador de 35 mil para os atuais 40 mil, de acordo com dados registrados pela Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação (Febha). O cenário é mortal para os estabelecimentos de pequeno porte, reconhece o presidente da Abih-BA, José Manoel Garrido. “O que vem acontecendo nos últimos anos é que enfrentamos um cenário de baixa ocupação, agravado pelo aumento na quantidade de leitos.” explica. Segundo ele, as dificuldades para manter a operação nos hotéis é generalizada. “Os hotéis que fecharam do final do ano passado para cá são pequenos e antigos, por isso sentiram mais o impacto da crise, mas todos estão passando por dificuldades financeiras.” Garrido diz que parte dos empreendimentos foram construídos pelo regime chamado de condohotéis, lançados por imobiliárias e com investimentos de pessoas sem conhecimento do mercado turístico baiano. “Nós chegamos a fazer um alerta de que esta situação poderia causar problemas em 2011. Mostramos que não havia demanda de mercado para tantos novos empreendimentos.” lembra. Segundo ele, foram lançados 12 projetos do tipo, visando a Copa do Mundo, sendo que quatro foram abortados. O presidente da Salvador Destination, Paulo Gaudenzi, diretor do Grupo GJP e ex-secretário de turismo da Bahia, explica que sem procura, os hotéis vão operar com déficit. “Quanto menor, mais enxuta a estrutura operacional. Muitos desses empreendimentos são empresas familiares. Acontece que eles tem a desvantagem de ter pouco capital de giro. Se enfrentam problemas, tem uma margem de manobra pequena.” argumenta. Gaudenzi diz que o cenário atual  da economia turística na Bahia é muito ruim. “Isso tudo o que está acontecendo é reflexo das circunstâncias, que são extremamente negativas. Com a crise na economia, o turismo de negócios está parado. Sem o Centro de Convenções, não temos eventos, e já há alguns anos perdemos o nosso turismo de praia, com a derrubada das barracas. A Bahia está andando para trás.” lamenta o empresário. Está cada vez mais difícil tirar dinheiro de hotéis em Salvador, diz o presidente da Febha, Silvio Pessoa.  Ele acredita que as notícias de fechamentos de hotéis e de demissões no setor são indícios de que a crise está mais grave este ano. “Nós estamos há quatro anos em uma crise, que vem se agravando.” afirma. Segundo Pessoa, de fevereiro a junho, a ocupação de leitos nos estabelecimentos apresentou sucessivos resultados abaixo de 60%, que representa o mínimo para que o negócio dê retorno financeiro. “Com hotéis cheios ou vazios, as empresas precisam dar conta de custos fixos, como obrigações trabalhistas e tributárias. Tem muito dono de hotel recorrendo a empréstimos para pagar a folha de pagamento.” diz. A crise em um setor intensivo na contratação de mão de obra tem como reflexo direto um grande número de demissões. Segundo Silvio Pessoa, do início do ano para cá foram registradas quase quatro mil demissões. “Esses dados são do sindicato dos trabalhadores.” afirma. O presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens na Bahia (Abav-BA) e do Convention Bureau, José Alves,  conta que a cidade de Salvador passou por um processo de desgaste há alguns anos e diz que agora é preciso que se continue trabalhando na recuperação da cidade e vender o que já melhorou. “Hoje pelo menos temos um trabalho do município. Ainda não podemos voltar a vender nossas praias, mas vamos poder em breve. Mas já temos o que apresentar e precisamos fazer isso.” diz. Alves defende que o setor, em parceria com o poder público estabeleça novos roteiros a ser destacados na cidade.

O secretário de Turismo de Salvador, Érico Mendonça, diz que a situação dos hotéis é reflexo do momento da economia brasileira e do fechamento temporário do Centro de Convenções, que normalmente atrai eventos na baixa temporada. “Estamos vivenciando uma crise. Nesses momentos, a primeira coisa que as pessoas cortam é o lazer. No caso de Salvador, a situação é mais grave porque a cidade passou um longo período sem oferecer atrativos.” Mendonça diz que a Prefeitura vem trabalhando em duas frentes  para recuperar o turismo na cidade. Este ano o município terá um estande na Abavexpo – Feira das Américas, em São Paulo, que é um dos maiores encontros do setor. Além disso, a Prefeitura vai investir em workshops com operadores de viagens nas principais cidades emissoras de turismo para a Bahia e vai lançar uma nova ação com um plano de mídia. Segundo o secretário de Turismo da Bahia, Nelson Pelegrino, o governo está se esforçando para se articular com os empresários do turismo na recuperação do turismo em Salvador. “Nós estamos trabalhando em parceria com a Prefeitura na requalificação dos principais destinos da cidade. Começou com o Pelourinho este trabalho conjunto e queremos expandir.” diz.  O secretário diz que o turismo precisa se voltar mais para o público interno.

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