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Mudança das marcas - por Marcos Hiller

Por: 0 23 de Fevereiro de 2011

Marcos Hiller* Hoje o mundo está mudado. Enquanto Nizan diz que “propaganda é o negócio da alma”, leio a cada dia novos artigos e pesquisas que mostram a enorme descrença que meios tradicionais de propaganda têm hoje em dia. E somos bombardeados diariamente com mensagens. Quanto menos esse negócio funciona, quanto menos esses tiros são eficazes em nos atingir, mais os anunciantes incineram os orçamentos de marketing dos clientes. Pecam pelo excesso. Porém, uma hora eles nos acertam. Paralelo a isso, estamos em meio a uma revolução tecnológica jamais vista. Gadgets como BlackBerry, GPS, iPhone, iPod, iPad e PlayStation 3 começam a se transformar em aparelhos vitais em nosso dia a dia. As famosas redes sociais, como Twitter, Facebook, YouTube, Foursquare, Orkut, MSN e LinkedIn fazem parte de nossas vidas de forma cada vez mais próxima. Estamos tecnologicamente infectados. O engraçado disso é que as mídias digitais estão na moda, e apenas 4% das verbas das empresas vão para elas. Apenas 35% de nosso País usa internet, enquanto que quase 100% da população têm celular. Nunca os executivos estiveram diante de tantas dúvidas. O nível de exigência do nosso consumidor atingiu um grau jamais visto. O nosso cliente hoje está mais preparado do que nunca. Mais que isso, ele tem uma ampla decisão de escolha e um poder jamais deparado. Infelizmente, grande parte das empresas limita seus diferenciais a uma mera guerra de preço, sendo que é nos ativos intangíveis com a marca, ou o encantamento de clientes, onde se obtém diferenciais realmente competitivos e se ganha mercado. O fato de termos uma mulher governando o nosso País pela primeira vez também mexerá nos padrões de comportamento do mercado. As mulheres que já ganharam um papel de destaque, com todo o mérito, de décadas para cá, adquirirão uma força e uma evidência muito maior. Tudo está interligado. Fazendo uma analogia rápida, o mercado pode ser visto como um grande organismo formado por bilhões de moléculas. Quando uma única se move, todas as demais se movimentam também. No mercado acontece da mesma forma. No entanto, os grandes anunciantes ainda gastam milhões com pesquisa de mercado convencional, sendo que deveriam, por exemplo, conversar com os marqueteiros da Dilma, do Serra, da Marina, do Tiririca. Esses estrategistas não entendem somente de política, entendem de comportamento humano, de megatendências, de mudança de padrão de estilo de vida do brasileiro. A queda de Mubarak representa muito mais do que a simples retirada de um ex-líder egípcio. Representa a vitória da liberdade. A população mundial assistiu on-line como a democracia ainda tem uma força arrebatadora. Esse fato histórico reverbera no resto do mundo, dá impulso às populações, mostrando que tudo é possível, nada é para sempre. Afeta os padrões de comportamento de várias nações. Outro exemplo, após a histórica traição de Bill Clinton quando ainda era presidente dos Estados Unidos, toda a população americana tornou-se mais desconfiada com tudo. Um grande líder, um exemplo a ser seguido, um ex-aluno de Yale, o homem mais poderoso do planeta também era falível. E a população nada mais é que um grande mercado consumidor. Todos ficaram automática e inconscientemente desconfiados de promessas de marcas. E o nosso papel, como gestores de marcas, é acompanhar, monitorar e observar com lupa todas essas tendências. O diapasão de toda essa mudança é a nossa habilidade de observar e agir de forma adequada. O desafio é novo, o foco é outro.

[caption id="attachment_96122" align="aligncenter" width="360" caption="*Marcos Hiller é coordenador do MBA em Branding (Gestão da Marca) da Trevisan Escola de Negócios. Formado em Marketing pela ESPM, tem especialização em Marketing de Serviços na FAAP e MBA em Gestão de Marcas na Universidade Anhembi Morumbi. Foi idealizador do 1º Branding Week."][/caption]

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