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Zé Vitor coloca a boca no trombone

Por: Júlio Feijó. 7 de Janeiro de 2016

Nestes dez anos aqui no Promoview, nunca vi o ano começar tão cedo. Um dos motivos foi o empresário José Victor Oliva, presidente da Holding Clube que, logo na primeira semana do ano deu mais uma mostra de que está mesmo disposto a atuar na frente política da indústria da promoção no Brasil.  

Em um manifesto na sua página do Facebook o empresário critica a atuação do contratantes de serviços de marketing no mercado brasileiro citando o caso de uma executiva que está disposta a "banir" do mercado determinada agência que não pagou seus fornecedores. Victor ataca os velhos e imortais "paraquedistas".

No caso é a Spirit que era dirigida por Alan Cimerman, e que foi contratada pela rigorosa FIFA para realizar o evento de abertura da Copa do Mundo no Brasil. Depois da festa Alan ficou devendo para meio mundo.

Foto: Alê Oliveira.

À época, somente uma das empresas consultadas pelo Promoview ficou com 1,5 milhão de prejuízo e teve que acionar os meios jurídicos para tentar receber, inclusive a CBF. (veja aqui)

O leitor do Promoview está cansado desta realidade, principalmente pelas informações que circulam em nossas redes sociais e, de forma mais ampla, pelos artigos escritos no site sobre este assunto. A Ampro, citada na postagem de Oliva, também atua fortemente para mudar este quadro, com pouquíssimos avanços até aqui, afora os dividendos políticos auferidos pelos coordenadores do movimento.

A grande novidade mesmo é Victor Oliva se manifestar. O empresário tem forte atuação nas redes sociais mas pouco fala do segmento de negócios de algumas das empresas que dirige.

A publicação, que rendeu apenas dezenas de comentários, mostra ao mesmo tempo que a crise chegou no topo do mercado promo e que são muito poucos os que estão preocupados com isso. Pouco mais de trinta comentários, entre eles, naturalmente, aqueles do atual e ex presidentes da Ampro que aproveitam para convidar as agências a se associarem e colhem dividendos políticos...

Á princípio não acreditei e fui falar com Victor Oliva que confirmou tudo que está no seu perfil do face e se mostrou indignado com o pouco espaço que o segmento encontra na grande imprensa já que na opinião dele - e na minha também - o live marketing será protagonista do mercado da comunicação nos próximos anos.

Perguntado se foi por conta da crise que se deu a reaproximação dele com a política no mercado de live marketing, Oliva afirmou que sempre trabalhou pela Ampro mas confirmou que foi ele o principal responsável pela mudança na administração da entidade e que a criação do cargo de Chairman foi uma exigência do G5, grupo integrado pelas agências Holding Clube, Aktuellmix, Bullet, B!Ferraz e Tudo pelo fato de Kito Mansano ter indicado Wilson Ferreira Jr. para sucessão no cargo.

Á época, diante do impasse e para não haver "bate chapa", houve uma assembléia para mudança do estatuto e a partir daí Chairman e Presidente dividem as decisões. No caso de empate o assunto e decisão vão para o conselho da entidade. Passa a ser do presidente do conselho da Ampro a última palavra nos casos mais polêmicos.

Em outra frente, o Sindicato das Empresas e Live Marketing já conta com seu CNPJ e as etapas necessárias para sua legitimação estão sendo cumpridas. A iniciativa liderada por Kito Mansano, que a época da sua criação inclusive defendeu a extinção da Ampro, voltando atrás logo depois, deverá fazer parte dos bate papos e cafézinhos pelo Brasil. De que maneira conviverão duas entidades atuando no mesmo setor? Será o fim dos paraquedistas que vivem saltando em nosso mercado?

Voltando ao âmbito da Ampro,  a posse do novo conselho da entidade e a eleição do seu presidente no final de janeiro deverão catalisar o interesse dos mais atentos já que as grande decisões vão passar por ali a partir de agora.

Se é por conta da crise ou não, o fato é que os principais players do mercado passam a olhar de perto as decisões na principal entidade das agências promo e provavelmente este fato vai auxiliar na melhora das relações entre contratantes, agências e fornecedores do mercado.

Porém, não se pode esconder que uma "DR" completa terá que passar também por outros assuntos espinhosos como o BV cobrado de fornecedores e as contratações que vão contra as leis trabalhistas em vigor.

Na internet o movimento ganha força. Eu posso afirmar a você, leitor, que não estou mais só. Seguindo os passos do Promoview, pelo menos quatro publicações modificaram seu foco e passaram a disputar a atenção do “pessoal de promo”, como eles costumam qualificar você. Tudo bem que todos reproduzem o mesmo relase “ipsis literis” mas já é um começo. Os assessores de imprensa fazem a festa. Sem contar as agências que, na onda do inbound  passaram a gerar conteúdo. Mas como estão realizando muito pouca coisa, reproduzem as ações dos outros, dicas culturais, e por aí afora. ou seja, falta muita qualidade no que é publicado mas tudo aponta para o caminho certo.

O ano 16 começa quente com uma imprensa segmentada voltada para o mercado promo, uma rede social estruturada e uma entidade forte. E a temperatura deve aumentar porque a participação dos grandes empresários do setor fatalmente ampliará o debate e o que se espera é que a internet auxilie para que se possa contar com a participação de todos, considerando o tamanho do nosso brasilzão.

Por fim fico pensando se, com este cenário, o segmento promo vai, finalmente, consolidar sua fama de “bola da vez”. ou se o Zé Victor terá que continuar bradando que "BTL é a PQP!"

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