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Jovens estão menos comprometidos com o trabalho

Por: 0. 29 de Junho de 2011

Um estudo global, conduzido pela GfK, empresa de pesquisa de mercado, com mais de 30 mil trabalhadores em 29 países, aponta falta de comprometimento de jovens trabalhadores no mundo todo. A análise destaca que isso é resultado da pressão a que eles têm sido submetidos nas empresas ou organizações. Realizada de fevereiro a abril deste ano, a pesquisa encontrou um mercado de trabalho polarizado entre jovens de 18 a 29 anos de idade desiludidos, e trabalhadores mais velhos, acima dos 60 anos de idade, possivelmente mais resignados. Engajamento dos jovens Ao analisar os dados da pesquisa entre os 29 países participantes, alguns deles encaram um problema mais severo com relação ao nível de comprometimento do seu quadro de jovens funcionários. Na Macedônia, na França e na Turquia, cerca de 1/3 dos trabalhadores que têm entre 18 e 29 anos de idade estão altamente engajados, indicando uma situação razoavelmente estável e produtiva para as empresas. No Brasil, o índice de comprometimento nessa faixa etária é de 20%, deixando o País na 7ª posição e a frente de países como Portugal, Alemanha, Reino Unido e Bélgica. Em nível global, comparando as faixas etárias de maior e menor idade, apenas 21% dos que têm entre 18 e 29 anos de idade estão bastante comprometidos com seus empregadores, enquanto que para os entrevistados com idades acima dos 60 anos o índice sobre para 31%. No Brasil, 20% dos jovens entre 18 e 29 anos estão altamente comprometidos, enquanto que nas faixas etárias mais altas (50 a 59 anos) o índice é bem superior: 37%. Esta grande diferença no nível de comprometimento entre os jovens “que põem a mão na massa” e aqueles que provavelmente estão em posições mais seniores representam um verdadeiro problema para as empresas no mundo. Além disso, podem criar divisões no local de trabalho, ressentimento entre gerações e dificultar os esforços de recrutamento, de retenção e de motivação de jovens talentos. Embora 61% dos jovens trabalhadores acreditem que há oportunidades de carreira para eles, muitos acham que só vão encontrá-las em outro lugar – ou em outro país. Seis em cada dez jovens trabalhadores (58%) estão procurando por um emprego ou estarão nos próximos seis meses e 41% estão dispostos a emigrar para encontrar um novo trabalho. No Brasil, 77% dos entrevistados acham que há oportunidades disponíveis para eles no mercado, 28% estão ou estarão procurando por um novo emprego nos próximos seis meses e 53% mudariam para outro país em busca de um emprego melhor. Além disso, 55% considerariam trocar de carreira. “É crucial, portanto, para empresas e países encarar e resolver as causas da falta de comprometimento de sua jovem força de trabalho”, ressalta Daniela Salles, Diretora da Unidade de Satisfação e Lealdade da GfK Brasil. O que preocupa os jovens Embora os jovens trabalhadores sejam mais provavelmente livres de maiores responsabilidades no trabalho, uma grande porcentagem deles está “frequentemente” ou “quase sempre” preocupada com o equilíbrio entre sua vida profissional e pessoal, com a pressão para trabalhar longas jornadas e com a saúde pessoal. Pressões de trabalho e seus impactos A pesquisa da GfK constatou também que em alguns países pressões de trabalho estão afetando o bem-estar da geração mais jovem de trabalhadores e que a recessão teve impacto negativo nas aspirações de muitos. 37% deles foram forçados a aceitar um trabalho com o qual estão infelizes por causa da economia. Entre os brasileiros a porcentagem de jovens nessa situação é bem mais baixa (27%). “Isso reflete bem a situação econômica favorável do Brasil nos últimos anos, com um mercado de trabalho bastante aquecido”, avalia Daniela Salles. Outro ponto revelado pela pesquisa é que 40% estão frequentemente estressados no trabalho – uma alta porcentagem em comparação com outras idades. O índice também é alto entre os brasileiros. 53% deles afirmam estar “frequentemente” ou “quase sempre” estressados no trabalho. Além disso, 31% do quadro jovem de funcionários das empresas se sentem pressionados para trabalhar por muitas horas. No Brasil, esta porcentagem é de 42%. Como resultado dos problemas acima, 39% estão infelizes com o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal – novamente a mais alta porcentagem de todas as faixas etárias. O índice é ainda mais alto no Brasil, com 59% dos brasileiros demonstrando “frequentemente” ou “quase sempre” esse sentimento. De acordo com Sukhi Ghataore, Diretor da GfK NOP, Reino Unido, “em tempos difíceis trabalhadores comprometidos e um quadro de funcionários unido são uma necessidade, não um luxo. Funcionários envolvidos querem que a empresa ou seu empregador tenha sucesso, querem fazer parte do grupo e ir além. Mas temos que lembrar que atitudes para com o trabalho e as realidades do mercado de trabalho mudaram para cada geração. Não há mais expectativa ou projeção de um trabalho/emprego para a vida toda. Muitos jovens estão procurando o que eles acreditam ser uma carreira satisfatória e que acreditam merecê-la. E aceitarão empregos por um curto tempo enquanto procuram formas de realizar ambições/desejos em outros lugares.” Sobre a pesquisa GfK International Employee Engagement Survey foi realizada internacionalmente pela GfK. Ela inclui as opiniões de 30.556 adultos, que trabalham em 29 países e foram entrevistados entre 08/04 e 04/04, usando os seguintes meios: on-line, telefone, pessoal ou outra técnica de entrevista adequada para o país. Imagem meramente ilustrativa.

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