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Jovens demais, donos do pequeno poder

Por: 0 4 de Junho de 2013

O mundo mudou, a Comunicação mudou. Aliás, tudo mudou. As necessidades profissionais mudaram, mas, como sempre - oh praga! -, por aqui as coisas, ou melhor, a formação dos nosso profissionais continua a mesma: formamos gente para um mercado que não existe. Gente que sofre, desqualificada, despreparada, por ter acreditado na falácia populista que pregou a ideia de que a universidade é para todos. Não é mesmo! É para quem quer fazê-la de verdade e construir conhecimento.

O texto parece cruel, sem sentido, agressivo, mas não é não. Afinal, empreender ou ser um técnico (e de quantos o País precisa, hein?) é tão importante, e, talvez, mais lucrativo que ter um diploma universitário inútil, conseguido pela frequência. E por que não formamos empreendedores e técnicos? No entanto, as mentiras políticas induzem jovens a correr atrás de um diploma que lhes é dado de mão beijada por universidades de segunda para ser colocado na parede como a única forma de se qualificar e ter um emprego. Gente capaz e inteligente jogada fora na ilusão de um papel com timbre. O pior mesmo é que formados no papel, não estão qualificados para a vida. E aí é que os problemas deles aparece depois de anos sentados e ouvindo besteiras. Veja a situação de advogados formados aos borbotões e médicos que desmaiam com sangue e que acham que tudo é virose. Cientes disso, instituições como a OAB tria, de maneira correta e responsável, os estudantes para dar a eles a condição de trabalho e o CRM obriga, ao início da carreira, mesmo depois de formados, a que seus estudantes de medicina trabalhem acompanhados, assessorados por um médico já qualificado e experiente para que ele, o recém-formado, não mate ninguém ao invés de curar. Apesar disso, vemos advogados e médicos que... deixa pra lá.

E nós, nós da área de Comunicação? Como triamos essa multidão de profissionais formados em Comunicação Social pelo País afora, sedentos de estágio e emprego? Quem avalia se eles estão qualificados a não matar produtos, serviços ou marcas, data vênia? Resposta: o mercado. Eles já não conseguem estágio em agências de publicidade, porque elas não mais existem em profusão. São hoje agências de comunicação com diversos sobrenomes pomposos e querem deles mais do que tiveram nos bancos da academia, e, não raro, uma experiência prévia (coisa risível). Aí eles vão, ou tentam ir, para onde? Para as agências de live marketing, digital, de design, de brand, ou as tais 360 que crescem geometricamente e... O que acontece? Nada! Porque não conhecem sequer a terminologia técnica dessas agências.

Pior. Eles acabam indo para os clientes para atender basicamente quem? As agências de comunicação, de live marketing, digital, de design, de brand, as 360 e aí a coisa fica muito, mas muito mais, feia. Alguns até tentam se atualizar e caem em cursos de “Eventos” que aparecem por aí. Mas os seus professores, nas universidades, parecem estar tão ou mais defasados que eles. Isso porque, 99% deles não trabalha em agências e desconhecem o que está acontecendo de verdade no mercado da comunicação. Conhecemos uma professora que ensina marketing promocional (o atual live marketing) em dois campi no Interior de São Paulo, como forma de complementar seus ganhos como... vendedora. Perguntada sobre qual era o conteúdo da matéria que ministrava aos alunos, sua resposta foi simples: Ensino “eventos”! Ah!, como? Só isso? As universidades e alguns cursos de granel criaram “especializações” que não cobrem a amplitude das ferramentas e atividades do live marketing nem de longe. Exemplo disso são especializações em marketing de incentivo que devem trabalhar os públicos de venda (todos os envolvidos na área de vendas das empresas, apenas para simplificar a explicação). Em algumas agências, o Incentivo se tornou uma ferramenta “teaser” de campanhas para públicos que compram produtos. Sabem por que? Porque é assim que o curso explica a ferramenta para seus alunos. Difícil entender para você que trabalha no nosso mercado? Imagina como fica o aluno. Outro exemplo é a disciplina “Eventos”, incluída em alguns cursos. Ela, para ser mais efetiva, deveria envolver também em seu currículo feiras, convenções, congresso e outros tipos de evento com objetivos bem mais específicos. Mas, não é o que acontece.

