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Doze Leões, um sorriso e uma gargalhada

Por: 27 de Junho de 2015

Por um sorriso, a gente faz qualquer coisa. Menos quem não gosta da alegria. E suspeite dessa gente que se diz séria e quer seriedade. São frustrados e infelizes.

Sorrir faz diferença até quando o sorriso possa ser considerado inconveniente. Há, por óbvio, sorrisos que nada agregam. Os de escárnio, os de deboche, os de bullying, os do mal, que são presença certa nos filmes de terror nos rostos dos natimortos e coisas do mal.

Eu falo do sorriso sincero, claro, daquele do amigo que te recebe e denota alegria em te ver; de amor, quando o coração dispara ante alguém que talvez nem saiba que seu coração sorri; dos amigos, na mesa de bar e nos papos confortantes de fim de noite ou nos encontros de final e semana, puro alívio de felicidade.

sorrisoamarelo

Sorrir e rir parecem, e são, diferentes. Enquanto sorrir é uma maneira de transparecer sua alma feliz, de forma leve e suave, natural manifesto de felicidade, sem alardes de histrionismo, rir é o sorriso amplificado, que produz algum som manifesto, amplia a felicidade e a faz conhecida de mais gente do que, às vezes, devia.

Ah, e há a gargalhada, exagero do riso e do sorriso, que não se importa com lugar, com os outros, com o clima, seja lá com o que for, e faz de quem a dá um egoísta e um mal educado do riso. É meio que a adrenalina do riso, que existe incontida em algumas pessoas. Pode até denotar descontrole.

Ontem eu sorri ao ver que o Brasil ganhou 12 Leões em Promo&Activation no Festival de Cannes. Mais feliz fiquei ao saber que esse é um novo recorde brasileiro na categoria. Mais feliz ainda fiquei quando soube que foram três de Ouros, quatro Pratas e cinco de Bronzes.

leao cannes 2015Mais adiante, meu sorriso deu lugar ao riso, quando comecei a ler os nomes das agências ganhadoras do prêmio - que, em tese, nos consolida, junto ao cliente, como responsáveis pelas ações vivas que conferem a suas marcas e produtos vida e emoções – na busca do nome de alguma agência live conhecida.

Meu riso, a essa altura, era frouxo como minha esperança. Isso porque as agências listadas eram todas conhecidas como agências de Comunicação, na verdade, agências de publicidade.

Nada tenho contra elas, mesmo porque, já disse inúmeras vezes aqui, o live marketing não inventou roda alguma. Foram os publicitários mesmo que construíram, ainda que sem querer, as bases que formataram o BTL que nos gerou.

A questão colocada é outra.

O riso nervoso é por conta da percepção, inevitável por parte do cliente antenado, de que nossas agências ou não são capazes de construir cases tão bons quanto as agências de publicidade ou, de fato, são elas as únicas que sabem fazer promo e activation.

Eu sei, e vocês também sabem que isso não é verdade. Mesmo porque a NewStyle já provou, e está provando, o contrário com presença no shortlist de Cannes. No entanto, uma NewStyle só não faz verão para resolver o problema.

O fato é que: a falta de cultura de nos inscrevermos em premiações que repercutam junto ao cliente; a falta de grana para inscrever – mesmo porque não temos fee e nem verba destacada para esse fim na planilha que cobramos ao cliente, como fazem algumas agências de publicidade; além de ser notório que não sabemos inscrever em Cannes (em outras premiações também não), nos coloca, como se diz na gíria, “um tremendo macaco no colo”.

Daí, vieram as gargalhadas, de nervoso, quiçá de sarcasmo, contra mim mesmo ao olhar no espelho do meu mercado.

gargalhada tony

Num ano difícil, complicado mesmo, quando o Leão que menos queremos vem a nós no intuito de tomar nosso ouro e nossa prata, nos afundando mais ainda, os leões ansiados e queridos não vêm a nós e rugem distantes no talento de grandes profissionais brasileiros.

Sorri para a notícia, ri do que, parece, nos espera se nada fizermos e dei gargalhadas de descontrole interno...

Eu lembrei de Cannes, onde eu e a querida Ariane Feijó lançamos, na verdade ela lançou e eu fiquei aprendendo com o seu talento, o Anuário Brasileiro de Live Marketing do Promoview, vivendo momentos felizes, naquela época, vislumbrando um futuro promissor para nosso mercado que ali se delineava.

Foi-se o tempo. Fiquemos, então, no sorriso. Espero que as gargalhadas não venham dos outros e que estejamos juntos, para tratar de nossos problemas no II Congresso Brasileiro de Live Marketing, para sairmos de lá com sorrisos mais fortes, frutos de discussões pertinentes de um mercado unido em seus propósitos.

Para, então, esperemos o futuro que advirá de nossa união e os novos tempos, de melhores resultados para nossas agências nos Festivais de Cannes, onde, por fim, nossos risos ecoem com justa razão, porque conseguimos mostrar do que somos capazes.

Eu acredito nisso. Até porque, como diz o ditado: Quem ri por último, ri melhor.

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