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Quatro formas de criar experiência de marca em aeroportos

Por: 0 9 de Junho de 2014

Quem gosta de viajar acaba ganhando uma certa fascinação por aeroportos - especialmente quando se viaja por países superdesenvolvidos. E quando trabalhamos com comunicação e marketing, certas experiências mostram que por mais que se faça, ainda há muito espaço de desenvolvimento para a relação entre marcas e pessoas nestes pontos de passagem. A realização da Copa do Mundo no Brasil vai gerar um fluxo extra de, pelo menos, três milhões de viagens domésticas durante o evento. Com este incremento, o país deve fechar o ano com cerca de 208 milhões de viagens internas, segundo estimativa do Ministério do Turismo. “Cada um dos viajantes poderá realizar mais de uma viagem no período de realização da Copa do Mundo”, explicou o diretor de Estudos e Pesquisas do MTur, José Francisco Lopes. De 2005 até 2013, o número de viagens realizadas pelos brasileiros no país aumentou 45,4%: subiu de 138,7 milhões, em 2005, para 201,7 milhões no ano passado, considerando-se a utilização de todos os meios de transporte. Embora a demanda por transporte aéreo venha crescendo nos últimos anos, o rodoviário ainda é o meio mais utilizado nas viagens internas. Em 2012, cerca de 71% das pessoas que viajaram pelo país usaram o carro ou ônibus de linha como meio de transporte, segundo pesquisa de demanda doméstica realizada pelo MTur, em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O avião ficou com 17% da demanda. Além dos brasileiros que farão viagens internas durante a Copa, os destinos turísticos nacionais vão receber também visitantes estrangeiros. No total, serão 600 mil a desembarcar no Brasil durante o megaevento. Mas o que buscam os passageiros dos aeroportos? Muitos de nós querem que o tempo passe mais rápido para chegar logo ao destino final. E foi viajando pelos aeroportos do norte do mundo que encontrei exemplos superinteressantes de fazer o tempo passar. Conheça aqui quatro exemplos diferentes de ações promocionais em aeroportos. 1. Camel na Alemanha Eu não sou fumante (fumadora, em Portugal), mas não resisti a contaminar os meus preciosos pulmões com o cheiro de cigarro na smoking lounge da Camel em Munique. Confesso que após o primeiro impacto do cheiro forte, as saídas de ar no interior da sala permitem que mesmo os não-fumantes (e também não xiitas quanto ao cigarro, como eu), possam estar ali e usufruir do espaço. jti_munich_airport_01smoking munich O conceito de smoking lounge foi criado pela Japan Tobacco International (JTI) em 2003, como forma de garantir o mesmo conforto a fumantes e não-fumantes nos aeroportos. Esta é, aliás, a prioridade da JTI: pensar nos fumantes, mas também nos não-fumantes. Desde então os lounges foram implantados em 21 aeroportos ao redor do mundo, que recebem cerca de 300 milhões de passageiros anualmente. Na minha passagem por Munique, faltavam alguns dias para o início da Copa do Mundo e a sala virou uma espécie de vitrina das ações da marca para "inspirar a criatividade". DSCN5343 Uma projeção videomapeada numa figura de camelo em tamanho real mostrava padrões criados por criativos de todo o mundo, incluindo brasileiros, para promover a marca durante a Copa. Vídeos e projeções suficientemente bem feitos para garantir pelo menos uns 15 minutos de atenção total às intervenções da marca. camel 22. Lufthansa em Frankfurt Em Frankfurt, li os jornais do mundo acompanhados por um fabuloso cappuccino grátis na área da Lufthansa. Tudo à disposição de viajantes de todas as classes, com qualidade impecável e atenção extrema aos detalhes. lufthansa1 Da área de café era fácil observar a entrada dos demais passageiros no voo. Para mim não há nada mais irritante do que pessoas que correm para entrar primeiro, enquanto os outros ficam longos minutos na fila. Eu sempre fico pensando: "coitados, não devem ter lugar marcado na classe econômica, como eu tenho". Como odeio pegar fila, esperei calmamente todos entrarem, saboreei o café e o espaço e entrei no avião sozinha, depois de todos já estarem lá dentro. lufthansa3 Um PS: além do serviço, dos detalhes no aeroporto, viajar pela Lufthansa foi uma experiência única. Em todos os voos que peguei (foram quatro) o serviço de bordo foi impecável, comida com gosto de comida (como só havia experimentado em primeira classe ou classe executiva), sobremesa de verdade, fruta com gosto de fruta... E esse ravioli de tomates secos e manjericão, embora nada alemão, poderia ter sido serviço em qualquer restaurante de comida italiana do mundo. É claro que não dá para falar o mesmo da aparência, mas para uma classe econômica foi acima da média. refeição lufthansa3. Meditação na Dinamarca Em Copenhagen, Capital da Dinamarca, tudo surpreende. Já pude falar um pouco da experiência aqui, mas a verdade é que de todos os lugares que visitei na Europa, nem mesmo a Suíça, que orbita no imaginário de boa parte dos brasileiros como um "lugar chique", chega aos pés dos países nórdicos - e a Dinamarca é um dos pontos mais altos em termos de experiência de vida e de viagem. Nos primeiros cinco minutos fora do avião, dentro do aeroporto há uma área não patrocinada por nenhuma marca (ainda) chamado "lounge de silêncio". O objetivo do espaço é receber qualquer pessoa, de qualquer cultura ou crença religiosa para ficar em silêncio, rezar ou meditar ao lado de outras enquanto espera o seu voo - contanto que em silêncio, sem interferir no silêncio do outro. É ou não é civilizado? silent lounge A palavra "civilizado" ganhou um significado mais completo na minha vida. Pessoas educadas (e lindas!), falando baixo e sorrindo. É mentira que nós brasileiros somos calorosos e os nórdicos frios a receber. Grande mentira!

Imagem: Paul Leroy/ leroy.dk
sala silencio A Silent Lounge em Copenhagen fica no Pier B e foi feita com uma arquitetura generosa, que comunica conforto e tranquilidade. 4. Yoga na Finlândia Em Helsinki, na Finlândia, faça uma aula de Yoga antes de embarcar. A empresa Finnavia que administra o aeroporto em parceria com a companhia aérea Finnair está testando um conceito chamado TravelLab, no aeroporto de Helsinki. A iniciativa tem como objetivo tornar os aeroportos menos estressantes e mais interessantes. Além de Yoga são oferecidas aulas de Pilates, há também um backdrop para os viajantes fazerem selfies, restaurantes pop-up com sabores da Finlândia, um curso rápido sobre a cultura de café no país. Mas não são apenas atividades experienciais, o aeroporto está investindo em estratégias contemporâneas de marketing de conteúdo. Durante o verão, telas em todo o aeroporto terão dicas de atividades e viagens a fazer. Nada melhor do que planejar viagens dentro do próprio aeroporto, com dicas locais. Os viajantes tiveram papel ativo na criação destas iniciativas e poderão surgir novos serviços baseados nos feedbacks que surgirem daqui para a frente. De acordo com o marketing do aeroporto, não houve uma pesquisa com os funcionários para decidir o que fazer. Em primeiro lugar, um time de especialistas multidisciplinares foi envolvido. Eles propuseram atividades e mediram o retorno para, só então, descobrir como os clientes se sentiam. Ao criar experiências genuínas e avaliar o resultado real, fica mais fácil desenvolver atividades que realmente funcionam. É o princípio básico da cocriatividade em prática.

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