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Megaeventos no País e a alta demanda por freelancers

Por: 0 22 de Maio de 2014

Até 2016, o Brasil vai viver um dos momentos mais fortes para ações de marketing promocional, live marketing e eventos. Já aconteceu a Copa das Confederações, o Mundial está chegando e logo em seguida os Jogos Olímpicos farão sua estreia por aqui. E para dar conta de tantos eventos, as agências precisam contratar mais produtores. Uma das opções são os chamados freelancers, profissionais temporários que não trabalham em regime CLT. Mas, e quando todos esses megaeventos terminarem, o que será de todos os “freelas” contratados? E como ficará o mercado para eles de modo geral? Para responder essas perguntas e discorrer um pouco mais sobre esses profissionais, o Promoview entrevistou Valeria Coelho, diretora de produção da Conceito e que está na lista das 20 mulheres mais influentes do Promoview. [caption id="attachment_395957" align="aligncenter" width="562"] Valeria Coelho, diretora de produção da agência Conceito, é uma das mais influentes do mercado brasileiro, segundo o Anuário Brasileiro de Marketing Promocional.[/caption] Promoview: Em função dos eventos que estão programados para acontecer no Brasil até 2016, qual é o perfil das pessoas que são procuradas para prestar o serviço de produtor? Valeria Coelho: É natural que a demanda pela força de trabalho em atendimento, planejamento e produção cresça de forma imensa nessa época e gere percepções diversas. Boas e ruins. Seria lindo se somente os produtores bons, experientes, qualificados e preparados estivessem envolvidos nessas grandes produções, mas a demanda é tão grande e a qualificação dos nossos produtores tão restrita que até assusta como qualquer um que se diz produtor está sendo contratado, colocando em risco a excelência da entrega e acendendo um sinal vermelho para as agências responsáveis. Me assusta, também, o fato de que por conta da demanda intensa, profissionais que até ontem eram simples runners, assumam hoje, com o cachê de Produtor Sênior, funções muito além de sua capacidade e preparo. Em resumo, estão contratando qualquer um, a qualquer preço e o que pode vir daí é uma incógnita. Promoview: Por que o mercado busca por freelancers? Valeria Coelho: Esse é um movimento normal de mercado mesmo fora desses momentos de “boom”. Nenhuma agência responsável consegue sustentar equipes enormes de produção em sua estrutura. Daí, é normal ter uma equipe enxuta e qualificada e chamar produtores temporários para ampliar a força de trabalho durante a produção de Jobs. O dia em que as agências de live marketing forem entendidas como estratégicas e conseguirem ter contratos de longo prazo com seus clientes, recebendo um fee mensal - como se dá com agências de comunicação - aí sim, elas serão capazes de formar e manter equipes maiores e mais qualificadas ainda, evitando a constante contratação de freelas, que, ainda assim, serão necessários, por expertises específicas. Eu, pessoalmente, sonho com esse dia!. Promoview: Há um risco de prejuízo na contratação de serviço freelancers? Valeria Coelho: Com raras exceções, um freelancer não tem compromisso algum com a agência. Acabou o Job, ele se despede e vida que segue. Com ele, não raro, se vai a memória do trabalho realizado. Os processos internos da agência nem sempre são mantidos e respeitados, não por descuido, mas por desconhecimento mesmo e isso pode provocar um caos interno, se não for bem administrado. Além disso, existe a preocupação com o resultado do trabalho e a sua repercussão junto ao cliente para perenizar relação, com eventuais prêmios que um projeto bem feito pode gerar. Enfim, coisas que nem sempre estão na lista de prioridades de um “freela”, que se limita a trabalhar bem, entregar e seguir para o próximo Job. Por isso, quase toda agência tem uma lista de freelas favoritos, porque de tanto estarem presentes em nossos eventos são encarados pelo cliente como nossos funcionários, pois já conhecem nosso modo de operar e acabam