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Quem irá nos "A M P R O R A R"?

Por: 0 15 de Agosto de 2013

Quando a Abap foi fundada em 1949, o Sinapro-SP, que em 2013 completa 70 anos, já existia há seis. Mesmo com um sindicato forte e atuante, já naquela época as agências perceberam que o papel do sindicato não cumpria o papel da associação e vice-versa. Cada entidade tem seu destino próprio, mas creio que cabe aqui destacar a  NATUREZA DISTINTA ENTRE SINDICATO e ASSOCIAÇÃO. Sindicatos têm um viés de representação política da categoria. Associações têm vieses de cunho cultural, esportivo, artístico, sem uma competência LEGAL para representação da categoria, mas tão somente de associados a ela. Sabemos que há casos em que essa distinção fica pouco nítida. Por exemplo: associações que fazem debate e mobilização política da categoria; sindicatos que fazem mais atividades recreativas do que propriamente políticas.  Caros leitores. Eu, que atuei como Assessor de Relações Institucionais para a AMPRO no Congresso Brasileiro de Live Marketing, fui um dos primeiros caras que o nosso presidente Kito Mansano confidenciou o projeto do Sindilive e me pediu que mantivesse essa informação em sigilo. E eu mesmo com o “bichinho” da comunicação, me atiçando todo o tempo para publicar em primeira mão no Promoview, por questões éticas calei, até que o momento certo para apresentar o projeto do sindicato chegasse. Enfim ele chegou, lembro-me bem, na manhã do dia, foi em 24 de abril de 2013, na sala Ballroom 1 – Piso C do WTC. Lá estavam uma grande parcela das principais agências não só de São Paulo, como do Brasil representada ali por Djanira Dias Presidente do Capítulo Nordeste e Andre Dihl Diretor Regional Paraná/Santa Catarina.  A proposta foi colocada na mesa, e recordo que uns questionaram alguns pontos, outros aprovaram de cara, mas não me recordo de nenhum ter discordado da ideia, até porque todos que estavam lá eram empresários que tocam suas agências com tanto afinco e dedicação que nada sabiam sobre sindicalismo e associativismo, e assim, por falta de conhecimento, não puderam opinar muito e preferiram abster-se. Mas o Sindilive está aí, e para os menos esclarecidos, trata-se de um sindicato patronal, que representa único e exclusivamente os empresários, diferente do laboral, que não é o caso, que representa os trabalhadores, e é neste ponto que eu quero chegar. Como entidade associativa a AMPRO representava um setor, independentemente da sua posição, fosse você um estudante, um profissional, um acadêmico, um fornecedor e até mesmo um empresário, todos sem exceção que atuassem no marketing promocional tinham seu espaço garantido na entidade, e mais, com abrangência nacional e força para dialogar com órgãos e entidades federais como foi o caso da Caixa, que resultou na diminuição do tempo de aprovação de promoções, caindo de até 45 para 07 dias. Pois bem, diante da polêmica criada pela situação da extinção da Ampro, é chegada a hora de cada um contribuir com o que sabe para que todos possam formar convicções neste momento nebuloso. A manifestação do Neto ontem é um claro sinal disso. Líder de uma das mais emblemáticas organizações independentes de promo do país, sem nenhum grupo de advertising por trás, jurado em Cannes e, sobretudo, leão em Cannes, talvez o mais emblemático da história brasileira, ele não pode deixar de ser ouvido, nem, tampouco, sua opinião deve ser abafada. Eu, que trabalhei ao lado do Kito, sei o quão bem intencionado ele é,  integro, honesto e  um grande político no melhor sentido da palavra, sabe agregar. Com isso, teve o mérito de unir boa parte das grandes agências em prol da realização do congresso, sempre posicionando-se  sem gerar sensibilidades, deixou de lado suas atividades a frente da sua agência, e passou a dedicar-se integralmente a AMPRO e ao projeto do congresso. Nos quatro meses antecedentes ao congresso houveram dias em que entrei em uma reunião de parceiros com ele às 09h e saí às 19h, então como não vou dizer o quanto este homem tem se dedicado ao negócio do Live Marketing, do marketing promocional, enfim do nosso negócio, como não dar crédito a um cara que fez mais em um ano, que qualquer outro presidente da AMPRO fez em dezoito, como? Me respondam. Como? Mas enfim, retornando ao ponto, o ponto é simples e claro, a AMPRO sai, uma entidade de cunho associativo que agregava a todos sem distinção e entra o Sindilive, sindicato patronal que atenderá único e exclusivamente às necessidades patronais, trocando em miúdos, os patrões. Então meu caro leitor, quem se arrisca a criticá-lo? Talvez o faça porque não teve e não tem a coragem dele, de dar sua cara a tapa, de pagar o preço. Ora meu povo, ele é empresário, e como bom empresário, defende os interesses do seu negócio e daqueles que estão na mesma posição que ele. Quem não faria o mesmo? Quem? Eu compreendo totalmente a sua estratégia de fundar o Sindilive sobre as fundações da AMPRO, afinal de contas, não é todo dia que se funda um sindicato com duas décadas de existência. Mas nesse processo muita gente deixou de ser ouvida, e para mim, esse é o grande equívoco desta decisão. A pergunta de um milhão é: e os estudantes, e os acadêmicos, e os profissionais, e os fornecedores? Afinal a sustentabilidade terá que permear todo este processo. Então, quem irá nos A M P R O R A R? A ideia não está completamente formatada e dizem que está por vir uma ABLive ou Almark ou coisa que o valha, ou, como diz um amigo meu jornalista que tem a boca do tamanho de um jacaré, "estão pensando até em refundar a AMPRO". Enfim, fica a pergunta, quem puder e quiser, me responda... Estou no aguardo.    

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