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Coronavírus: A voz das periferias

Por: Redação. 5 de Abril de 2020

Em meio a uma enxurrada de conteúdos e tendências diante da pandemia do Covid-19, as agências Responsa e Bullet, se uniram para responder a uma pergunta muito importante: E a periferia diante de tudo isso?

Sendo assim, fizeram uma pesquisa para trazer um panorama do comportamento da periferia durante esta pandemia e aprendizados de como marcas podem ajudar.

À medida em que o vírus se espalha pelo mundo, vem afetando de forma progressiva a rotina das pessoas, modificando hábitos, atitudes e claro, consumo. 

Com fenômenos como o isolamento social, vemos o nascimento de macrotendências que tendem a se firmar durante esse período de crise, como: pessoas com mais tempo com a família, tendo mais tempo para si mesmo e um aumento de estresse, ansiedade e solidão.

Essas macrotendências se desdobram em comportamentos indoor proporcionados pelo isolamento, possibilidade de trabalhar de casa e condições de infraestrutura, como:

– Prática de exercícios físicos em casa.
– Pessoas estão passando mais tempo com tarefas domésticas.
– As pessoas vêm usando mais o TikTok para produzir conteúdo.
–  Aumento no conteúdo ao vivo no Instagram, de marcas, artistas e pessoas.
– Crescimento em horas gastas em serviços de streaming como Netflix e Amazon Prime.

Falamos de uma região com precariedades que ajudam a propagar ainda mais o vírus e que reage a ele, muitas vezes, de outra forma, com outros comportamentos, atitudes e hábitos de consumo.

Por isso, as agências conversaram com a periferia, de modo a mapear seu comportamento durante a pandemia.

Amostra

Por meio de um questionário, foram analisados 525 brasileiros, moradores da periferia, entre os dias 23 e 26 de março de 2020. O objetivo foi mapear o comportamento da periferia durante o Coronavírus. Destes, 72 % eram do sexo feminino e 28% masculino, de diversas idades e regiões do país.

Sobre a ocupação: 16% eram estudantes / 15% desempregados / 40% empregados registrados / 11% empregados não-registrados e 18% autônomos.

Classe social: 69% pertencem à Classe C e 31% Classes D e E.

Todos os participantes vieram por intermédio das redes sociais, amigos e e-mail.

A pesquisa descobriu que o Coronavírus é assunto sério. Apesar do conflito de informações sobre a real gravidade da pandemia e suas consequências para as pessoas e para o país, as regiões periféricas mostram entendimento sobre a gravidade.

96 % dos entrevistados acham que o a pandemia do Coronavírus é muito séria e apenas 4 % acredita na gravidade, mas acha que não é tão sério assim.

Nenhum respondente da pesquisa optou pela opção: “Não acredito que seja algo sério”

A rotina

A primeira influência das medidas preventivas para conter a disseminação do vírus é nas atividades cotidianas. Alterações no emprego e estudo são latentes.

- 80% dos respondentes manifestaram temer perder seus empregos. Sendo que destes:
- 41% Estavam empregados, trabalhando de casa.
- 30% Não estavam trabalhando.
- 14% Tinham emprego, mas não estavam recebendo nesse período.
- 11% Estavam empregados e indo diariamente ao trabalho.
- 4% Foram mandados embora por causa da crise.

Para os que estudam, a pergunta foi se sua faculdade/ escola/ curso continua oferecendo aulas?

59% não estudam, 39% responderam que sim, as aulas estavam sendo on-line e 2% ainda tinham aula presencial.

Sobre a eficácia da quarentena, 96% dos respondentes acreditam nela como medida para conter a pandemia. Entretanto, nem todos os lares periféricos têm condições para exercê-la. 

Apesar da clareza na divulgação de medidas de prevenção como o home office, para diminuir a circulação de pessoas e também do isolamento de (possíveis) infectados, nem todos os moradores das regiões de periferia possuem condições para colocá-las em prática.

Quando perguntado sobre quais destas frases cada um mais de identifica:

- 63%: Existem pessoas que não se importam ou não acreditam ser importante ficar em casa
- 61%: Existem pessoas que não foram dispensadas de seus trabalhos.
- 51%: Minha casa é pequena, e, se tiver alguém infectado, não temos espaço para um total isolamento. 
- 36%: A maioria dos moradores fica em casa e apenas um sai apenas para atividades essenciais como supermercado e farmácia.

Dos entrevistados, 95 % revelaram que a cidade onde moram estava em quarentena, 88 % revelaram que sua casa também está respeitando esse regime, mas 12 % revelaram que ainda não adotam.

