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Overdose de comunicação

Por: 0 11 de Junho de 2015

Por Fernando Hadas Semana passada fui almoçar em um restaurante que me surpreendeu. Não só pela comida, mas ao usar o banheiro me deparei com quatro paredes, incluindo a porta, o espelho e a pia com uma infinidade de bilhetes escritos em papeis adesivos, do estilo: “post it”. Pessoas que passaram por ali ao longo de anos e sentiram necessidade de deixar algum recado. Em cima do armário, o bloco e caneta faziam o convite: “Escreva você também”. As mensagens variavam entre tradicional, alguns palavrões, protestos políticos e elogios ao restaurante.
Foto: Reprodução/Google.artigo
Será que tudo aquilo era de verdade ou parte de um projeto alternativo de decoração? Sim, porque alguns bilhetes pareciam improváveis tanto na mensagem quanto no local de fixação. Como alguém coloca papel adesivo no lustre? Diante de uma proposta inusitada, fiquei pensando na overdose de comunicação a que somos submetidos todos os dias em uma Era em que muito se diz e pouco se informa, em que a redundância das mensagens cria ruídos na comunicação. Após um intervalo comercial, de quantos anúncios você se lembra? E dos que se lembra, quantos animam a compra? Hoje, o segmento de propaganda e marketing tem sido desafiado a criar campanhas que interajam verdadeiramente com o público-alvo ou que despertem a curiosidade de uma geração que é bombardeada de informações e ações a todo momento. Para criar uma campanha efetiva, alguns pontos devem ser levados em consideração, como: perfil do público-alvo, características e benefícios da oferta e análise da concorrência a fim de sinalizar ameaças e oportunidades. É preciso valer de um discurso mais emocional e menos técnico e levantar questões capazes de provocar alegria, entusiasmo e energia à marca para num segundo momento apresentar os tributos mais racionais e objetivos de venda da ideia. Podemos ser “legais com o público” sem deixar de ser pertinente e relevante. Amigos são legais, marcas são adequadas, o que significa agregar um componente de simpatia, mas sempre atento aos desejos do consumidor. O público pode ser delineado em duas vertentes: uma mais técnica e outra mais comportamental. O técnico define o público em termos de sexo, idade, escolaridade, estado civil e renda. O comportamental define em termos de valores e atitudes nas compras, ou seja, se há maior valorização de algum atributo em detrimento de outro. Chamar a atenção em uma avalanche de informações sempre será um desafio e aquele restaurante do Sul do País conseguiu pescar minha atenção por alguns minutos. Agora vale pensar se foi uma interação positiva ou negativa. Essa discussão deixaremos para outro artigo! Fernando Adas Artigo

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