Os tais cursos falam basicamente de eventos culturais, shows e festas sem sequer mencionar feiras e convenções que parecem nada ter a ver com eventos. Os alunos saem do curso e nos buscam querendo trabalhar em... eventos, mas nas quatro primeiras perguntas da entrevista, ficam frustrados ao entender que gastaram dinheiro e não investiram nada. Aulas dadas por teóricos que nunca, eu disse nunca, produziram um evento maior que a festa de fim de ano da própria universidade ou curso, possivelmente, quando tanto, não podem gerar profissionais para um mercado técnico e delicado, onde o erro é FATAL. Mercado que mexe e envolve gente com conhecimento específico e necessidade de interação entre áreas chaves das agências. O pessoal formado em “Evento”, no máximo, conhece a produção, e, quando muito, a criação. Falar de atendimento, planejamento, fornecedor, check list... Ihhh danou. Aí os riscos de dar algo errado se multiplicam né. Quem vai contratá-los? Sob o prisma das agências, meu Deus!. Nada melhora. Algumas agências de publicidade e propaganda que se vendem como 360º, colocam as ações promocionais subordinadas à mídia, como se elas fossem mais um tipo de mídia, que é o que eles conhecem, claro. O profissional que cuida da área pode conhecer, se muito, eventos (quem sabe foi formado pelas tais universidades acima) e uma ou outra particularidade de outras ferramentas de live marketing. Mas, pergunte a ele o que são pontos de contato e ele é capaz de te chamar para assistir o MMA.

Enquanto isso acontecer, o que esperar do nível dos profissionais que temos e teremos no cliente? Vai ser o que é mesmo. Como aquele cliente de uma estatal que, perguntado por nós se trabalhava job a job, nos respondeu que não, que trabalhava chamando algumas agências quando tinham um evento e fazendo uma concorrência. Ante minha cara pasma com a resposta, minha profissional de Atendimento, fina e educada, com sorriso sem graça no canto da boca, disse, suavemente: mas isso não é job a job? E teve como resposta: Não. É concorrência filha. Aprendi no meu curso de eventos. Saímos sem participar da concorrência, claro. E o que teremos nas agências será tão ruim quanto, porque crentes que estão formados em Comunicação, os alunos desse tipo de curso, na verdade, estão conhecendo fragmentos de um bolo cru, sem recheio e sem glacê ou cereja que eles entenderão como bolo totalmente pronto, porque é assim que lhes dão a receita. As pérolas apenas serão outras nas agências, como a do Atendimento que nos passava o briefing junto com uma apresentação de uma agência na qual tinha trabalhado (levou, por certo, todo banco da criação ao sair) com a informação de que podíamos copiar, como se isso fosse ético (por um lado) ou verdade (por outro), sem saber que não se pode criar por encomenda num mercado em que cada cliente tem uma necessidade e ela pode não estar na ferramenta ou atividade que ela um dia já viu na outra agência e que ética deve ser um valor inerente a quem trabalha no nosso mercado e respeito à autoralidade um compromisso profissional de todos os profissionais de Comunicação. Existem sim, para não ser alarmista fatal do Apocalipse, universidades em São Paulo e no Rio de Janeiro - e talvez em outros lugares do Brasil, mas só posso falar de onde conheço, por isso falo do Rio e Sampa - que têm trabalho relevante na formação de profissionais de live marketing (antigo Marketing Promocional). O João Riva, o pessoal do GEA da Ampro e o próprio pessoal do Promoview conhecem e podem falar sobre essas Instituições melhor do que eu. Eu posso indicar, sem medo, a Ampro como caminho, o Promoview como fonte para quem quiser (cliente, estudante, agência e profissionais), tirar dúvidas ou colher material que os ajude a melhorar e se qualificar pelo conhecimento e referências. O que sempre faço é alertar a partir das experiências pessoais, dos contatos com leitores e gente do mercado que me liga, manda e-mail ou mesmo divide um chope. São amigos, professores, produtores (e professores, por que não. Alguns produtores são tremendos professores.), colegas da Nacional e das Diretorias e Capítulo da Ampro, criativos, empresários, estudantes, pessoal de minhas palestras e cursos, fornecedores e gente normal (kkkkk, é assim que a gente do meio chama quem não trabalha nele), enfim, gente, meu material mais precioso, promocitários ou não, porque sem gente nada faz sentido. Mas, essa gente precisa crescer no nosso mercado para que no futuro não tenhamos o que temos hoje. Gente jovem, inteligente, capaz, mas desqualificada para estar onde está. Não por culpa própria, mas porque o enganaram – ainda enganam - que podiam estar onde estão. E quando não se está no lugar devido, por falta de qualificação e/ou competência, o risco que se corre é fazer do poder a profissão e da posição, arma. Daí o título do texto: Tão jovens, donos do pequeno poder. Lembrem-se de que vocês ESTÃO poderosos, mas muitos, muitos mesmo, daqueles que vocês recebem com desdém e autoritarismo SÃO. O que quer dizer que voltarão ao lugar em que você está, porque SÃO, e é possível, muito possível, que encontrem outro no seu lugar, quem sabe melhor preparado e qualificado que você. Entenda, portanto, a diferença entre SER e ESTAR ou continue trocando de lugar até sair de vez desse mercado.      

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