se tornando figurinha fácil nos corredores da agência. Promoview: E depois da Copa? Como ficarão estas pessoas que foram contratadas temporariamente? Valeria Coelho: Espero que aqueles que forem contratados nesse período de ebulição aproveitem bastante a “maré alta” em termos de renumeração, porque estou convencida que depois de 2016, quando o mercado assentar, somente os realmente bons terão vez e os cachês voltarão aos níveis normais, reais e aceitáveis. Acredito realmente no crescimento progressivo de um profissional no nosso mercado. Isso porque apenas o campo não é capaz de dar todas as nuances para se fazer um produtor sênior, que passa por conhecer processos, construção de um check-list, de um orçamento, relação profissional com fornecedor e fechamento. Como imaginar um runner se tornar, em um ano, por mais fantástico e inteligente que seja, em um assistente de produção, daí em produtor, coordenador de produção, gerente, diretor, enfim. Uma carreira com crescimento normal necessita de bons resultados, registros e reconhecimento… E isso leva tempo. O que estamos vendo hoje são saltos mortais, o que, do meu ponto de vista, não é nada saudável. Crescimento planejado e consistente é sempre o ideal e evita graves problemas para ferramentas que lidam com gente e precisam de segurança. Promoview: Para as pessoas que prestam serviço a curto prazo como os “freelas”, o que deve ser feito para eles não ficarem “parados”? Valeria Coelho: Aí não estamos mais falando desse momento especial, mas sim, da vida de um modo geral. Sugiro: - Realizar cada trabalho para o qual é chamado com foco no resultado e na qualidade de execução. - Independente da função e do tamanho do Job, exercitar sua capacidade de gestão: de projeto, de processos e de pessoas. - Se destacar, sempre que possível, como alguém confiável e necessário. - Não deixar que elogios iniciais o tornem um profissional sem consciência dos limites. - Entender que esse mercado exige muito, física e emocionalmente de nós, e, por isso, cuidar da mente e do corpo pode fazer diferença . - Estabelecer relações de amizade e respeito com os profissionais das agências que o contratam, porque essa é a melhor forma de voltar a trabalhar com eles. Promoview: Sem grandes eventos teremos produtores sobrando. E o mercado com relação a eles? Como deve se comportar? Valeria Coelho: Como eu disse, creio que somente os bons e qualificados serão absorvidos. Aqueles que acharem que estão sendo contratados a peso de ouro porque são únicos e indispensáveis, e não estiverem no status que coloquei anteriormente, vão amargar se não compreenderem o momento, a angústia da redução drástica de seu cachê ou ficar sem ter o que fazer. Promoview: Qual a visão de futuro que você dá para estes profissionais? Valeria Coelho: Todos nós precisamos nos qualificar. Nós, na Conceito, criamos o Curso de Formação de Profissionais em Live Marketing para formar inicialmente produtores e criativos para serem absorvidos pelo mercado, de imediato, a um custo sensato, porque entendemos que sem qualificação não vamos a lugar nenhum, nem criamos profissionais respeitados e respeitáveis. E isso vale para qualquer profissão. Estamos na segunda edição dele, e, da primeira, já temos oito ex alunos no mercado, reconhecidos pela postura e pelo trabalho. O live marketing historicamente vive à sombra da publicidade e da propaganda, até mesmo em termos acadêmicos, numa percepção obtusa de clientes que ainda não entenderam nosso papel efetivo na comunicação de marcas, produtos e serviços. Não há, ainda, cursos de graduação para nossa área. Por isso, a Conceito está investindo no curso e está se tornado um celeiro de jovens talentos e gente que tem uma perspectiva real e consciente do mercado. Portanto, acredito que aqueles que se especializarem em suas áreas e atividades terão chance de seguir adiante, ajudando a tornar nosso mercado mais qualificado. Quanto a quem não fizer isso, acho que vai precisar de muita sorte no futuro.

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