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15 - Dia dos Solteiros

Por: 0 15 de Agosto de 2006

Celebra-se no dia 15 de agosto o dia dos solteiros. Não se sabe exatamente como e quando surgiu isto, mas a idéia é boa, afinal, é uma espécie de desforra daqueles que no dia 12 de junho não têm com quem comemorar. Pesquisas indicam que aumenta o número de solteiros em todo o mundo. Será que a solteirice está se tornando uma opção? Ou podemos falar em uma dificuldade cada vez maior de amar? Eu prefiro ver a questão como uma escolha que você pode fazer consciente ou inconscientemente. A tendência de muitos é acusar os outros pelo fato de estar só. Frases como “Os homens não querem saber de nada” ou “Ainda não encontrei a pessoa certa” tentam justificar o porquê você ainda não se casou. Mas são apenas justificativas para quem se vê na obrigação de estar junto de alguém, casar, etc. Com quase 30 anos de trabalho especializado em relacionamentos, não acredito nisto. O que percebo é que as pessoas dizem uma coisa, enquanto que, no fundo, querem outra. Explico melhor. Para casar você teria que abrir mão de muitas regalias que conquistou no caminho individual, quer seja a liberdade de ir e vir, não dar satisfação a ninguém, sua carreira profissional, o conforto de fazer da sua vida o que bem entender, de não ter dependentes, a diversidade de companhias, o conforto da casa de seus pais, etc. Mas como não somos seres lineares e coerentes, também temos dentro de nós um lado que quer uma companhia fixa, que quer desenvolver uma relação. O que precisamos entender muito bem é de onde vem a ordem de encontrar um par. Para que você precisa de alguém ao seu lado? Para satisfazer a cobrança de sua família ou dos amigos? Ou porque todo mundo deve casar e ter filhos? Ou você quer uma companhia do fundo de sua alma? Outra questão importante é: se você realmente quer namorar ou casar, você sabe qual a natureza desta opção de vida? Pergunto isto porque vejo muita gente dizendo que quer um envolvimento, mas não entende que, para se relacionar com mais profundidade é preciso ter profundidade. Quer dizer, um relacionamento amoroso só sobrevive se você desenvolver algumas virtudes como a paciência, a tolerância, a humildade, a autoestima, o respeito, a lealdade. E se você quer muito um amor para sua vida, mas não se propõe ser uma pessoa melhor, nada feito. É pura ilusão da sua parte. O amor nunca esteve em sua forma mais livre. A cobrança para você casar é bem pequena se comparada a que havia há alguns anos atrás. Então, ter alguém ou não é hoje muito mais uma opção que um dever. Eu diria até que namorar ou casar é uma espécie de talento que uns têm mais que outros. No trabalho que desenvolvo em meu consultório, fazemos de tudo para compreender as ordens que vêm lá do fundo da alma, pois são elas que determinam em última instância se você vai ficar só ou não. Todos nós temos o direito de amar, aliás, eu aconselho que todos tenham esta experiência única na vida. Mas este direito só pode ser exercido quando se tem capacidade de construir uma relação. Nisso podemos trabalhar. Existe a possibilidade de mudar. Nem sempre os padrões de relacionamento que aprendemos com nossa família original funcionam bem. Por isto é fundamental que se faça uma análise e reavaliação destes padrões. E para sair de alguns condicionamentos arraigados em nosso corpo e em nossa psique é preciso de muita consciência. Tenho acompanhado centenas de casos durante minha vida profissional e a boa notícia é que, com talento ou não, todos podemos desenvolver tais habilidades. Século 21, não precisamos mais das fórmulas antigas para nos relacionar. Ninguém quer mais deixar para trás sua individualidade. Afinal, para que trocar a liberdade conquistada a duras penas por um relacionamento cheio de cobranças, possessividade e chatice? Por isto, a saída agora é entender a solteirice de outra forma. Cada um precisa descobrir sua forma autêntica de amar. Melhor ainda, descobrir que solteiro também ama. Basta ter criatividade para estabelecer relacionamentos verdadeiros e únicos. Sergio Savian

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