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Estamos na fase da conveniência e da hipocrisia

Por: Antonia Goularte. 27 de Fevereiro de 2021

Queira ou não queira, o que mais se vê nos meios de comunicação é que cidade tal está na fase laranja, outra na amarela, ou na azul e assim por diante.

Por outro lado, os ‘bonzinhos’ estão fazendo campanhas e mais campanhas para ajudar o setor de eventos. Está na hora de dar um basta nessa hipocrisia e falta de empatia com quem realmente está sofrendo com o desemprego e falta de perspectivas em relação ao futuro.

As principais associações do setor de eventos ficam levantando bandeiras de que estão defendendo os seus associados. Estão mesmo?

É muito fácil viajar para Brasília conversar com as autoridades para que elas encontrem uma solução. Isso é muito pouco. Primeiro, se as palavras-chave do momento são fique em casa e tecnologia, soa ridículo esse tipo de atitude.

O custo dessa viagem, para muitos, é irrisório, porém, para quem está desempregado, com contas de água, luz, internet, entre outras, atrasadas, qualquer dinheiro que entre para eles é lucro. A reunião poderia perfeitamente ter sido feita de forma on-line.

De nada adianta reunião em cima de reunião. Discurso em cima de discurso. O que precisamos são de atitudes concretas. Por exemplo: Posso estar enganada, podem até me corrigir, mas alguma dessas associações liberou os associados do pagamento de suas mensalidades até que a situação se resolva? Alguma já fez algum evento beneficente em prol dos profissionais de eventos?

O que vemos é o povo ajudando o povo e as associações jogando toda a responsabilidade para cima do governo. Ok. Concordo que o governo tem de ajudar, mas é preciso lembrar que não é apenas o setor de eventos que agoniza, tem muitos outros setores que estão precisando de ajuda.

No ano passado, quando do início da pandemia, algumas ações sociais foram realizadas em favor dos profissionais de eventos, no entanto, acabou sendo muito pouco perto do tamanho da crise que se abateu sobre o setor, e, esse ano, por enquanto, está apenas no jogo do empurra.

Contradições

Não gosto de entrar na seara da política, mas, nesse caso, acaba se tornando inevitável. No final do ano, enquanto o governo de São Paulo mandou fechar tudo, mantendo aberto apenas os serviços essenciais, o governador de São Paulo simplesmente vai passar o final do ano em Miami. Lógico, lá não tem Covid-19 (hahaha).

A viagem do governador de São Paulo gerou uma onda de indignação e críticas nas redes sociais, ele acabou voltando antes do planejado e já foi tratando de mudar as cores das fases em várias cidades.

Um dia depois do Brasil atingir a maior média móvel de mortes por Covid-19, foi realizada a final da Copa Conmebol Libertadores, e, quem estava lá? Nada mais nada menos que o prefeito de São Paulo.

Gente, isso é muita hipocrisia. Uma feira de negócios que gera milhares de empregos não pode ser realizada porque pode aumentar o número de contaminados com o Coronavírus. Agora, reunir centenas de pessoas, com o papo-furado de que os protocolos de segurança foram seguidos, pode. Isso só pode ser piada de mau gosto.

Quem viu o jogo pela TV pôde ver muito bem os torcedores todos sentados juntos, sendo que o estádio tem capacidade para receber 70 mil pessoas e eles poderiam ficar espalhados. Mas, o pior disso, foi que a maioria ficou sem máscara.

Esses são apenas uns exemplos da palhaçada que já tomou conta desse país, e, aí, não entra só a atitude das autoridades políticas. Marcas, associações, sindicatos, as pessoas em geral que tanto pregam empatia, solidariedade, ajuda ao próximo, olhando apenas para o seu umbigo.

A última grande sacada de marketing vem de uma grande varejista que criou um movimento a favor da vacina. Me perdoem, mas isso pra mim é outra piada. Todos são a favor da vacina.

Criar uma campanha que, aliás, está contando com o apoio de associações de profissionais e agências de eventos, que não leva a nada, é com certeza uma estratégia de marketing, e pergunto: Vai ajudar alguém de uma forma concreta? NÃO!!!!

Outra pergunta que faço é: Essa empresa está vendendo os seus produtos por um preço bem abaixo do que é praticado no mercado para ajudar quem está passando por necessidades financeiras? NÃO!!!!! Está, sim, incentivando o consumo em um momento em que a palavra de ordem é economizar.

Outras marcas que também participam de movimentos parecidos, de concreto não têm feito nada. Algumas pagaram milhões para patrocinar um reality, mas, do outro lado, os preços dos seus produtos continuam inalterados, muitos, até, bem mais caros do que antes da pandemia.

As associações querem que o governo volte a pagar o Auxílio Emergencial. Ótimo. Vai ajudar. Porém, é preciso que fique bem claro que os verdadeiros trabalhadores não querem ‘esmola’, eles desejam mesmo voltar à ativa e colocar a economia para circular.

Está na hora de pararmos de nos contentar com migalhas e com ações de marketing disfarçadas de ação social. A hipocrisia está tomando conta.

Não podemos mais nos calar. Associações, por favor façam ações concretas para ajudar os seus associados. Marcas, comecem a dar descontos reais em seus produtos. Governo, diminua os impostos para que os produtos cheguem mais baratos às gôndolas dos supermercados. Bancos, emprestem dinheiro e reduzam os juros de verdade.

Às pessoas, faço o seguinte pedido: Fiquem em casa e pensem bem quais são as contribuições que a sua marca preferida está fazendo em prol da sociedade, e, aos profissionais de eventos, que não percam a fé e a esperança.

O Covid-19 está aí, mas se todos nos unirmos em ações concretas para ajudar uns aos outros e as autoridades governamentais e associações tomarem atitudes práticas para que todos possam voltar a trabalhar com segurança, não ficando apenas na dependência de uma vacina, em breve poderemos ver uma luz no fim do túnel.

Até o momento, estamos apenas sendo marionetes nas mãos de quem diz que está fazendo de tudo para ajudar o seu próximo. Qual vai ser a próxima fase da conveniência?

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