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Refresque as ideias

Por: 0 25 de Outubro de 2011

Marina Pechlivanis Houve o tempo dos lounges (quanto tudo virou lounge, até estande de feira!), dos pocket shows (e quem não fez?), dos baristas famosos e dos bartenders descolados, dos stand up comedies, das degustações assinadas por chefs famosos, dos bem-casados, dos macarrons, dos cupcakes… No meio de tantas modas e modismos, um revival clássico: o Festival do Sorvete. Saído dos eventos beneficentes em escolas e associações e ressignificado, ganhou novo status, marcas de grife e um investidor de peso: o mercado imobiliário.

A semana das crianças foi um verdadeiro show-room para as ações, atraindo adultos e crianças para os empreendimentos. O convite, aberto à população segundo anúncios de página inteira nos principais jornais, tinha como ingresso uma troca: você vai até o empreendimento, ouve a conversa de vendas, visita um imóvel decorado  e… ganha sorvete! Troca justa? O Rossi Atual Saúde, “amplo lazer a 7min do Metrô Saúde”, preparou um Festival de Sorvetes Diletto para o seu evento de lançamento, bem na semana das crianças. Diletto também no Pateo Vila Pompeia: Reserva do Alto, em Barueri, sempre tem novidades temáticas: festival de fondues, festa junina, festival de crepes, oficina de cupcakes e, como não poderia deixar de ser, especial Dia das Crianças de 09 e 12 de outubro com Festival Häagen-Dazs. Jardins da Cidade, ao lado do Shopping Taboão, teve sorvetes Rochinha no stand de vendas. Já a marca Jundiá estava presente no lançamento da Reserva do Japi, em Atmosphera Natural Living Jundiaí da Fernandes Mera. E o Chrome Morumbi, no começo do ano, teve “um sofisticado festival de sorvetes Kopenhagen”. Perguntinha: com tanta oferta em tantas regiões, será que as pessoas visitam os empreendimentos para conhecê-los ou por que de graça até picolé? Para Chris Anderson, de Free, o Futuro dos Preços, “O grátis pode significar muitas coisas e esse significado tem mudado ao longo dos anos. A palavra levanta suspeitas, mas tem o poder de chamar a atenção. Raramente é tão simples quanto parece, mas é a transação mais natural de todas”. Psicologicamente, o grátis exerce um fascínio sobre as pessoas, o de levar vantagem. E se de um lado quem faz a visita se sente no direito de ganhar alguma coisa com isso, para quem oferece o sorvete o custo-benefício parece bastante adequado: a sua presença (que valeria água e um cafezinho, ao menos) vale um gift doce e refrescante em parceria de divulgação com as marcas que os produzem, que endossam a qualidade do produto e também se promovem com as ações. O grátis é uma questão de ponto-de-vista: mais que um gift gentil, é um sofisticado modelo de negócio. É, caros amigos não existe sorvete grátis. Nem no festival. Refresque seu planejamento, suas estratégias, suas parcerias. Não é nenhum modismo e todo mundo gosta. Gostou? De que sabor? No palito, no cone ou no copinho?

[caption id="attachment_138317" align="aligncenter" width="300" caption="Marina Pechlivanis é sócia-diretora da Umbigo do Mundo, Mestre em Comunicação e Consumo pela ESPM e coautora do livro Gifting (Campus Elsevier, 2009)."][/caption]

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