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Campo Grande aposta no turismo de eventos

Por: 0 18 de Agosto de 2014 03:18

Mesmo sem praias ou grandes atrativos naturais, Campo Grande se consolida no cenário de turismo de eventos. O segmento representa 70% da demanda hoteleira local que se expande na esperança de que obras como a do Aquário do Pantanal possibilitem maior permanência do turista na Capital, e, em contrapartida, ainda buscam soluções para a carência de mão de obra qualificada.

Dados da Abih (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis) apontam que, desde 2011, o segmento evoluiu 29,53% na oferta de leitos no município, ao ampliar de 4.567 para 5.916 a oferta de acomodações. No período, quatro empreendimentos foram inaugurados: Hotel Ipê, Grand Park, Mohad e Ibis Budget. A projeção para os próximos anos é de que mais de 1.851 leitos serão criados.
Foto: Marcelo Victor.
[caption id="attachment_414185" align="aligncenter" width="562"]A rede hoteleira está em crescimento na cidade. A rede hoteleira está em crescimento na cidade.[/caption] O presidente do Campo Grande Convention & Visitors Bureau, Marcelo Silva de Oliveira, avalia que a demanda ainda não acompanhou a expansão do setor e reflete em taxas de ocupação de 55% nos meios de hospedagem. Nesse sentido, manter o turista transitando em Campo Grande é a alternativa para reverter o cenário. “Apostamos no Aquário do Pantanal por ser um grande equipamento turístico que terá que funcionar bem para atrair mais turistas para a cidade. Se não aumentarmos o fluxo de pessoas teremos, em 2016, média de 45% de ocupação de leitos.”, analisa Marcelo Silva, que também atua como empresário do setor.
Foto: Marcelo Victor.
[caption id="attachment_414184" align="aligncenter" width="562"]Aquário do Panatanal. Aquário do Panatanal.[/caption] Com inauguração prevista até o fim do ano, a obra do Governo do Estado deve consumir mais de R$ 120 milhões para se tornar o maior aquário de água doce do mundo, além de ser dedicado a pesquisas sobre a fauna pantaneira e ter pretensão de atrair 150 mil visitantes por ano. De acordo com o titular da Semac (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, do Planejamento, da Ciência e Tecnologia), Carlos Alberto Negreiros, o empreendimento se tornará o principal indutor da permanência do turista ao incentivar ainda o turismo científico, com intercâmbio entre pesquisadores e universidades. Tal mudança de perfil, no entanto, deve ser associada a uma melhor atenção ao turista com a especialização da mão de obra.

Carência de Pessoal

O empresário Jair Pandolfo coordena um “império” de cinco hotéis na Capital e confessa dificuldade de encontrar profissionais qualificados, em especial no que tange ao domínio de outros idiomas. Para ele, este é um dos entraves, inclusive, que o impedem de construir mais uma unidade para somar à rede hoteleira composta por Grand Park, Internacional, Metropolitan, Nacional e Colonial.
“A cidade está crescendo, mas falta pessoal preparado para trabalhar, que tenha cursos no setor e idiomas. Todo dia temos pessoas entrando e saindo, além de ter dez funcionários a mais para cobrir possíveis falhas.”, conta Jair, que iniciou no ramo em 1982 e reside em um de seus hotéis administrados por familiares.
Foto: Marcelo Victor.
[caption id="attachment_414182" align="aligncenter" width="562"]Jair Pandolfo. Jair Pandolfo.[/caption] Se há carência de pessoal, sobram cursos de especialização em áreas correlatas a hotelaria. Um dos polos formadores é o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) que também tem constatado baixa demanda de interessados em ingressar ou mudar para o setor, que tem salários iniciais entre R$ 724 e R$ 5 mil. “Para a demanda hoteleira não há profissionais porque, muitas vezes, as pessoas não veem o turismo como uma profissão em que possam crescer. É preciso, também, sensibilização dos órgãos públicos e empresários para compreender a importância crescente do turismo no Estado”, pontua a analista de educação profissional de turismo, hospitalidade e lazer do Senac Campo Grande, Fabrizia Valle da Costa.

Projetos Integrados

Segundo a analista do Senac, investir em projetos integrados de turismo não beneficia apenas hotéis e restaurantes, mas todo o setor de serviços ao aquecer o comércio local. Na Capital, estão em estudo na Sedesc (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Turismo e Agronegócio) propostas para instalação de clube de águas termais, além de incentivos fiscais para novos empreendimentos.
Por Kleber Clajus/Campo Grande News.

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