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As tribos domésticas

Por: Edmundo Monteiro. 18 de Junho de 2021

É estranho falar em tribos em pleno século 21.

Ainda assim, elas existem e estão presentes na sociedade pós-moderna. 

Na verdade, não estamos falando de tribos indígenas ou tribos africanas, estamos falando das tribos sociais que surgiram nas sociedades modernas pós-globalização, por jovens que procuravam se diferenciar por meio das alianças com grupos que compartilhassem os mesmos ideais e convicções. 

Estas tribos, ao contrário do que o nome sugere, são, na sua maioria, tranquilas, mas, como tudo tem o seu lado negativo, algumas (às vezes), são adeptas dos comportamentos violentos por rivalidade.  

Eles não andam sumariamente vestidos, viajam, têm carro, frequentam bons restaurantes, discutem nacionalidade de charutos e safras de vinho.

Segundo o sociólogo francês Michel Maffesoli, as tribos urbanas podem ser classificadas como grupos de pessoas que se unem com base em apoio e interesses comuns e coletivos.

Aí o mundo pergunta por que as chamamos de tribos?

Na verdade são grupos que se identificam em ideias e comportamentos, como as tribos reais faziam, socializando e interagindo, através de um modelo de sociedade utópica, contrapondo-se na maioria dos casos ao status com à política, à economia. 

Alguns desses grupos que fazem parte da nossa realidade, do nosso convívio, não praticam as regras vigentes da sociedade, são hippies, patricinhas, playboys, skatistas, surfistas, metaleiros, drag queens, tribos do hip hop, clubbers, skinheads, punks, motoqueiros, roqueiros, na verdade hipsters, pessoas que vivem um estilo de vida alternativo, todos eles procurando se identificar e estabelecer uma identidade social, obviamente com diferenças de padrão, exotismo e objetivos. 

Sem querer entrar no mérito sociológico, não é a minha praia, tento entender a importância social destes grupos, na maioria jovens, na sociedade, acreditando numa realidade e numa forma de sobrevivência e sustentação social.

Neste cenário contraditório de realidades contraditórias e irreverentes, temos que avaliar o espaço urbano, a perenidade e a comunicação.

O espaço urbano é o cenário ideal, a praia onde tudo acontece, onde o participante se identifica na sua exposição diária. 

A perenidade é também relativa, considerando que a consequente imaturidade não tem sustentação diante das responsabilidades sociais e familiares,  interferindo negativamente na continuidade dessa “identidade cultural”

Por último, a forma de comunicação, neste sentido devemos considerar os meios e formas de relacionamento, nas diferentes culturas tribais. 

Ainda que as tribos sejam contextualmente diferentes nas suas práticas, a mídia e a sociedade estabelecem filtros culturais e sociais, mais do que isso, a sua aceitação pela sociedade é relativa, onde todos são olhados como exemplos de contra cultura.

Aqui, coloco como contraponto as tribos da arte urbana, ainda chamados de pichadores. 

Uma atividade hoje global, criativa, respeitada e admirada pela maioria da sociedade como arte, na comunicação urbana e hoje exposta em museus. 

Uma comunicação pictórica ideológica e social que é exportada para as grandes capitais do mundo moderno.            

Outro ponto que difere drasticamente da ingenuidade das tribos acima citadas, são as tribos de cunho político, as chamadas redes sociais, tribos onde predomina o ódio, o confronto, a ideologia direita esquerda, a anarquia e o quanto pior melhor.

Estas são as tribos que devemos olhar com atenção, considerando o primitivismo a falta de tolerância e o pouco respeito às diferenças.

Para finalizar, volto à comunicação, desta vez não entre eles, à comunicação subliminar e reativa da mídia nos meios de comunicação, alimentado com a sua parcialidade o estopim do confronto.          

Estas são as tribos sociais.

 

Foto: Reprodução.

Tags: artigo | edmundo-monteiro