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Designer ou diretor de arte? Redator ou conceituador?

Por: 0 9 de Agosto de 2014

Quando no Curso de Formação de Profissionais para Live Marketing afirmo que nós não temos nem diretor de arte nem designer, não temos redatores nem roteiristas, o pessoal leva um susto. Quem é do mercado se indigna, achando que eu estou menosprezando sua atividade. Quem estuda Publicidade ou faz cursos de AI, PS, In design e por aí vai, quer que eu explique, de imediato, o que estou falando. Isso deve acontecer no Curso, que começa na sexta-feira, em São Paulo, porque acontece em todos os lugares. Por isso eu te convido para participar! designers E eu, depois de provocar a discussão proposital, explico que, no nosso mercado, temos Designers de Arte e Conceituadores, uma mistura dos dois. Essa minha concepção vem de duas situações: a primeira, de que precisamos muito mais do que de quem desenvolva layouts ou crie logos, de quem crie 'volumetricamente' peças ou identidades visuais, de quem escreva as frases ambíguas, títulos e “letrinhas”. Precisamos disso, de tudo isso, mas de muito, muito mais. E, segundo, da minha mania de dar nomes às coisas. O problema começa quando os alunos dos cursos de Publicidade e Propaganda nos chegam cheios de vontade de buscar uma referência na web ou comprar imagem para criar a identidade visual de um evento, como se pudéssemos viver das “chupadas” (termo que em publicidade significa copiar o que já foi criado por alguém) ou criássemos ghosts (peças nunca veiculadas). Ou doidos para criar uma frase maliciosa e superinteligente que resuma tudo. No mundo real, das ações vivas, as artes e textos que criamos também o são geniais. Mas nossos profissionais têm que ir além do layout e do texto e entender desse mundo real, onde um conceito ou tema pode revelar um cenário, um fundo de palco ou peças nunca antes criadas e comportar uma história ou estória (coisa de velho eu sei). Mais ainda, precisam entender que se criamos um outdoor, é preciso que o material resista ao vento e as intempéries e que além de bonito tem que ter funcionalidade. Que a nossa história tem que ser fácil e tocar os sentidos das pessoas. Também temos as peças gráficas, claro, mas elas não são estanques, compõem e são criadas num contexto de transmídia, onde a identidade visual é mais que similaridade visual, porque precisam fazer parte da história que sempre contamos, em storytellings que emocionam e fazem marcas, produtos e serviços serem vivos. A gente até tenta contratar alguém que venha do mundo da Publicidade. E isso não é difícil se o profissional tiver se formado ao velho estilo dos rafes (rough), que rascunhavam e obrigavam a criar de fato, e dos textos maiores que tinham a profundidade do talento e da cultura de quem os escrevia. Hoje, basta um site de referências e de imagens para termos os gênios da arte. Basta uma frase sem concordância e regência para termos um poema. Esses caras de que falei conseguem, rapidamente, entender o que nós fazemos, porque, simplesmente, criam, são criativos de verdade, não copiam. E essa é talvez a diferença essencial de quem pretenda trabalhar nas nossas agências: tem que criar, tem que ter referências criativas para delas criar (ou recriar criativamente) o mundo ao vivo. Nossos designers de arte são fantásticos. Eu os vejo nos cenários e flyers, nos figurinos, nos backdrops, nos painéis, nos fundos de palco, nos convites e save the dates, nos banners, nos layouts das mídias sociais, nas promoções inusitadas, nos storytellings desenhados, nas imagens e cases que marcam nossas agências. São como nossos redatores, ou melhor, conceituadores, porque também não podemos nos dar ao luxo das grandes sacadas, mas firmar nossas convicções nas histórias e roteiros, nas sinopses e falas, que conduzem tempos e movimentos, numa sequência que encanta e toca as emoções. E aqui cabe a resposta dada por meus alunos, que têm entendido isso, e às centenas de designers de arte e redatores, de Norte a Sul desse País, a quem reverencio nesse texto, e com os quais ou criei muitos sonhos reais ou vi e vivi tantos outros sonhos. Eles deixarão mais que marcas. Deixarão um novo nome de atividade para o l ive marketing: DESIGNERS DE ARTE E CONCEITUADORES. Isso não os fará os designers de arte diferentes, em essência, uma vez que, como todos os outros designers, têm valor: game designer, brand designer, type designer, toy designer, think designer, web designer, designer de moda, joias, carro, ambiente, animação, ilustrador, grafiteiro etc.. Nem os conceituadores são diferentes dos redatores, roteiristas, contistas, contadores de história, romancistas, escritores etc.. Porque neles vivem ou viverão todos. Isso porque, se a vida é ao vivo e as emoções é que ampliam nossos sentidos, onde houver um caminho a se chegar, um sonho a se realizar, uma marca a viver, um produto a se usar, e gente para se chegar, lá estarão eles, dando forma ao que um dia já foi uma simples ideia. E você? Quer vir com a gente?      

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