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Complexos esportivos na batalha contra a pandemia

Por: OlimpíadaTodoDia. 6 de Maio de 2020

Sem a maior parte das competições, alguns dos espaços antes usados para o esporte se transformaram em locais de saúde. 

O novo Coronavírus paralisou o esporte, adiou a Olimpíada de Tóquio, fato inédito, e vem deixando um rastro de morte. E quando a questão é de vida e morte, é preciso entrar em ação.

Leia também: MChecon constrói estruturas em Heliópolis e no Ibirapuera e auxilia na luta contra Covid-19.

A estrutura do sistema de saúde vai colapsar em muitos países. Esporte é cidadania e nada mais racional do que usar espaços ociosos para construir hospitais de campanha, bases auxiliares e centros de atendimento.

O Olimpíada Todo Dia listou alguns desses locais que estão honrando o legado esportivo. Por outro lado, tem um, em especial, que está sendo desperdiçado.

O Ministério Público Federal (MPF-RJ) pediu à Secretaria Nacional do Esporte avaliar a possibilidade de ceder as arenas do Parque Olímpico da Barra, no Rio de Janeiro, na ajuda ao combate ao Coronavírus.

Contudo, o Ministério da Cidadania, que engloba a Secretaria do Esporte, afirmou que não recebeu, até o momento, nenhuma solicitação oficial para utilização das arenas olímpicas sob responsabilidade do Governo Federal como hospital de campanha durante a pandemia.

São Paulo

A cidade de São Paulo vem se provando como o epicentro da pandemia no país. Um hospital de campanha foi montado no tradicional Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, que será administrado pelo Hospital Albert Einstein e tem como função principal liberar os leitos dos hospitais municipais, que ficarão responsáveis por tratar casos mais complexos e graves.

Hospital de campanha montado no Estádio do Pacaembu (Foto: Governo do Estado de São Paulo).

Além de ter sido um dos estádios da Copa do Mundo de 1950, o Pacaembu também recebeu parte das disputas dos Jogos Pan-Americanos de 1963, que teve a cidade de São Paulo como sede.

Palco do Mundial de skate

A construção da tenda no gramado do Pacaembu é uma parceria entre o Allegra Pacaembu com a Prefeitura de São Paulo, que investiu na estrutura e aparelhamento. O local já está recebendo pacientes.

Outro hospital de campanha foi montado no Centro de Exposições do Anhembi, na Zona Norte de São Paulo, outra ação do município. 

Em 2019, o Anhembi recebeu o Mundial de Skate Street. O local é administrado pela São Paulo Turismo (SPTuris, empresa municipal de turismo e eventos) e já recebeu os primeiros pacientes.

Hospital auxiliar montado no Anhembi (Foto: Jose Cordeiro/SPTuris ).

Ainda na cidade de São Paulo, o Estádio Ícaro de Castro Melo, no complexo esportivo do Ibirapuera, também terá um hospital de campanha para atender casos de baixa ou média complexidade de pacientes com o novo Coronavírus. A iniciativa é da Prefeitura de São Paulo e começou a funcionar no dia 1º de maio.

Estádio Ícaro de Castro Melo, São Paulo, onde foi construído mais um hospital de campanha (Foto: Rafael Freitas).

O Estádio Ícaro de Castro Melo, mais conhecido como Estádio Olímpico do Ibirapuera, tem sido palco de eventos de atletismo, inclusive da Confederação Brasileira de Atletismo.

Rio de Janeiro

A cidade do Rio de Janeiro, outro foco grande de contaminação, usará o Parque dos Atletas para um hospital de campanha. O local foi construído para servir como um espaço de lazer para os competidores durante as Olimpíadas de 2016.

A Prefeitura do Rio de Janeiro administra o espaço, que terá 200 leitos.

Ainda na cidade do Rio de Janeiro, o lendário Estádio do Maracanã também servirá como um hospital de campanha na batalha contra a epidemia. Serão 400 leitos, sendo 80 unidades de tratamento intensivo.

A Secretaria de Saúde Estadual está investindo no local, que é administrada pela parceria privada entre Flamengo e Fluminense.

Maracanã, Rio de Janeiro, servirá de hospital de campanha contra epidemia de Coronavírus (Foto: Divulgação).

O Maracanã foi palco dos Jogos Pan-Americanos de 2007 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Os hospitais de campanha no Parque dos Atletas e no Maracanã começarem a funcionar em 1º de maio.

Américas

Legado dos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019, a Vila Pan-Americana, no coração do distrito de Villa El Salvador, em Lima, Peru, está recebendo pacientes com Coronavírus.

Vila Pan-Americana de Lima 2019 é preparada para receber paciente com Coronavírus (Foto: Fotos Publicas).

A região é uma das mais pobres da Capital peruana e vai servir de apoio recebendo casos menos graves. A ação é do governo peruano.

Ainda no Peru, o Centro de Alto Rendimento de Surfe de Punta Roca, outro legado dos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019, também será usado em meio à crise hospitalar provocado pelo Coronavírus.

Centro de Alto Rendimento de Surfe de Punta Roca receberá profissionais da saúde que trabalham com amostras do Coronavírus (Foto: Flickr/Lima2019juegos).

O moderno complexo localizado em Punta Negra ficará, provisoriamente, entregue ao Ministério da Saúde. Profissionais que estão trabalhando com amostras do novo Coronavírus ficarão acomodados de Punta Roca, visando diminuir o risco de contágio.

