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Os meus. Os seus e os nossos... Erros

Por: Luiz Fernando Coelho 12 de Agosto de 2020

Resiliência é uma palavra emprestada pela Física à Psicologia, que configura a capacidade do indivíduo em lidar com adversidades, superar pressões, obstáculos e problemas, e reagir positivamente.

Nosso papo de hoje, vai abordar este conceito, mas com a perspectiva de como nós temos dificuldade de lidar com nossos erros.

Não se trata da apologia do erro.

Trata-se de como construir aprendizados, a partir deles.

Não estamos considerando erro, como a falta de atenção, de capricho, cagar e andar, para o que está fazendo.

Estes são defeitos sérios, mas de outra natureza.

Erro é resultado de, apesar de todo o envolvimento com a situação, não tomar uma atitude, se esconder ou mesmo seguir num caminho que não resulta em solução adequada.

Tenho algumas situações, onde aprendi muito.

Era o primeiro evento de minha área, diante de toda a organização. Mil pessoas na plateia.

Lançávamos um produto.

A peça básica, um vídeo de 7 minutos.

Play. Algo estranho.

Pessoas falavam, mas o som não aparecia.

Os 7 minutos mais longos de minha vida.

Fiquei paralisado. Congelado.

Elevador da empresa.

Tinha acabado de ser contratado.

Dias antes, havia sido apresentado ao presidente.

Entro e aperto o botão de meu andar.

Entra mais um monte de gente, e, no final, o presidente.

- Oi Luiz, bom dia. Ele me cumprimenta.

- Olá bom dia. Respondo.

 - Luiz, você já pensou em quem vamos demitir hoje? Ele me pergunta.

No andar seguinte que o elevador para, saem todos, apesar de ainda termos alguns andares marcados.

Percebendo minha total surpresa, ele me diz: “Vem comigo. Vamos tomar um café.  “

Eu queria mesmo era sumir, mas...

Chegamos. Ele sentou-se comigo no estar de sua sala, pediu café. Eu engoli, sem açúcar e sem afeto.

Queria ir embora.

Mas a pergunta, voltou à cena.

Respondi: Não sei te responder. Cheguei pouco tempo. Ainda não sei avaliar.

A verdade é que eu não tinha ideia de como era importante saber, quem era o pior e quem era o melhor.

Diante de minha resposta, veio uma grande lição de gestão.

Luiz, da próxima vez que eu te perguntar quem é o pior de seu time, e você não souber, significa que você não é um bom gestor. E se não é, eu mesmo vou te demitir. Quer outro café?

Desta vez foi ao telefone.

- Boa noite Luiz. Ainda por aí.

- Olá presidente. Sim muito trabalho.

- Hum. Então quer dizer que você esteve ou está fazendo muita merda hoje?

- Que é isso presidente! Nada. Estamos indo bem.

- Luiz, se você não cometeu nenhum erro hoje, significa que você não aprendeu nada. O que quer dizer que você não se desenvolveu, nem como funcionário, nem como Ser humano.

Itaparica. Um cenário lindo para um grande evento. Uma convenção de vendas.

Me incumbi de marcar os lugares nas mesas de nossos convidados e diretores.

Conhecia quase todos. E já sabia fazer com o pé nas costas.

Separando as placas apareceram dois nomes semelhantes:

José Antônio AZEVEDO e José Antônio AZEREDO.

Rapidamente concluí.

Erro de digitação.

Qual a possibilidade de ter 2 pessoas com o mesmo nome, somente com uma consoante de diferença?

Nenhuma. Uma das placas foi para o lixo.

Na hora do dito jantar, mesas completas. E um ser de pé. Sem achar seu lugar.

Possibilidade de ter 2 pessoas com o mesmo nome, somente com uma consoante de diferença: toda.

Lá estava o Azeredo, sem lugar.

De volta para o começo.

Vou definir resiliência como a possibilidade de seguir em frente, aprendendo a cada dia.

Posso ser questionado pela simplicidade das situações descritas, e, claro, houve outras muito mais importantes, mas que envolveram estratégias internas de empresas ou outras pessoas  e não me sinto à vontade para compartilhar.

Estas aconteceram comigo.

São completamente reais.

E apesar de simplórias mesmo, tinham um potencial explosivo enorme.

Aprendi muito com elas todas.

Atitude é fundamental.

A necessidade de aprender só vai ficando maior, com o passar dos anos.

Esconder-se é a pior solução. Vão te achar.

Mas não subestime as questões. Elas são maiores que você. Encare-as de frente. Com seriedade e serenidade.

Trabalhei em empresas diametralmente opostas em suas práticas. Em uma delas, era melhor não fazer do que errar. Pois se um erro fosse cometido, você iria ter problemas. Em outra, era melhor fazer e errar, do que não fazer. Se errasse, haveria uma reflexão sobre onde aconteceu,  mas se não fizesse você estaria com um grande problema.

Confesso que consegui manejar bem as duas realidades. Mas devo admitir que quando mais tomei riscos, baseados em minha intuição, foram os momentos de maior crescimento.

Saber lidar com eles, tê-los como ponto de partida para seu desenvolvimento, ter a humildade de reconhece-los, seguir em frente.

Resiliência.

Não errar, não é humano.

Erro. Você ainda vai ter um!

 

 

 

 

 

 

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