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Os bombeiros e o ponto de venda

Por: João Riva 22 de Fevereiro de 2017

Tem um colega que vez ou outra diz que não reclama mais de crises no país, já que crise significa algo anormal acontecendo. Segundo ele, o país vive há tanto tempo em dificuldade, seja de um tipo ou outra, que o termo crise deve ser usado com menos ênfase. Não sei se concordo (acho que não), mas desde que abri minha primeira empresa ouço sobre a crise. Nasci como empreendedor em momento de crise, e desde lá vivo assim. Para mim, olhando pelo ponto de vista do meu colega e considerando apenas meu histórico como empreendedor, não vivo na crise, mas no país de sempre.

O Silvio Santos, em chamadas antigas do SBT, falava que “na crise se cresce”. Não posso afirmar se ele está certo, mas garanto que na crise nos tornamos mais criativos. Aprendemos a fazer mais com menos. Menos dinheiro, menos tempo, menos estrutura, menos braços e menos opções. Viver num país em crise é como se fossemos bombeiros trabalhando full time, apagando o fogo de um prédio após o outro. Trazendo esta realidade ao nosso mercado, é apresentarmos o dobro de propostas para poder fechar o mesmo número de projetos de antes. Parece ruim, e é. Mas, como acredito, na vida ou ganhamos ou aprendemos. E aqui aprendemos muito.

Um dia os prédios irão pegar fogo com menos frequência, e certamente nesta data teremos bombeiros muito mais treinados, sabedores do que fazer em cada situação. Do nosso lado, teremos aprendido a fazer mais com menos, de forma que quando o menos se tornar mais, o fazer mais será mais ainda. Afinal, estamos vivendo um período de crise, mas que se mistura a um tempo de mudanças e transformação no nosso mercado. Aprender a lidar com este novo cenário é fundamental para quem busca se manter em pé.

No entanto, algo sempre me deixou alerta quanto a crise: a necessidade das marcas investirem ainda mais em ponto de venda (junto a digital, claro). Acredito eu que estamos tão focados na crise e em aprender a lidar com este momento, que esquecemos de mostrar aos nossos clientes que é justamente nesta fase que as marcas devem estar presentes (e bem presentes) dentro dos pontos de venda.

No momento em que o shopper esta com maior dificuldade em colocar a mão no bolso, a força da comunicação face a face com ele deve ser dobrada! Toda e qualquer ferramenta que converse com ele de forma presencial, fazendo com que a mensagem a ser transmitida seja percebida quase que de forma obrigatória, deve ser destacada. As promoções devem saltar aos olhos, e as vantagens (inclusive financeiras) devem ser evidenciadas a quem visita o ponto de venda. No meu ponto de vista, período de crise é período de investir em ponto de venda. Ali a o produto aparece em momento de fechamento de compra. Direto e reto.

A verdade é que se hoje agimos como bombeiros e estamos apagando o fogo sem muito foco, devemos lembrar aos nossos clientes que possivelmente a solução que potencialize suas vendas esteja no ponto de venda. Talvez estejamos, como bombeiros, esquecendo de mirar nossas mangueiras para lá.
 

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