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Então venha e faça melhor...

Por: 0 4 de Abril de 2012

Numa geração que fez das palavras inimigas mortais, balbuciando meias (palavras) como que com preguiça de dizer o que pensa, que acredita cegamente que uma imagem vale mais que mil palavras, mas que não consegue dizer essa frase ou definir uma imagem sem usar palavras, não me impressionou uma discussão de meu filho com colegas no FB (Facebook pra vc. que não é antenado). Seguinte, o Ronan, o meu filho, faz Comunicação numa Universidade aqui no Rio. Na sua turma de 70 alunos (Como os caras conseguem ensinar com tanta gente dentro de uma sala?), ainda no primeiro período, jovens e futuros publicitários, promocitários e comunicadores já entraram na Universidade achando que o simples fato de estarem estudando (Ou não. Vai saber) os torna experts e profundos conhecedores de uma disciplina que eu e parte significativa dos meus contemporâneos companheiros de profissão ainda aprendemos até hoje, lendo, e relendo, livros de autores consagrados, indo a palestras para ouvir jovens e velhos estudiosos, vivenciando as ruas, supermercados, shoppings, os tais PDVs (Nome que vão aprender ou decorar), em mesas de bar, com papos intermináveis e nos devaneios criativos que temos, embalados por todas essas fontes. Além disso, muito planejamento, pesquisa, criatividade, inovação e trabalho, sim trabalho de campo, no mercado, no dia-a-dia, muito diferente das Faculdades com seus Jobs de longo prazo. Aprendemos mais que, como profissionais de Comunicação, desde os primeiros momentos da escolha por essa profissão, não devemos, e não podemos mesmo, analisar o que vemos nos comerciais, jornais e revistas, mídia externa, nas ações mirabolantes do “no mídia”, ouvindo nos spots ou mesmo na multidisciplinaridade multimidiática dos processos de comunicação e no mundo digital, com os olhos e o coração da pessoa comum (que somos, claro), essa sim nosso foco de trabalho, nosso target, para quem se dirige nossa mensagem, nosso receptor, a quem queremos influenciar com nossos textos, eventos ou ações. Não, não podemos. Se você escolheu seguir esse caminho, um toque: Abra-se para o mundo e procure não julgar pelas aparências os por suas crenças apenas. A Comunicação não é estática, temporal, moralista, certa ou errada. É técnica e comprometida com JOB, uma solução para um problema de comunicação de um cliente quanto a sua marca, produto ou serviço. E ponto! Uma coisa é emitir uma opinião pessoal, outra é analisar criticamente a comunicação, sendo ela nossa fonte de estudo e pesquisa, partindo de premissas morais ou conceituais sem analisar o porquê do que vemos. O público-alvo pode julgar melhor que a gente. Coloquem isso na cabeça, futuros comunicadores. Nós não somos artistas, filósofos, escritores ou religiosos. Somos redatores, roteiristas, diretores de arte, designers e/ou criativos que encontram respostas para solucionar problemas de comunicação. Não somos a mamãe que não gostou da genial linha da campanha da Du’Loren, do grande Marcos Silveira, da saudosa Doctor, agência da qual muito me orgulho de ter trabalhado, que, apesar de questionada, xingada, odiada por alguns tirou a marca de um, sei lá, quinto lugar na preferência das mulheres para o primeiro lugar, até hoje, creio, nas vendas. Pergunto aos meus queridos alunos e amigos do Ronan, meu filho, que defendeu soberbamente, com ótimos argumentos, não a Du’Loren ou a campanha criada por seu padrinho, mas a profissão que abraçou e escolheu. Você faria melhor? Se não sabe a resposta e quer ser um cara de Comunicação estude esse e outros cases, forme opinião técnica e siga em frente pra fazer melhor, sempre melhor. Não tenho dúvidas de que um dia o Ronan e alguns de seus colegas de classe serão grandes criativos, mesmo os que se colocaram, ingenuamente, contra a peça. Pelo menos uma frase eu não vi na discussão: Isso é muito ruim porque tinha coisa melhor para ser feita! Porque se ouvisse, diria: Então, pare de falar, venha e faça!

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