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O que 2014 reserva para o mercado de eventos?

Por: 0 1 de Janeiro de 2014

O mercado de eventos no Brasil está a todo o vapor. Existem milhares de especulações e expectativa em torno dos que irão acontecer no próximo ano. Para falar sobre este assunto, Promoview entrevistou Paulo Eduardo Leal, diretor da agência Broadway Brasil, que assina eventos como o Musical Thriller Live de Michael Jackson; turnê Ford Caminhões com Chitãozinho e Xororó 40 Anos; Chocolover Nestlé e Beyoncé no Brasil; criação da Roda Skol no Rio de Janeiro. [caption id="attachment_344672" align="aligncenter" width="375"] Paulo Eduardo Leal.[/caption] E, para 2014, a agência está se preparando para o lançamento do Tom Jazz Festival 2014 e o Rio Verão Festival. Promoview: Na sua visão, como está o mercado de eventos atualmente? Paulo Leal: O mercado de eventos no Brasil ainda é muito novo, a atividade ainda está em formação e se profissionalizando. O evento, em si, é uma forma presencial de comunicação, não deveria ser confundido com uma atividade de produção. Poderia ser uma disciplina curricular já nas faculdades e universidades de Comunicação e Propaganda. Promoview: Qual a sua opinião a respeito da Lei Rouanet na questão do patrocínio de eventos? Paulo Leal: A Lei poderia ser aperfeiçoada, havendo apenas um artigo (18), que é o que proporciona 100% de isenção. O artigo 26 que isenta 70% não é atraente e não costuma ser é cumprido na sua essência. Os produtores culturais, a todo o momento, inserem projetos no Artigo 18 que deveriam estar elencados no Artigo 26. O brasileiro sempre acha brechas na Lei para burlá-la. Temos que parar com essa visão errada. Promoview: Ela tende a favorecer espetáculos e evento já consagrados (famosos)? Paulo Leal: A demanda sempre tenderá para eventos relevantes. O jornalismo, por exemplo, só busca informações que são importantes ao público. É natural essa seleção em qualquer área. Sem dúvida, os projetos mais relevantes e de maior refinamento, em produção, irão atrair mais verbas das empresas. Outro diferencial, que sempre pesará na preferência de patrocínios, é a região que irá acontecer o evento, sempre pondo na balança as atividades econômicas e o interesse da população da região. A sociedade e as empresas buscam a cultura da fama e não a fama da cultura. Projetos culturais menores em regiões fora dos grandes centros não têm demanda e interesse das pessoas, logo, não atrai investimentos. Tem que se ter clareza e maturidade para encarar esse fato. Não há lei que inverta essa lógica da sociedade. Promoview: Qual a maior dificuldade no momento da realização de um grande evento? Paulo Leal: O ao vivo. A entrega é instantânea e não dá margem para erros. Um filme, por exemplo, é feito o monstro para o cliente ver, testa com o consumidor, e, se for aceito, vai para o ar. O live marketing é na hora. Por isso é surpreendente e gratificante. Promoview: A dificuldade de encontrar um bom patrocinador prejudica a criação de novos eventos? Paulo Leal: As marcas têm a oportunidade de interagir com seu público nos eventos. É uma atitude perante seus consumidores. A autenticidade na comunicação das marcas só é efetiva e completa quando mostram seus valores ao invés de apenas comunicar atributos e diferenciais de mercado pela mídia. Promoview: A Copa do Mundo no Brasil favorece a realização de outros eventos? Paulo Leal: Não. Ela por si só é um evento. Que acontece em 25 dias, 12 cidades com 32 seleções. O mercado de evento não pode ser visto ou analisado num momento ou flash específico. Não deve, e não pode, estar restrito a picos e vales. Ele deve ser fluente e perene na comunicação, independendo de grandes datas pontuais. As marcas que lideram segmentos sabem disso. Projetos de longo prazo como naming rights bem sucedidos, a exemplo do Teatro Bradesco, Citibank Hall, Allianz Parque, Vivo Rio, vão além de uma Copa do Mundo e geram eventos constantes a seus diversos públicos. Promoview: Até que ponto as restrições da Fifa prejudicam os eventos a serem realizados no Brasil? Paulo Leal: A Fifa tem a missão de zelar e preservar suas marcas parceiras. Esta rigidez faz sentido, pois é uma atividade de milhões em que a segurança faz do negócio, gerando um ambiente sólido para as marcas. A Fifa tem que transmitir confiança às empresas em suas atividades, caso contrário, as marcas descontinuam seus patrocínios. Promoview: Quais as suas perspectivas para 2014? Paulo Leal: As melhores possíveis. Vamos viver uma fragmentação na área promocional e de eventos assim como assistimos a fragmentação da mídia. Promoções, naming rights, musicais, endomarketing, live marketing, grandes festivais, Copa, Olimpíadas, mapping, circos, espetáculos de rua, agitação cultural e esportiva. Esse ambiente está fervendo e se fragmentando cada vez mais. O espectador e consumidor ampliam seus desejos e seu consumo e isso reflete em nosso trabalho. Vamos viver a era da segmentação presencial dos eventos, com múltiplas oportunidades para as grandes marcas. Já a nossa empresa,a Broadway Brasil  irá ampliar em 2014 a sua atuação nos musicais e grandes festivais inéditos. Já somos a mais relevante produtora cultural e de musicais no Brasil, depois da Time for Fun. Ocupamos um espaço importante em 16 anos nesta indústria. Somente nos últimos quatro anos produzimos mais de oito grandes musicais e seis grandes turnês de artistas nacionais e internacionais para mais de dez clientes. Recebemos mais de dois milhões de pessoas em nossos espetáculos criados e viabilizados para as marcas. Entendemos de marketing presencial por intermédio dos eventos e da relação das marcas com o público espectador consumidor. Vamos aprimorar nossa vocação pela atitude de marcas e essa ferramenta de comunicação efetiva ainda mais em 2014.

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