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Bienal do Livro 2012, o novo Best Seller

Por: 0 23 de Agosto de 2012

Por Marina Pechlivanis A literatura estava em alta nas notícias das últimas semanas. Pode ser que Ulysses, de James Joyce, caiba em um post do Twitter, como anunciou Paulo Coelho chamando atenção para si — e gerando polêmica pelo mundo literário — justamente no período de lançamento de seu mais recente livro. Mas essa, de longe, não foi a principal matéria em pauta. Mais uma vez, a Bienal do Livro de São Paulo superou as expectativas de público recebendo mais de 750 mil visitantes no Pavilhão do Anhembi em 11 dias, segundo a organização do evento. Quem decidiu ir no sábado (18/08), dia mais lotado de todos, com 123 mil pessoas circulando, experimentou três apagões de energia que tumultuaram ainda mais o que já estava tumultuado, mas não apagou o fogo dos animados visitantes que se apertavam em filas para tudo: para entrar, para comer, para ver um estande, para comprar um livro, para tirar uma foto, para assistir a uma contação de histórias, para sentar e até para sair. Antes show-room de lançamentos e espaço para aproximação com autores de diversas editoras, hoje a Bienal é uma grande livraria. E um grande modelo de relacionamento das marcas com seus clientes(leitores!), dependendo das ofertas que cada marca efetiva, no espaço do estande, no modelo de relacionamento com os clientes e leitores, nos comes-e-bebes, nas ações promocionais e descontos, nos gifts, marcadores de livros, sacolas, minilivrinhos, revistas sempre fazem sucesso; se estão distribuindo, quem não quer? Interativos, criativos e econômicos, fizeram grande sucesso os display sem tamanho real de autores, personagens de livros e celebridades, muitos com atores de verdade interagindo, devidamente fantasiados, para o visitante tirar sua foto e postar nas redes sociais. As marcas mais astutas criaram ações promocionais para a web aproveitando os posts dos internautas, como a FTD, que lançou o concurso “Os vários sentidos da cultura brasileira” para alunos do quinto ao nono ano de todas as escolas do Brasil. O prêmio é uma viagem para conhecer a cultura de um dos Estados do País. No estande da Leya, um trono a Crônicas de Gelo e Fogo e um ator com figurino “de época” serviram de palco para vários clics; a espera chegava a 20 min, dependendo da hora. A Martins Fontes propôs uma integração: postando a foto tirada no cantinho Hobbit do estande e publicando no Facebook da Editora, as pessoas concorrem a um exemplar do livro O Hobbit. Já o espaço da Unesp trouxe uma criativa exposição com os 15 livros que mais representam a história da editora transformados por quatro artistas do Instituto das Artes da Unesp. Simples e inspirador. Boa ideia para expandir a Bienal por toda a cidade foi “O livro vai à mesa”, uma ação que integrou literatura e gastronomia oferecendo pratos especiais em homenagem ao evento acompanhados de ingresso, além de livros à venda com descontos especiais, prestigiando chefs autores ou restaurantes que já lançaram livros. No mesmo clima, entre histórias e temperos, a ação promocional "Cozinhando com Palavras" surpreendeu, encantando adultos, e, especialmente, crianças como mix palestra-show-degustação. Falando em crianças, muito criativo o espaço Deu a Louca nos Livros, com a participação do Museu Afro-Brasileiro e do Espaço Pró-Livro,celebrando os brinquedos do Nordeste e trazendo a experiência da coautoria para pais e filhos com a interação de contadores de histórias. E, ao final da experiência, todos recebem um cartão postal para ilustrar como que mais gostaram e a fixar em um mural coletivo. A Biblioteca Volante do Sesc também atraiu grande público, para ouvir as histórias e para visitar o ônibus transformado em biblioteca. Iniciativa que merece ser ampliada e multiplicada, em moldes similares, pela iniciativa privada. Cada vez mais tecnológica, a Bienal também dispunha de cobertura fotográfica pelo Flickr; concurso com publicação de vídeo no YouTube sobre “Livros que Mudaram a sua Vida, com possibilidade de entrar para o Canal da Bienal; Instagram; Mapa Interativo; PICBadges para Facebook; e mais apps Bienal Móvel para iPhone, iPad e android. Curioso observar a participação das editoras religiosas aumentando a cada ano. Muçulmanos, evangélicos, espíritas, católicos e muitas outras fés não apenas em grandes filas para pedir autógrafo como na espera de momentos de interatividade, com palestras dos autores e dos líderes religiosos. Desconto que é bom, pouco ou quase nada. Mas compensou pelas fotos tiradas com os displays do Chaves e da Chiquinha, com o abraço do Dr. Bactéria do Fantástico, com as esculturas de Sancho Pança e Dom Quixote — um gifting e tanto! Enquanto uns continuam a debater Coelho X Joyce, outros, agora inspirados, estão pensando o que será da próxima Bienal. Isso sim é assunto polêmico.    

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