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Copa no Brasil pode virar bolha turística

Por: 0 26 de Setembro de 2011

De acordo com o coordenador do Grupo de Estudos Avançados em Esportes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Paulo César Montagner, a realização de grandes eventos esportivos não é garantia de desenvolvimento econômico e turístico sustentável. Para ele, eventos como a Copa do Mundo e a Olimpíada podem se transformar em bolhas turísticas. "O desafio é como essas praças esportivas vão se transformar em centros de desenvolvimento do esporte no Brasil. No Pan-Americano, os dados atuais mostram que as praças não representam um legado positivo, porque não existem grandes projetos lá", afirmou.

[caption id="attachment_146248" align="aligncenter" width="534" caption="Estádio do Corinthians, em Itaquera, irá ser uma das sedes da Copa de 14 (Foto: Aloisio Mauricio/Terra)."][/caption]

Montagner destacou que, em outros países, principalmente os ricos, o investimento na estrutura dos eventos fica apoiado na iniciativa privada, o que não ocorre no Brasil, onde o encargo acaba nas mãos do Estado. "Em países como o Brasil, normalmente é o Estado que financia esses sistemas. A iniciativa privada só destina recursos para a hora do parabéns, na apresentação da festa. Mas não para a infraestrutura preparatória", declarou O professor da Unicamp alertou que a realização de eventos internacionais que promovam a imagem do País no Exterior, isoladamente, não é garantia de que haverá aumento sustentado do fluxo turístico futuro. O ganho, alerta Montagner, pode ser apenas imediato. Como exemplos positivos a seguir, ele citou as cidades de Barcelona, na Espanha, sede da Olimpíada de 1992, e de Seul, na Coreia do Sul, sede da Olimpíada de 1988, que conseguiram traduzir em ganhos urbanísticos e sociais permanentes os investimentos nos jogos. "Barcelona se colocou na rota internacional, assim como Seul, que se utilizou disso para se configurar como uma grande cidade em crescimento. As metrópoles estão disputando espaço e um evento dessa natureza tem o poder de alavancar futuros investimentos, que perduram não só durante as Olimpíadas, mas que favorecem o desenvolvimento social e urbano", exaltou. Montagner considerou que ainda é uma incógnita se a Copa do Mundo de 14 e a Olimpíada de 16, ambas no Brasil, trarão ganhos reais para o País: "Não é automático, o País tem que ter uma política para isso", destacou. "Eventos dessa natureza não têm esse poder mágico, como querem nos fazer acreditar, de que só isso é suficiente. É possível que se gere grandes expectativas nas pessoas, mas é preciso um projeto de políticas públicas. Não me parece que isso está acontecendo no Brasil", acrescentou. Ele citou o caso da atleta Daiane dos Santos, que despertou, com sucesso, a vontade de milhares de crianças de praticar ginástica. Elas, no entanto, não tiveram estrutura preparada para recebê-las. "As crianças não encontraram a oferta de ginástica para se desenvolver. Não adianta fazermos uma olimpíada e falar de um legado, se não se construir estrutura nas escolas, nas praças, nos clubes para que as crianças se desenvolvam. Isso deve estar articulado a um projeto de acessibilidade ao esporte para todas as pessoas interessadas", finalizou. Fonte: Agência Brasil.

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