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Comunicação em tempos de crise

Por: 0 18 de Junho de 2015

Por Denise Revelk Cecatto Em momentos de turbulência, com um cenário econômico e político em completa desordem, é  nítida a movimentação das empresas para encontrar soluções que reduzam os impactos da crise. O caminho mais comum é concentrar os esforços em vendas, com foco em  ações que trazem resultados em curto prazo. No entanto, talvez somente este movimento não seja suficiente para atravessar um período turbulento sem grandes prejuízos para o negócio. E este é um enorme desafio. Mas então, como passar por isso sem descuidar da imagem e da reputação da organização, que são as bases de sustentação do negócio em médio e longo prazos? comunicacao1Um dos casos mais comentados nas redes sociais e na mídia nos últimos dias, tornou pública a abordagem de alguns atendentes de uma operadora brasileira de TV por assinatura. O whatsapp de diversos clientes foi invadido com mensagens abusivas e colocaram em cheque o cuidado da empresa com dados sigilosos. Uma conduta equivocada e infeliz (para dizer o mínimo) de funcionários que falam em nome da marca. Outro assunto que viralizou na internet denunciou a conduta da atendente de uma famosa rede mundial de cafeteria, em Nova Iorque, que gritou com uma consumidora  por causa de um canudo. Vejam: o que poderiam ser atitudes “isoladas”de funcionários, se tornaragrandes problemas para a reputação das marcas! Isso porque atitudes de quem representa uma marca não estão descoladas dela. É tudo uma coisa só! Casos como esses, cada vez mais comuns, são provas de que problemas de posicionamento da marca (sim, da marca!!) deixam dúvidas sobre o discurso da companhia e abalam a sua credibilidade perante os stakeholders. Desde o conteúdo da resposta (ou falta de resposta) ao problema ocorrido, a postura comercial, a política de proteção de dados sigilosos e até as práticas de RH são questionadas por milhões de pessoas, entre eles, os consumidores do produto ou serviço que as marcas em questão oferecem.         São as pessoas, afinal, que têm a responsabilidade de zelar pela imagem e construir a reputação da marca. São elas também que, por alguma razão, podem destruí-la. Neste caso, como fazer com que, em momentos de crise, o relacionamento com o público interno seja o principal recurso para evitar os riscos para a imagem? Como as organizações cuidam para que empregados, muitos dos quais em seu primeiro emprego, projetem adequadamente a imagem da organização? De que forma os gestores podem implementar ações para que o diálogo com clientes seja produtivo, ao invés de somente impor barreiras “no sistema” de atendimento? As respostas para estas perguntas não são simples. Porém, afirmo que a estratégia mais adequada é aquela que promove o equilíbrio entre os esforços comerciais (muito importantes em momentos de crise) e as atitudes internas de respeito pela marca e pela reputação da empresa. A adesão destes valores por parte do público interno é possível por meio de um programa de comunicação interna permanente e sistemático, associado diretamente à estratégia principal da organização, e que tenha nos gestores seu principal aliado. Um programa de comunicação interna eficaz, que privilegia o diálogo interno e a transparência, tem o poder de gerar coerência no posicionamento que a organização projeta externamente. Esta talvez seja uma das práticas mais inteligentes para implementar em momentos de crise:ouvir as equipes,  colocá-las no centro da discussão sobre a importância das suas ações para a reputação da marca e manutenção dos negócios. Antes que uma atitude incorreta de um funcionário vire uma crise de imagem, aproveite o momento para avaliar se o seu discurso está refletido nos contatos dos seus colaboradores com todos os stakeholders. artigo Denise Cecatto (1)  

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