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Exposição reúne cartas inéditas de Carlos Drummond

Por: 0 1 de Dezembro de 2014

Uma exposição em Belo Horizonte reúne cartas inéditas de um dos maiores poetas brasileiros: Carlos Drummond de Andrade. O acervo revela emoções e sentimentos do escritor, antes compartilhados apenas com a família. A recepção aos visitantes é com uma revoada de cartas. Na parede, a reprodução de um manuscrito do menino de 13 anos de idade, quando Carlos Drummond de Andrade ainda morava em Itabira e assinava Carlito. “Achei fantástico. Ele dedica 365 dias de felicidade para sua cunhada. Achei incrível. Achei muito legal.”, diz Luca Lara, de 17 anos de idade, durante visita à exposição. Este Carlos Drummond carinhoso aparece em 88 cartas inéditas. Elas foram enviadas aos parentes ao longo de quase 70 anos, de 1915 a 1986, a maioria endereçada à mãe.

Foto: Reprodução/EPTV.
drummond cartas_reproducao eptv“A possibilidade de abrir essa gaveta e debruçar os olhos sobre uma relação de uma mãe com filho. Só que nós estamos falando da mãe de um dos maiores poetas da língua portuguesa, que é o Carlos Drummond de Andrade.”, diz Marconi Drummond, curador da exposição. Ao irmão, ele anuncia que vai se casar. Depois, descreve a tristeza de perder o primeiro filho, instantes após o nascimento: “Foi batizado às pressas, no banho, pela parteira. Depois de vestido, fechou os olhos e eu pensei que estivesse dormindo, mas estava morto." No Rio de Janeiro, o poeta sente saudade da mesa farta de casa, cheia de coisas gostosas. Comenta a entrada do Brasil na Segunda Guerra. Fala dos problemas do dia a dia, como a falta d'água. As cartas que Drummond enviou à mãe eram de um colecionador e só foram descobertas no ano passado. As que dona Julieta escreveu ao filho já eram conhecidas e estavam disponíveis apenas para pesquisa, no Rio de Janeiro. Mas, na exposição, elas estão lado a lado. Foram digitalizadas. E o visitante pode acompanhar a conversa. A vida familiar do poeta. A mãe comenta sobre a chegada do progresso com a mineração. E ele responde: "Então, nossa Itabira afinal se transforma! Recebo a notícia com um misto de alegria e melancolia." Na exposição também é possível ouvir a voz do poeta: “E o hábito de sofrer que tanto me diverte é doce herança itabirana.” Até o dia 18 de janeiro de 2015, a Casa Fiat de Cultura, que faz parte do Circuito Praça da Liberdade, apresenta a exposição “Quase Poema - Cartas e outras escrituras drummondianas”.    

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