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Cerveja de pinhão sustentável chega ao mercado nacional

Por: 0 2 de Julho de 2015

Uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em parceria com a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi), trouxe para o mercado brasileiro uma bebida que contribui para a proteção da natureza. A cerveja de pinhão é feita a partir de pinhões produzidos de acordo com padrões sustentáveis que protegem a floresta com araucárias, ecossistema associado à Mata Atlântica e que possui menos de 3% da sua cobertura original.

Fotos: Divulgação.Insana
A bebida é produzida sazonalmente, apenas quando a extração do pinhão é autorizada. Para 2015 foram envasadas 45 mil garrafas, que têm como destino todas as regiões brasileiras, mas principalmente os mercados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Cerca de 800 quilos de pinhão proveniente do planalto serrano de Santa Catarina foram utilizados na cerveja, que passou por cinco anos de testes antes de se tornar realidade. “Acreditamos que o mercado brasileiro está cada vez mais preocupado com o impacto dos produtos no meio ambiente, por isso estamos apostando nessa cerveja. Além de contribuir para conservar uma floresta extremamente ameaçada, também valoriza um produto regional do Sul, reforçando nossa cultura.”, afirma Pedro Reis, gestor da Cervejaria Insana, responsável pela produção da cerveja. Para garantir que o pinhão utilizado seja extraído da forma correta e sem prejudicar o meio ambiente, a empresa fez uma parceria com o Araucária+, iniciativa desenvolvida pela Fundação Grupo Boticário e pela Fundação Certi que incentiva produtores de pinhão e erva-mate a adotarem um padrão sustentável de produção. [caption id="attachment_472795" align="aligncenter" width="562"]Araucárias Floresta das Araucárias.[/caption] Ao seguir esse padrão, os proprietários participantes do Araucária+ adotam medidas de redução do impacto causado pelas atividades econômicas em suas propriedades. Dentre as medidas está a retirada do gado, caso tenham, da área vinculada à produção sustentável, pois o pisoteio desses animais prejudica o crescimento de novas plantas, impedindo a regeneração da floresta. Os proprietários também se comprometem a não realizar queimadas nem utilizar agrotóxicos. “Essas ações têm como objetivo reduzir os impactos gerados nas áreas de floresta nativa, contribuindo para a sustentabilidade da cadeia.”, explica Guilherme Karam, coordenador de estratégias de conservação da Fundação Grupo Boticário. Além dessas ações, o coordenador ressalta também um cuidado a ser observado durante a coleta do pinhão. “Os produtores não podem extrair as pinhas verdes e devem deixar 20% delas nos pinheiros para não prejudicar a disponibilidade desse alimento para aves e roedores, além de permitir a regeneração natural da espécie.”, afirma. Bom Negócio Para Todos Além de unir proteção da biodiversidade e novas oportunidades de negócio, o iniciativa também é benéfica para os produtores envolvidos, pois passam a receber mais pelo quilo de pinhão. O preço médio por quilo da safra de 2015 oscilou entre R$ 2,50 e R$3,00, sendo que os integrantes do Araucária+ receberam R$ 4,00 pelo mesmo peso. “Isso é muito bom porque nos sentimos valorizados. Mostra que nosso trabalho diferenciado valeu a pena.”, conta Rosaldo Pagani de Almeida, produtor da cidade de Urupema (SC). Em 2015, estes proprietários venderam 800 quilos de pinhão para a produção da cerveja e, se depender de Rosaldo, ano que vem a parceria está garantida. “Com certeza vou continuar, a gente ganha mais e ainda protege a natureza. Todos saem ganhando.”, afirma animado. [caption id="attachment_472796" align="aligncenter" width="562"]Pinhão Pinhão.[/caption] Segundo Marcos Da-Ré, diretor do Centro de Economia Verde da Fundação Certi, é exatamente esse o objetivo do Araucária+, gerar valor compartilhado por todos. “Buscamos desenvolver um ambiente de inovação, com foco no fortalecimento de cadeias da sociobiodiversidade, em que todos os envolvidos, incluindo a própria floresta, tenham benefícios. É um modelo inovador de desenvolvimento regional sustentável, que pode ser aplicado a outros biomas brasileiros.”

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