Sobre como cada um, junto de seus familiares tem passado o tempo em casa, 81% revelaram que ocupam seu tempo acessando a internet, pelo celular, 76% com tarefas domésticas , 66% assistindo TV, 60% assistindo a filmes e séries por streaming, 59% conversando,  43% acessando a internet (computador), 0,7% trabalhando, 0,4% estudando, 0,4% praticando exercícios, 0,4 lendo.

Sobre a realidade das famílias em período de quarentena e o quanto elas estão preparadas:

- 5 % admitiram que foram a mercados e farmácias estocar suprimentos.
- 66% foram a mercados e farmácias, mas compraram só o básico.
- 27% não dispõe de dinheiro agora, somente no final do mês.
- 2% estão fazendo compras aos poucos.

Sobre ter saído às ruas durante esse período, 73 % admitiram que saíram, enquanto 27% disseram que não.

Sobre os locais frequentados por aqueles que tiveram que sair:

- 81% – Saíram para a farmácia/mercado.
- 76% – Casa de namorada (o)/ amigos/familiares.
- 60% – Saíram para o trabalho.
- 59% – Saíram para praticar atividade física.

Saneamento e outros recursos 

A condição mínima para combater o vírus é dispor de saneamento básico e outros recursos fundamentais, destes 95 % admitiram que possuem saneamento básico em casa, enquanto 5% disseram que não. 

Sobre a energia elétrica, todos os participantes disseram que a possuem em casa. Já com relação à queda do atendimento desses serviços, 64% disseram que não, enquanto 36% disseram que sim.

“Vários cidadãos das periferias sofreram com falta de água e álcool gel.”

“Água da torneira tá com cor diferente, às vezes com muito cloro.”

“Três dias atrás a água não estava vindo forte o suficiente pra subir pra caixa d’água, ou seja, ficamos domingo inteiro sem água.”

“Queda no atendimento de luz, pois há alguns dias vem faltando energia, algumas horas volta rápido e em outras fica de 30m a 1h sem.”

Internet: Recurso fundamental

Ao serem questionados sobre terem internet Wi-Fi em casa, 65% disseram que tinham, com uma boa conexão, 27% disseram que tinham, mas com uma conexão média e 7% não tinham.

Sobre como costumam passar o tempo na internet:

- 81% Acessando redes sociais.
- 61% Assistindo filmes e séries.
- 61% Lendo notícias.
- 61% Lendo livros on-line.

Possui um smartphone com internet

- 44% Sim, possuo um bom pacote de dados.
- 26% Sim, mas possuo um pacote de dados com pouca internet.
- 19% Sim. Possuo pouca internet, mas com acesso a redes sociais.
- 9% Não possuo um smartphone com conexão com a internet.
- 2% Não possuo smartphone.

Quais redes sociais mais acessa?

- 86 % WhatsApp.
- 84% Instagram.
- 68% YouTube.
- 58% Facebook.
- 37% Twitter.
- 18% Linkedin.
- 17% Pinterest.
- 6% TikTok.

Com relação ao governo, a pergunta era: Você acredita que os seus governantes estão olhando para as periferias durante esse momento?

90% disseram que não, enquanto 10% acreditam que sim.

“O descaso com a saúde pública, principalmente em zonas periféricas é degradante em dias comuns, imagina numa pandemia. Temo pela vida da população pobre e preta.”

“Tenho sentido muita preocupação e tristeza pelo modo negligente que a periferia está sendo tratada.”, são alguns dos relatos.

Sobre o sentimento que resume esse momento de crise:

- 15% Disse estar em pânico.
- 52% Muito preocupado.
- 28% Preocupado.
- 1% Preocupado, porém otimista.
- 3% Levemente preocupado.
- 2% Tranquilo.

E, em meio às incertezas e carências, as marcas vêm se posicionando para ajudar o povo. No entanto, quando olhamos para a periferia, são poucas as ações direcionadas. 

A maior parte das ações acaba sendo voltada para um público muito generalista, deixando de lado as preocupações e necessidades da periferia no momento.

Assim, as marcas têm nas mãos uma grande oportunidade de se conectar com este público que, acima de tudo, quer ser alcançado:

81 % dos entrevistados acreditam que marcas podem ajudar na situação da periferia nesse momento, já 19% não.

E de que forma as marcas poderiam atuar nas comunidades periféricas?

1. Doando Suprimentos.
2. Oferecendo informação e conteúdo para que as pessoas possam ficar em casa.
3. Gerando empregos e oferecendo capacitação.
4. Reduzindo custos.
5. Operadoras de telefonia podem oferecer maior acesso à internet.
6. Aumentando prazos de pagamentos.
7. Oferecendo doações e suporte às unidades hospitalares na periferia.
8. Dando mais voz e visibilidade à situação das periferias do Brasil.

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