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Quando o final indica o começo

Por: 0 15 de Julho de 2014 03:59

Domingo, o final da Copa misturou sensações em mim. Um misto de tristeza e alegria, satisfação e esperança, dever cumprido e decepção, vontade de vaiar e consciência cidadã, alma lavada e vergonha e por aí vai. Guardada a nítida indignação do torcedor e do cidadão que sou, há a convicção de que nosso pessoal das agências de live marketing lavaram nossa alma tanto quanto a Alemanha salvou um pouco da nossa vergonha, mesmo tendo sido a grande causadora dela – que paradoxo. Perder faz parte do jogo, mas perder por presunção, por ideia fixa de que somos os melhores do mundo, que o futebol é nosso, que não precisamos mudar nada, que Deus é brasileiro e blá, blá blá é tão babaca quanto dizer que a Copa foi um investimento que se justifica, porque construindo hospitais e escolas não chegaremos ao que ela nos trouxe. Ah é. Diga isso a Alemanha.

Foto: Julio Cesar Guimarães.
alemanha campea copa do mundo_foto_julio cesar guimaraes_uolEntão perguntem a ela, e aos alemães, porque eles são tão educados, bem formados, qualificados e preparados para ganhar, porque são tão éticos e indiferentes a coisas sem importância, porque tem tanto foco em seus objetivos e dão tanto valor a seu país, à sua cultura e à sua condição de vida. Eles podem fazer benesses e deixarem coisas aqui edificadas porque são um país rico com um governo forte e consciente. Quando fizeram a Copa tinham as escolas e hospitais necessários a formar atletas cidadãos. Daí, construir rodovias e suas próprias instalações no Brasil, contratar mão de obra brasileira, deixar os legados que a Copa não vai deixar porque quem devia fazer o que fizeram não faz é um ato de consciência e respeito. Pior mesmo é ouvir alguns bobões se autointitulando alemães, torcendo contra seu país com um orgulho tolo de quem mostra seu próprio subdesenvolvimento e despreparo. Os argentinos, que tanto nos incomodam também foram presunçosos como a gente, com a diferença de tinham time e técnico que sabia o que fazer, por isso chegaram até onde foram. Ah, também tem o Papa. Mas pera aí Tony, cadê o live marketing? Tá no começo, ou no recomeço, do ano, que parece que aconteceu ontem. Na certeza de que o final do maior evento esportivo do mundo trouxe um excepcional ponto positivo: nossas agências live estão preparadas para fazer qualquer tipo de evento e ponto. Demos o show que a Seleção não deu. Não fomos presunçosos como alguns publicitários, e esportistas, que quiseram se colocar como donos da nossa cocada, por motivos óbvios. Onde havia uma marca, um evento, uma ação, lá estava nossa gente fazendo bonito ou corrigindo algumas besteiras que incautos e despreparados aprontaram. E não adianta que eu não vou contar quais, porque ninguém viu e é para isso existem grandes agências. Já falei em textos anteriores nas agências que brilharam, mas como não repetir o orgulho do Banco de Eventos, SRCom, A Vera!, da ZeroTrês, Netza, aktuelmix, Invent, Marcativa, Tudo, 3Promo, Arandas e tantas outras pelo País que fizeram a Copa ser o que devia: a maior Copa de todas. É delas, das agências e de seus maravilhosos e fantásticos produtores, nossa gente Live, e por ações e espaços feitos ou coordenados por eles, que os turistas e visitantes vão levar gratas lembranças do evento. Esqueça a propaganda política e a mídia influenciada. O que fazemos não sai no jornal. Os visitantes não vão lembrar das lindas estradas brasileiras, da segurança e preparo de nossa polícia, da sinalização eficaz e bilíngue, dos acessos e dos estádios superbempreparados, dos preços justos ou da infraestrutura de primeiro mundo que oferecemos, como está num jornal. Vão lembrar das festas que proporcionaram os encontros com gente e marcas, vão lembrar das marcas e promotores, de seus espaços aconchegantes organizados e animados, que tangibilizaram o que há de melhor nesse País, o seu povo, a sua alegria, seu jeito peculiar de interagir e receber... e a sua vocação para eventos. Mesmo porque live marketing é isso. O marketing do encontro, da sensação e dos sentidos, da experiência de marca, onde gente é o maior, e mais importante valor. E nós sabemos como valorizar gente. Poderia dar até sete razões para todos voltarem, mas esbarrei num número que não me agrada, embora seja o meu número de sorte – ou era – até bem pouco tempo atrás. Então fiquem com o que está no texto e não contem. Dá azar. E é assim que o final da Copa traz o começo de um novo tempo pra nós do live aproveitarmos o nosso espaço no cliente, no mercado de Comunicação e na nossa própria autoestima. Até porque, mesmo quem sempre disse que o live marketing não existia, agora se preocupa em dar cursos para ensinar o que fazemos. Pode? Pode. É só ver. Temos uma chance do Brasil se reorganizar e tornar-se mais humilde e consciente no futebol, assumindo de vez que não somos mais os bam-bam-bans e que podemos, e devemos, aprender o que há de novo com outros, como os outros fizeram com a gente, quando tínhamos algo a ensinar. Chance de mudar nas urnas os rumos de uma País que não precisará mais torcer pela Alemanha para resgatar sua honra. E chance de mostrar, de fato, que o que a letra da canção nos campos diz é verdade: “Eu, sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. Porque o Brasil não são 11 jogadores em campo apenas e alguns no banco e ninguém perde sozinho. Perdemos sim todos nós, mas não fomos derrotados, porque sabemos dar a volta por cima e nos reinventar. Podemos mudar. Assuma, então, os riscos, assuma os erros (meus, seus, nossos), assuma que tudo continua – a vida, a emoção, nossos amores e alegrias. Levante a cabeça, vamos trabalhar porque, agora, o jogo é com a gente, meu povo. Bola pra frente que esse campo é nosso!      

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