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Perdoe os nossos erros

Por: 0 8 de Agosto de 2014

Publicado originalmente em 1º/07. O mercado está um pandemônio. Longe de ser a “suruba” que o prefeito Eduardo Paes afirma ser o quadro político do Rio, está, eu diria, uma quase orgia. Eu entendo bem o que leva agências a tomarem atitudes, nem sempre as que gostariam, para sobreviver nesse mercado doido, em especial, num momento em que todo mundo diz fazer o que fazemos. Afinal, também tenho uma agência. Para manter os clientes, especialmente aqueles sem nenhuma ética, que se aproveitam da fragilidade que nos assola no momento, onde todo mundo não tem dinheiro para nada e ganhar dinheiro com o trabalho dos outros virou forma de negócio, concorremos com desonestos e ariscos fantasmas que vêm de onde esperamos ou de onde não esperamos. erros Não somos banco, ok. O cliente já sabe e finge que não, mas se nos tratam assim, o que nos resta se não funcionar como tal? Aí, os administrativos e financeiros da gente têm que rebolar para no final do mês a conta fechar. Estamos sem alternativa e o que sobra é a parceria, sem suruba viu! É verdade que essa foi a maneira que conseguimos para sobreviver, mas há o risco de pecarmos por não perceber até onde podemos ou devemos ir. Ninguém pode nos imputar a pecha de monstros, porque não somos, mas no mercado doido ser são ficou quase impossível. A cada momento o cliente vem com uma nova proposta cujo único objetivo é.. tirar dinheiro da gente E olhe que já fomos obrigados a reduzir custos para poder trabalhar, acossados pelas agências-buffets, agências-montadoras, agências-castings, agências-de-fundo-de-quintal, agências-de-comunicação-faz-tudo, agências-do-tio-do-amigo-do-ex funcionário-do-cliente-ou-da-agência, todas sem nenhuma estrutura compatível e sem nenhum profissional qualificado para prestar um serviço de qualidade. Nos igualaram... ao que há de pior. Você nem precisou imaginar na Copa. Você viu no que deu. Para melhorar a qualidade de nosso serviço e garantir sobrevivência no mercado, nos transformamos em empresas que precisam dar mais atenção ao financeiro e as formas de recebimento e pagamento do que cuidar da criação e da estratégia, ganhos que tivemos com o live marketing, em detrimento do operacional financeiro. O problema é que nossos fornecedores seguiram a trilha. Foram se tornando meia boca, de qualidade duvidosa, alguns ruins mesmo, para sobreviver e cobrar menos. Ou seja, veio um efeito cascata. Surgiram os fornecedores fakes, iguais às agências fakes, feitos para cobrar menos, fornecedores que fazem o trabalho para ganhar o que ganham, nos deixando em má situação quando erram. Quem está perdendo são as agências e, claro, o mercado live. O quadro fragiliza as grandes agências, compromete o crescimento das média severamente e destrói, ainda que demore um pouquinho, as menores. O mercado está se dividindo entre as agências do preço baixo, que vão sumir aos poucos, as sem estrutura que conseguem cobrar menos ainda por seu trabalho, os grupos resultantes de união de forças de agências, as holdings e... as agências que vão gerar insumos, ou seja, as que venderão sua expertises e ideias para clientes ou para outras agências. Haverá, inclusive, as que tentarão se estruturar como parceiras de trabalho, dividindo com os fornecedores fiéis os jobs e dando-lhes constância em contrapartida ou as que acabarão virando sócias dos próprios fornecedores, numa espécie de holding de serviços. Mas quem poderá fazer fazer isso, sem sofrer as consequências de como podem ser vistas pelo próprio mercado, é que é a questão? Vislumbro, portanto, um mercado mais frágil e confuso, nos próximos dois anos, uma verdadeira provação, com agências e fornecedores fechando ou buscando formas já ditas anteriormente para sobreviver. Entendo que as fortes sempre serão aquelas que entenderem que o mundo é de parcerias verdadeiras, não de “surubas” tipo eu levo vantagem hoje e você leva desvantagem amanhã. O momento é de ajuste em tudo. Por isso, desapareceram das premiações os cases interessantes de Live; a relação estratégica com o cliente exige, hoje, um novo personagem nas agências, mais inteligente e preparado para negociar formas de pagamento e recebimento – e de onde ele virá? -; a multidisciplinaridade na entrega da solução de comunicação será exigência do cliente ou a agência vai virar fornecedora, simples executora, e descer para baixo da linha imaginária da qual saímos faz tempo e arcará com esse ônus; e a uma relação mais perene e recíproca de fidelidade, respeito e ética entre fornecedores/agência/cliente vai mostrar quem é quem nesse mercado. Quem souber lidar com isso vai ganhar, sobreviver ao momento e se transformar na verdadeira agência de live marketing, porque o que é ao vivo não permite improviso o tempo todo, e a gente sabe disso. Se o Deus do Marketing quiser, seremos perdoados. Ou não.

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