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O caso Zara

Por: 0 28 de Agosto de 2011

Guilherme de Almeida Prado* Na semana passada, um dos assuntos mais comentados foi a reportagem do programa “A Liga”, da TV Bandeirantes, que apresentou um documentário sobre “Trabalho escravo” no Brasil. Apesar de parecer coisa do passado, estima-se que 12 milhões de pessoas trabalham em condições análogas à escravidão. A reportagem mostrou casos de carvoarias, construções civis e outros tipos de negócios que exploram a mão de obra nessas condições no Brasil. Em meio a uma visita do Ministério do Trabalho a uma confecção de roupas que foi denunciada, uma surpresa: várias pessoas trabalhando em condições desumanas na fabricação de roupas da loja Zara, rede europeia de moda. A Zara se prontificou a comunicar que não compactua com essas condições de trabalho e, muito provavelmente, no seu contrato de fornecimento está estipulado que não devem haver tais condições. Traço um paralelo semelhante com o que vem acontecendo nas compras de serviços de marketing. Na semana passada mesmo, participamos de um processo de concorrência na qual a empresa contratante definia quanto queria pagar e simplesmente perguntava quem aceitava. Detalhe importante: o preço pago era abaixo do custo. Mais do que isso, não era que o custo da minha empresa era incompatível mas, simplesmente, que o custo de qualquer empresa não fecharia a conta. E isso já aconteceu outras vezes. Em todos os casos nos posicionamos mostrando que a conta não fecha. Em todos os casos, não tivemos retorno satisfatório e alguma empresa topou em fazer. Em alguns casos em que informamos que o fornecedor provavelmente trabalharia em condições ilegais, a resposta que recebemos foi: “Nosso jurídico estabelece muito claramente no contrato que isso não pode e a empresa que fizer será punida.”. Infelizmente, nos dias de hoje, apenas colocar regras no contrato não salvaguarda a reputação das empresas. Por mais que a Zara tenha estabelecido em contrato que seus fornecedores não podiam se utilizar de trabalho degradante, perante o consumidor, a Zara tinha responsabilidade por verificar isso. Ficar sentado num escritório e cercar-se de termos jurídicos não resolve mais nos dias de hoje. É por isso que Ampro - Associação de Marketing Promocional e ABA - Associação Brasileira de Anunciantes, desenvolveram um "Guia de Seleção de Agências de Marketing Promocional". Ele indica claramente a importância de conhecer fisicamente quem você está contratando, conhecer os serviços que oferece e por aí vai. Não há nada de errado nas empresas buscarem, ano a ano, reduzir custos. O que está errado é insistir numa redução linear, ano após ano, trocando de fornecedores a cada momento. Incentivos são o que movem as empresas. Para o bem e para o mal. Ao estimular uma competição predatória e sem margens algumas empresas estão dizendo: “Sejam bem vindos fornecedores ilegais”. Por que os fornecedores sérios e profissionais não aceitarão tais condições. Fácil falar, difícil fazer. Sem dúvida nenhuma a tarefa de compras não tem sido nada fácil. E é por isso que a Ampro se coloca à  disposição para ajudar os departamentos de compras a tornarem seus processos mais transparentes e profissionais (é só entrar em contato pelo [email protected]). Pois comprar melhor nem sempre é comprar pelo menor custo.

[caption id="attachment_110480" align="aligncenter" width="239" caption="Guilherme de Almeida Prado é presidente da Ampro – Associação de Marketing Promocional."][/caption]

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