Tênis e rúgbi

Nos Estados Unidos, país com mais casos da doença e que tem seu epicentro da pandemia em Nova York, o Centro Nacional de Tênis Billie Jean King, sede do US Open, foi transformado em hospital de emergência.

Instalações do US Open de tênis vão receber paciente com Coronavírus (Foto: Reprodução/Facebook).

O complexo de tênis agora tem 470 camas, enquanto a cidade luta para tratar pacientes com Coronavírus. Em um primeiro momento, o hospital de emergência não atenderá pacientes com o Covid-19. A iniciativa é da prefeitura nova-iorquina.

Uma das joias do rúgbi sul-americano, o Estádio Charrúa de Montevidéu (URU) está sendo usado na luta global contra a pandemia do novo Coronavírus, abrindo suas portas para infectados pelo vírus.

Estádio Charrúa, Uruguai, também atenderá pacientes com coronavírus (Foto: World Rugby).

O local teve um papel fundamental na qualificação de Los Teros para a Copa do Mundo de Rúgbi de 2015 e 2019. O Estádio Charrúa também está acolhendo pessoas vulneráveis pessoas sem-teto.

Europa

Palco da esgrima, boxe, taekwondo, levantamento de peso, judô, tênis de mesa e wrestling na Olimpíada de Londres 2012, o ExCeL London, abreviação de Exhibition Centre London, cedeu seu espaço para a construção de um grande hospital que auxiliará no combate à pandemia.

ExCeL London, complexo de eventos em Londres, é um dos hospitais de campanha contra a epidemia (Foto: Facebook/Excellondon).

O ExCeL London tem uma administração privada (Abu Dhabi National Exhibitions Company) que entrou em acordo com o Governo Britânico por meio do National Health System (Serviço Nacional de Saúde).

Ainda no Reino Unido, Stoke Mandeville Stadium, em Aylesbury, Buckinghamshire, também está sendo usado como hospital auxiliar contra o Coronavírus, atendendo casos de menor gravidade. 

O Stoke Mandeville Stadium é de propriedade da WheelPower, a organização nacional do esporte em cadeiras de rodas, e é um dos berços do movimento paralímpico mundial.

Legado dos Jogos da Juventude

Na Suíça, o Vortex, o complexo residencial destinado a acomodar estudantes e professores da Universidade de Lausanne (UNIL) e que serviu como Vila Olímpica durante os Jogos Olímpicos da Juventude de Lausanne 2020 entrou no combate à pandemia.

Vortex, em Lausanne, Suíça. Conjunto de apartamentos servirá de abrigo para profissionais da saúde (Foto: Reprodução/Lausanne2020.org).

Desde 19 de março, o Vortex abriga equipes de enfermagem, médicos e demais trabalhadores da saúde mobilizadas na luta contra o Coronavírus.

Uma famosa clínica ortopédica de Madrid também mudou drasticamente sua função durante a pandemia. A Cemtro, uma das três clínicas da Espanha reconhecidas pela Fifa (Federação Internacional de Futebol), trocou cirurgias de ombro e joelho para atender pacientes com o Covid-19.

Segundo o diretor médico Ángel Galindo, a clínica atende emergencialmente pacientes com lesões, mas está voltada para combater a epidemia.

A Cemtro não está sendo paga para fazer estes serviços, mas o governo espanhol está cedendo equipamentos de proteção individual, máquinas e medicamentos.

Ásia

O Japão, após o adiamento de Tóquio 2020, já declarou estado de emergência e pretende usar a estrutura da Olimpíada no combate ao novo Coronavírus.

Vila Olímpica de Tóquio 2020 pode ser usada para abrigar pacientes com Coronavírus (Foto: Wikicommons/Arne Müseler).

Segundo o Nikkei Asian Review, a Vila dos Atletas seria a primeira das estruturas olímpicas a ser usada para acomodar pacientes com Covid-19. No entanto, o projeto ainda não foi implementado e ainda está na fase de estudos.

Na Indonésia, sete das 10 torres da Vila dos Atletas usada durante os Jogos Asiáticos 2018, em Jacarta, estão se transformando em leitos e UTIs no combate ao Coronavírus.

Vila dos Atletas dos Jogos Asiáticos de 2018, em Jacarta, Indonésia, já tem sete torres reservadas para o combate a pandemia (Foto: Wikicommons/By Ya, saya inBaliTimur).

Mas por que usar locais do esporte?

Obviamente, porque não estão estando sendo usados. Normalmente são complexos, ginásios e estádios que foram projetados para receberem um certo fluxo de pessoas e são espaçosos.

Esses locais, que auxiliarão no combate contra a pandemia devem permitir um acesso mais fácil tanto na hora da montagem dos equipamentos e da estrutura de saúde, como facilitar o trabalho diário.

A localização é importante. Muitas vezes estão mais próximos do centro das cidades, com grandes hospitais nas proximidades, afinal, foram feitos para receberem grandes eventos e fluxo constante de pessoas.

Outro locais estão próximos às áreas mais carentes, que possuem uma defasagem hospitalar e que servirão de apoio.

Não chega a ser uma regra, mas muitos são administrados pelo poder público, possuem uma parceria público-privada ou já contaram com dinheiro público anteriormente investido antes de serem negociados com a iniciativa privada.

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